Preço do diesel S10 desacelera no fim de março, mas acumula alta de 29,6% em quatro semanas - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

Preço do diesel S10 desacelera no fim de março, mas acumula alta de 29,6% em quatro semanas

IPC.Mlog fechou a última semana do mês em R$ 7,28, após três semanas de altas; Bahia concentrou os maiores reajustes do combustível

O IPC.Mlog registrou, na última semana de março, o primeiro sinal de desaceleração nos preços do diesel S10 no Brasil. Entre os dias 23 e 28, o indicador oscilou entre R$ 7,26 e R$ 7,30 por litro, encerrando o período em R$ 7,28, com variação de 0,3% na semana.

O movimento contrasta com o ritmo observado nas semanas anteriores. Nas três primeiras semanas de março, o indicador havia registrado altas semanais de 12,4%, 6,6% e 6,3%, respectivamente. No acumulado desde o fim de fevereiro, o diesel subiu R$ 1,67 por litro no Brasil, o que representa alta de 29,6% em apenas quatro semanas.

O maior avanço foi registrado na Bahia. No estado, a refinaria Acelen, que possui maior alinhamento na precificação dos produtos ao mercado internacional, realizou cinco reajustes no preço do diesel ao longo do mês, acumulando aumento de R$ 2,71 por litro do Diesel S10 A.

Com isso, o preço nas bombas dos postos baianos avançou mais de 40% em março, colocando o estado na liderança dos aumentos no país.

CENÁRIO DA PETROBRAS E DO DIESEL IMPORTADO

Já a Petrobras, até o momento, não acompanhou as variações internacionais. Apesar de ter promovido o primeiro reajuste em mais de 300 dias, com aumento de R$ 0,38 por litro no diesel S10, o movimento não eliminou a diferença em relação ao mercado internacional.

Segundo o PPI disponibilizado pela ANP, o diesel importado acumulou alta superior a 70% em março, com avanço de até R$ 2,50 por litro, a depender do porto de retirada.

Na análise do especialista em combustível do Gasola by nstech, Vitor Sabag, a diferença entre os preços internos e externos tem gerado impactos no abastecimento dos postos brasileiros, já que parte da demanda nacional é atendida por combustível importado. Com essa disparidade, não há incentivo para o agente privado realizar a importação, o que reduz a oferta de produtos no mercado.

De acordo com o levantamento, essa redução de oferta já afeta postos em diferentes regiões do Brasil. Há registros de faltas frequentes de combustível ao longo do dia, com postos relatando recebimento de volume inferior ao solicitado às distribuidoras.

RESPOSTAS DO GOVERNO À ALTA DO DIESEL

No campo político, o Governo Federal anunciou duas medidas. A primeira foi a zeragem de PIS e Cofins, sem efeito prático, já que a Petrobras elevou o preço na mesma proporção no dia seguinte.

A segunda medida, uma subvenção de R$ 0,32 por litro, ainda depende de operacionalização pela ANP. Segundo Sabag, ainda há dúvidas sobre quais agentes irão aderir, quais postos compram combustível desses agentes e se a redução chegará ao preço final na bomba ou será absorvida em algum ponto da cadeia.

A avaliação do especialista é de que, embora a intenção do programa seja correta, a distância entre o anúncio e o preço final na bomba no mercado de combustíveis brasileiro costuma ser longa, o que mantém o tema no radar para as próximas semanas.

IPC.MLog: INDICADOR DO PRECO DO DIESEL

A MundoLogística lançou o IPC.MLog, um indicador que acompanha em tempo real a evolução do preço do diesel no Brasil. A iniciativa combina dados de mercado, fontes oficiais e informações captadas diretamente nas estradas, oferecendo uma visão precisa e confiável das variações do combustível.

Disponível online, o monitoramento apresenta a evolução diária dos preços, incluindo variação acumulada, média por período e recorte por estado. Com atualização constante, o IPC.MLog consolida mais de sete mil abastecimentos por dia, conectados em tempo real.

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