OTIF é desafio declarado para mais de 30% dos líderes; indicador avança no transporte de cargas - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

OTIF é desafio declarado para mais de 30% dos líderes; indicador avança no transporte de cargas

Dados e cases operacionais mostram como indicador é usado para acompanhar desempenho, reduzir falhas e dar previsibilidade às entregas; tema será destaque no Transporte do Futuro

Em um cenário de pressão sobre custos e busca por maior produtividade, o On Time In Full (OTIF) tem ganhado espaço como um dos indicadores usados para acompanhar o desempenho operacional no transporte de cargas. A métrica combina dois critérios: entrega no prazo e entrega completa. Na prática, mede se a carga chegou dentro da janela acordada e sem faltas em relação ao pedido.

Um dos recortes mais recentes sobre o tema aparece na nova edição do “Panorama da Logística Brasileira”, resultado de uma pesquisa com líderes de Supply Chain de empresas como Cargill, Alpargatas, Magalu, Unilever e Klabin, conduzida durante o encontro Diálogos 2025, promovido pela nstech. o OTIF foi citado como desafio por mais de 30% dos respondentes.

Outro levantamento recente, publicado em fevereiro de 2026 pela Talking Logistics, mostrou que o OTIF foi citado por 54% dos respondentes como principal métrica de desempenho em Supply Chain.

O estudo foi realizado em setembro de 2025 com 26 executivos de Supply Chain e logística de empresas dos segmentos de manufatura, varejo e distribuição, integrantes da comunidade de pesquisa Indago. No mesmo levantamento, o OTIF aparece à frente de métricas como On-Time Delivery e Days of Inventory on Hand, ambas citadas por 46% dos respondentes.

CUSTO E NÍVEL DE SERVIÇO PRESSIONAM A OPERAÇÃO

O tema ganha relevância em um momento em que os custos logísticos no Brasil seguem em patamar elevado, eles representaram 15,6% do PIB em 2024 e 15,5% do PIB em 2025.

Levantamento divulgado pelo ILOS em janeiro de 2026 mostrou que 52% das empresas esperavam aumento nos preços de transporte em 2026. No mesmo material, o instituto destacou que, na comparação anual, o preço do transporte rodoviário de cargas caiu 1%, apesar da pressão sobre custos, também em 2026, mostra que 81% das empresas brasileiras de distribuição esperam elevar a produtividade, segundo um levantamento internacional repercutido pelo instituto.

Além da pressão por custo e produtividade, a discussão sobre OTIF também aparece em um contexto de maior exigência sobre o nível de serviço. Pesquisa da Amazon Brasil em parceria com a HarrisX, repercutida pelo Meio & Mensagem em fevereiro de 2026, mostrou que nove em cada dez consumidores brasileiros consideram a entrega rápida — no mesmo dia ou no dia seguinte — um fator fundamental na decisão de compra.

Ao mesmo tempo, recortes recentes indicam que prazo e custo continuam pesando na decisão. Em janeiro de 2026, reportagem da CNDL informou que 51% dos consumidores recusam pagar mais por entrega rápida. Já uma pesquisa da LWSA, repercutida pelo E-Commerce Brasil em outubro de 2025, mostrou que 53% dos consumidores aceitam esperar mais pela entrega gratuita na Black Friday, enquanto 48% afirmam desistir da compra diante de taxas elevadas de frete. No mesmo levantamento, 31% disseram valorizar a opção de retirada em loja física.

Outro recorte recente sobre a experiência de entrega foi publicado pela VEJA em abril de 2026. Segundo a reportagem, atrasos foram citados por 60% como problema recorrente na última milha, enquanto status falso de entrega apareceu em 40% dos casos mencionados.

INDICADOR COMBINA PRAZO E COMPLETUDE

Na prática, o indicador é calculado a partir de dois componentes: On Time e In Full. O primeiro verifica se a entrega foi realizada dentro do prazo ou da janela acordada. O segundo considera se o pedido foi entregue de forma completa, sem faltas em relação ao volume esperado.

Em operações de transporte de cargas, o indicador costuma ser acompanhado em rotinas com maior exigência de nível de serviço, como entregas com SLA, janelas de recebimento e operações com necessidade de maior previsibilidade.

Embora os parâmetros variem conforme o setor e o tipo de operação, benchmarks recentes de mercado apontam que operações mais maduras costumam trabalhar com metas acima de 90%, enquanto níveis superiores a 95% aparecem com frequência como referência de excelência.

Um material publicado pela Red Stag Fulfillment, em julho de 2025, informou que empresas de melhor desempenho operam, em geral, entre 95% e 98% de OTIF. A Leafio, em conteúdo publicado em agosto de 2024, afirmou que um OTIF acima de 95% é, em geral, considerado um bom resultado. Já a Kaizen, em material publicado em 2025, apontou que níveis acima de 95% costumam ser tratados como desempenho de excelência.

