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Brasil vai colher segunda maiorsafra de algodão da história

Produção deve chegar a 4 milhões de toneladas e exportações já somam recorde de 3 milhões de toneladas entre agosto e maio.

A safra brasileira de algodão 2025/26 vai chegar perto de 4 milhões de toneladas de pluma, segundo o relatório AgroInfo de junho de 2026, do Rabobank. O número representa a segunda maior produção já registrada no país e confirma a posição do Brasil como protagonista do mercado mundial da fibra.

A área plantada caiu cerca de 2% nesta temporada. Mesmo assim, o clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras durante o ciclo e compensou essa redução, o que permitiu manter a produção em um patamar elevado. O resultado consolida uma trajetória de crescimento que já dura alguns anos: na safra 2023/24, o país tinha batido seu então recorde histórico, com 3,7 milhões de toneladas colhidas, e a safra seguinte, 2024/25, superou essa marca ao atingir 4,1 milhões de toneladas — a maior já registrada.

VENDAS

De acordo com o estudo, entre agosto de 2025 e maio de 2026, os embarques de pluma somaram cerca de 3 milhões de toneladas. O volume é 17% maior do que o registrado no mesmo período da temporada anterior. O segundo trimestre concentrou os maiores volumes mensais exportados, e esse desempenho colocou o Brasil na liderança mundial das exportações de algodão ao longo do ano.

O comércio interno também avança em velocidade alta. Em Mato Grosso, as vendas de pluma chegam a 72% da produção, conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária citados no relatório. O percentual fica quatro pontos acima da média dos últimos cinco anos e tem relação direta com a valorização recente das cotações internacionais, que tem incentivado tanto a venda da safra atual quanto contratos fechados antecipadamente para 2026/27.

Outro fator que pode pesar nos próximos meses é o câmbio. O mesmo relatório do Rabobank avalia que existe a possibilidade de o real perder força frente ao dólar no segundo semestre, movimento que tende a favorecer as exportações de commodities, entre elas o algodão.

CENÁRIO EXTERNO

Enquanto a produção brasileira avança, o mercado mundial enfrenta um quadro mais incerto. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em projeção citada pelo Rabobank, estima queda de cerca de 5% na produção global de algodão na safra 2026/27. Ao mesmo tempo, o consumo mundial deve crescer apenas 1,5%.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda tende a reduzir os estoques internacionais. Ainda assim, o Rabobank avalia que essa redução não chega a ser suficiente para puxar os preços para cima de forma consistente.

A inflação, a perda de poder de compra dos consumidores e o aumento dos custos logísticos — este último ligado à valorização do petróleo — seguem pesando sobre a demanda por produtos têxteis. As tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã somam-se a esse quadro e elevam o grau de incerteza no mercado internacional de fibras.

Os preços da pluma em reais acumulam queda de cerca de 3% nos últimos doze meses, mesmo com a recuperação recente das cotações na Bolsa de Nova York. Para o Rabobank, a combinação entre demanda moderada, riscos econômicos e possíveis impactos do El Niño deve manter os preços estáveis nos próximos meses. O próprio relatório alerta que o fenômeno climático tem alta probabilidade de retornar nos próximos meses e pode influenciar diretamente a produção agrícola na safra 2026/27, não só do algodão, mas de outras culturas.

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