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Futuro da Agrale passa pelo gás, afirma diretor da montadora

Edson Martins revela o direcionamento da Agrale para produtos com motorização alternativa e defende gás como solução mais viável que o elétrico para a realidade brasileira

Em um momento de retomada dos investimentos após enfrentar uma das crises mais severas da sua história, a Agrale aposta todas as fichas no gás como combustível do futuro para o transporte pesado no Brasil. Quem afirma é o diretor Comercial e de Marketing da montadora, Edson Ares Sixto Martins, que concedeu entrevista à Frota&Cia.

O executivo revelou que a empresa prepara uma nova família de produtos movidos a GNV e biometano, defendendo que a matriz energética oferece hoje um Custo Total de Operação (TCO) mais fechado do que os veículos elétricos e representa, “do berço ao túmulo”, a solução mais eficaz para a descarbonização no país. A entrevista aborda ainda os planos de expansão controlada da rede de distribuidores, os desafios de crédito no mercado brasileiro e uma projeção de queda de 5% para o setor de caminhões e ônibus em 2026.

Edson Martins Agrale
Edson Martins: Agrale ampliará o seu portfólio de veículos a gás | Foto: Reprodução

Ao ser questionado sobre os próximos passos da Agrale, Martins adiantou que a empresa prepara uma família de produtos com motorização alternativa ao diesel. “A Agrale acredita muito no Brasil para os veículos a gás. Podem esperar lançamentos muito interessantes nesse segmento.”

A montadora já comercializa o caminhão A 11.000 e o micro-ônibus MA 11.0 movidos a gás natural veicular (GNV) ou biometano. Martins defende que o gás é, hoje, uma solução mais adequada que o elétrico para a realidade brasileira. “O elétrico entra com necessidade de subsídio, como foi feito em São Paulo. O gás já tem TCO fechando. O metro cúbico é mais barato proporcionalmente, e as distribuidoras estão revendo margens para atrair frotistas.”

A aposta no biometano, em particular, é vista como estratégica do ponto de vista ambiental e econômico. “Transformamos um passivo ambiental em ativo energético. O biometano, do berço ao túmulo, é a fonte que mais reduz pegada de carbono“, argumentou Martins, lembrando que a Agrale já comercializou 240 ônibus a gás para o sistema de transporte público de Buenos Aires, além de 82 unidades elétricas.

Um novo posicionamento pós-crise

Nova geração de caminhões Agrale
Nova geração de caminhões Agrale | Foto: Divulgação

O executivo não escondeu que a Agrale passou por dificuldades nos últimos anos. “Quando se perde 67% do mercado em dois anos, qual é a empresa que sobrevive? Nós não temos matriz no exterior para pedir dinheiro. Tivemos que tirar o pé de investimentos para manter a saúde financeira“, revelou.

Superada a fase mais crítica, a montadora volta agora a uma postura de expansão controlada. “Estamos buscando novos distribuidores, mas sem pressa. Queremos gente boa que acredite na marca, no produto, nesse jeito simples e direto de fazer negócio. Por isso temos 63 anos de história.”

Martins citou dois novos distribuidores abertos recentemente que superaram as expectativas, embora estivessem em regiões inicialmente consideradas de baixa prioridade. “O resultado está sendo espetacular. Não estou colocando metas regionais para o time. Queremos pessoas que queiram fazer parte de um trabalho de longo prazo.”

Visão de mercado

O executivo fez uma análise franca do momento vivido pela indústria de veículos comerciais no Brasil. “É muito difícil fazer planejamento no país. Você projeta para 2, 3, 5 anos e tem certeza de que vai errar“, ponderou. De toda forma, estudos internos da Agrale para 2026 apontam para queda de 5% no mercado de caminhões e ônibus, influenciada por dificuldades de crédito, incertezas políticas e eleições.

Tags: Frota&Cia

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