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Renovação da FCA avança e deve chegar ao TCU em abril

Proposta prevê R$ 24 bilhões em investimentos, inclusão de novos trechos e foco na recuperação da infraestrutura

A renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) deve ser encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU) em abril, após cerca de dois anos de negociações entre a concessionária e o poder público. A previsão foi apresentada durante evento realizado na segunda-feira (30), no centro de engenharia da Wabtec, em Contagem (MG), que também marcou a entrega de novas locomotivas à VLI para operação no corredor leste da ferrovia.

O novo contrato de concessão prevê investimentos da ordem de R$ 24 bilhões ao longo do período, com cerca de R$ 8 bilhões direcionados a projetos em Minas Gerais. A proposta em elaboração altera a lógica adotada em renovações anteriores ao prever a destinação integral dos recursos para a própria malha ferroviária, sem pagamento de outorga ao Tesouro Nacional.

Segundo o ministério dos Transportes, a modelagem busca priorizar a recuperação da infraestrutura e a ampliação da capacidade operacional da ferrovia, com foco no aumento da eficiência logística e no escoamento de cargas. A FCA atravessa regiões com forte presença de atividades agroindustriais e minerais, desempenhando papel relevante na integração de diferentes polos produtivos.

Entre os pontos previstos na renovação está a inclusão do corredor ferroviário entre Corinto (MG) e Campo Formoso (BA), demanda apresentada por governos estaduais ao longo das discussões. O contrato também deve incorporar a obrigatoriedade de estudos para a implantação de um contorno ferroviário na Região Metropolitana de Belo Horizonte, projeto voltado à reorganização do tráfego ferroviário em áreas urbanas.

Dados apresentados pelo governo indicam crescimento recente na movimentação de cargas pela concessionária, com aumento de 16% no transporte de grãos no último ano. A expectativa, segundo o ministério, é de que os novos investimentos contribuam para ampliar a capacidade da ferrovia e melhorar as condições operacionais ao longo dos trechos concedidos.

Locomotivas

No mesmo evento, a VLI confirmou o recebimento de um lote de sete locomotivas fabricadas pela Wabtec, que serão incorporadas à operação de carga geral no corredor leste da FCA. As entregas ocorreram ao longo do mês de fevereiro, com a última unidade entregue na segunda-feira.

A aquisição faz parte de um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 600 milhões voltado à adaptação da companhia ao modelo regulatório de Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C). Além das locomotivas, o plano inclui a compra de vagões, ajustes operacionais e estruturais e a contratação de cerca de 700 profissionais em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Com a incorporação das novas máquinas, a VLI passa a contabilizar 27 locomotivas adquiridas desde 2024 para operação tanto na FCA quanto no tramo norte da Ferrovia Norte-Sul, também sob sua concessão.

As locomotivas entregues pertencem à série Evolution e foram produzidas na unidade da Wabtec em Contagem. Os equipamentos são voltados para operações de carga pesada e contam com motores diesel de alta eficiência, com possibilidade de utilização de biocombustíveis e redução de consumo de combustível em até 6% em comparação a modelos convencionais.

As unidades também incorporam sistemas digitais de monitoramento e segurança, incluindo tecnologias de controle automático de velocidade, análise de atenção do operador e acionamento de frenagem em situações de risco. Sensores embarcados acompanham parâmetros operacionais em tempo real, com o objetivo de ampliar a disponibilidade dos ativos e reduzir ocorrências ao longo das operações.

A operação no modelo ATF-C marca uma mudança na forma de atuação da companhia no corredor leste, permitindo que a VLI utilize locomotivas e equipes próprias para transporte de carga geral ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), cuja concessão é controlada pela Vale. Nesse trecho, são movimentadas cargas como grãos, fertilizantes, insumos industriais e produtos das cadeias siderúrgica e petrolífera.

Atualmente, cerca de 22 milhões de toneladas de cargas de clientes da VLI são transportadas anualmente ao longo da EFVM. No modelo anterior, a operação de carga geral utilizava estrutura da própria concessionária da ferrovia. Com a mudança, a VLI passa a ter maior autonomia na programação e condução das composições, com ajustes operacionais que incluem redução de paradas e reorganização dos fluxos logísticos.

Cronograma

A implementação completa do novo arranjo está prevista para ocorrer até o segundo semestre de 2026. O modelo não altera as obrigações contratuais da Vale em relação à concessão da EFVM, que permanece responsável pela manutenção da infraestrutura, pelos investimentos e pela prestação dos serviços previstos em contrato, incluindo o transporte de passageiros e de cargas.

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