Outros recortes também mostram variações conforme a cadeia. A MetricHQ declarou, em material publicado em 2025, que em operações de bens de consumo de giro rápido (FMCG) grandes varejistas costumam trabalhar com metas entre 95% e 98%, enquanto, em operações industriais, faixas entre 88% e 92% podem ser consideradas aceitáveis, a depender da complexidade da operação. Já um guia de indicadores de Supply Chain publicado em 2025 pela CE Interim cita a faixa de 90% a 95% como referência de alto desempenho.

Na prática, o indicador é acompanhado a partir da combinação entre prazo e completude da entrega. Em conteúdos publicados por Bsoft, Buonny e Opentech, o OTIF é apresentado como uma métrica voltada a medir se o pedido foi entregue no prazo acordado e de forma completa.

As publicações também destacam que o cálculo pode ser feito pela relação entre o total de entregas OTIF e o total de entregas realizadas, multiplicado por 100. A Bsoft também apresenta uma forma de leitura separada entre os dois componentes, com a fórmula OTIF = (On Time x In Full) / 100.

COMO O OTIF É CALCULADO

Além da leitura conceitual e dos benchmarks de mercado, o indicador também pode ser acompanhado por fórmulas objetivas usadas em materiais técnicos e operacionais. Em conteúdos publicados por Bsoft, Buonny e Opentech, o OTIF é apresentado como uma métrica que combina duas variáveis: cumprimento do prazo de entrega e atendimento integral do pedido. De forma geral, o indicador considera como OTIF apenas as entregas realizadas dentro da janela acordada e sem faltas em relação ao volume previsto.

As publicações destacam que o cálculo pode ser feito a partir da relação entre o número de entregas que atenderam simultaneamente aos dois critérios e o total de entregas realizadas. Nesse caso, a fórmula é:

OTIF (%) = (Número de entregas realizadas no prazo e completas ÷ Total de entregas realizadas) × 100

A Bsoft também apresenta uma leitura separada entre os dois componentes. Nessa abordagem, primeiro são calculados os percentuais de On Time e In Full individualmente, e depois os dois resultados são combinados na fórmula:

OTIF (%) = (On Time (%) × In Full (%)) ÷ 100

Na prática, o On Time representa o percentual de entregas realizadas dentro do prazo acordado, enquanto o In Full corresponde ao percentual de pedidos entregues integralmente, sem faltas. Se uma operação registra, por exemplo, 95% de entregas no prazo e 98% de entregas completas, o OTIF resultante é de 93,1%.

CASES MOSTRAM GANHOS OPERACIONAIS

Na prática, a aplicação do indicador aparece em projetos que relacionam OTIF a custo, nível de serviço e eficiência operacional. Um exemplo prático foi apresentado pela Mondelez durante o nstech Experience Day.

Segundo reportagem, em um ano de operação da Torre de Controle operada pela nstech, a companhia registrou economia média mensal de R$ 100 mil em oferta de cargas e R$ 80 mil em estadias, totalizando R$ 180 mil por mês. No mesmo período, o On Time Schedule passou de 92% para 99%, os reagendamentos caíram de 5,6% para 4,1%, o OTIF avançou de 91% para 93% e o ciclo do pedido foi reduzido de 6,5 para 5,5 dias.

De acordo com a reportagem, o projeto foi conduzido ao longo de oito meses, com envolvimento de mais de 100 pessoas, 70 fluxos de processos e 300 ações mapeadas, com suporte da nstech. Atualmente, a torre está sediada em Joinville (SC), conta com 45 colaboradores, realiza mais de 300 agendamentos por dia e supera 1 mil interações diárias. A operação outbound envolve 18 transportadores, dos quais 17 já utilizam equipamentos sustentáveis, entre veículos elétricos, baús de embalagem reciclável, VUCs, TUCs e carretas.

Outro case divulgado pela nstech mostrou resultados da operação da Rio Quality. Em material publicado, a empresa informou que a Rio Quality realiza 85% das entregas em 24 horas, 50% em 12 horas e mantém OTIF de 95%.

COMO ESTAR ATUALIZADO?

Com a produtividade e a previsibilidade no centro das discussões do setor, o Transporte do Futuro, nos dias 17 e 18 de junho de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reúne mais de 2 mil líderes do setor donos de transportadoras, CEOs, gestores e diretores de grandes embarcadores em torno de conteúdo técnico aplicado, geração de negócios e relacionamento com quem está, de fato, remodelando o transporte rodoviário de cargas no Brasil.

Temas como gestão de motoristas, compliance trabalhista, planejamento financeiro, controle de custos operacionais e o uso de tecnologia na tomada de decisões integram a programação, estruturada em trilhas temáticas por segmento agro, varejo, indústria e e-commerce. Além dos palcos, o evento terá área de negócios, Matchmaking, mentorias e espaços exclusivos de relacionamento.

As inscrições estão abertas no site oficial do evento: transportedofuturo.com.br.

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