Especialistas do setor de logística alertam para os riscos envolvidos no transporte de produtos perigosos e defendem medidas rigorosas de prevenção para evitar acidentes graves nas rodovias brasileiras.
O transporte rodoviário de produtos perigosos voltou ao centro das discussões no setor logístico diante dos riscos que envolvem esse tipo de operação e sinistros recentes.
Tudo começou com a publicação da Resolução CONTRAN nº 1.020/25, em dezembro de 2025, de iniciativa do então ministro dos Transportes.
A publicação da Resolução alterou profundamente o modelo de formação de condutores no Brasil. Entre as mudanças mais controversas está a eliminação do prazo de validade dos cursos especializados, incluindo o Curso MOPP (Movimentação Operacional de Produtos Perigosos), obrigatório para motoristas que transportam cargas químicas, inflamáveis, tóxicas, explosivas ou corrosivas — e também cursos ligados ao transporte de cargas indivisíveis, como máquinas industriais, transformadores e estruturas de grande porte.
Com base na nova regulamentação, motoristas que tiveram o vencimento do MOPP após 9 de dezembro de 2025 – data da publicação no Diário Oficial da União – não precisam renovar o curso.
A decisão representa um marco preocupante: motoristas podem permanecer por muitos anos sem atualização técnica obrigatória, mesmo atuando em operações de altíssimo risco.
Especialistas alertam sobre os riscos
Especialistas alertam que falhas técnicas, ausência de monitoramento e erros operacionais podem provocar acidentes de grandes proporções, colocando em risco vidas, o meio ambiente e o patrimônio.
Segundo a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), a prevenção precisa começar antes mesmo do início da viagem, com planejamento detalhado das rotas, avaliação das condições dos veículos e treinamento constante dos motoristas envolvidos nas operações.
Para Eduardo Leal, secretário executivo da entidade, a segurança operacional deve ser tratada como prioridade absoluta pelas empresas do setor. De acordo com ele, o transporte de cargas perigosas exige protocolos rígidos, equipamentos específicos e controle permanente das operações para reduzir riscos e evitar ocorrências graves nas estradas.
Entre os principais fatores considerados essenciais para a redução de acidentes estão a manutenção preventiva da frota, correta sinalização das cargas, gestão de risco, análise antecipada das rotas e monitoramento contínuo durante o trajeto.
A entidade também destaca que a conscientização dos profissionais envolvidos no transporte é fundamental para fortalecer a cultura de prevenção e ampliar o cumprimento das normas de segurança no setor logístico.
O tema ganha ainda mais relevância diante do aumento do fluxo de cargas nas rodovias brasileiras e da necessidade de operações cada vez mais seguras para evitar impactos ambientais e acidentes de grandes proporções.
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