Falta de infraestrutura limita crescimento dos portos e chegada de navios - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

Falta de infraestrutura limita crescimento dos portos e chegada de navios

Brasil Export

Representantes de armadores e terminais privados apontam deficiências nos acessos como entraves à expansão do setor

A deficiência de infraestrutura portuária e dos acessos, principalmente terrestres e aquaviários, é um dos principais obstáculos para o crescimento da movimentação de cargas e a projeção para operação de navios de maior porte no Brasil. A avaliação é compartilhada por representantes de armadores e de terminais privados, que defendem investimentos em dragagem, ampliação de capacidade e modernização logística.

O tema foi debatido no último dia de programação do Fórum Brasil Export, nesta quinta-feira (8), em Brasília.

A projeção para operação de navios de maior porte foi levantado por Fabio Lavor, diretor-executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave). Segundo ele, dos 17 portos brasileiros que operam contêineres, apenas oito têm condições de receber navios de 366 metros de comprimento, mas nenhum consegue atendê-los com capacidade plena.

“Nós já estamos quatro gerações de navios atrasados. Isso nos impacta em torno de 14 a 15 anos de defasagem em termos de tecnologia de ponta. Então, nosso grande problema, nossa grande questão a ser debatida, o osso grande gargalo ainda é a infraestrutura”, afirmou.

Lavor citou a necessidade de aprofundamento dos canais de acesso e ampliação dos berços de atracação. Entre os exemplos estão Santos, com dificuldades para avançar na dragagem, e Itajaí, que enfrenta restrições operacionais.

“Estamos prontos para fazer os investimentos. Temos a frota sempre renovada, com navios contratados e em construção, prontos para operar. Mas precisamos da infraestrutura. Precisamos de novos terminais privados, precisamos de novas infraestruturas para fazer frente à essa situação, e a partir disso a gente pode pensar em trazer navios maiores”, ressaltou.

A diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Gabriela Costa, reforçou que os investimentos realizados dentro dos terminais precisam ser acompanhados de melhorias nos acessos rodoviários, ferroviários e aquaviários.

“Se eu tenho uma Ferrari e só posso andar com ela numa estrada esburacada, sem acostamento e engarrafada, não adianta eu ter essa Ferrari. Não vou conseguir me valer dela em seu pleno potencial. É isso que está acontecendo com os terminais privados.”, comparou.

Ao citar complexos de infraestrutura, como portos e terminais portuários como infraestrutura crítica, a executiva da ATP destacou que é necessário um olhar estratégico para atender a demanda e os impactos financeiros positivos que elas trazem.

“Esse não é um problema do governo. É um problema do País, porque o País não pensa suas infraestruturas de forma estratégica. Existe um movimento, sim, bem significativo de tentar fazer com que as coisas deem certo, mas o problema não é pontual somente do governo”, afirmou.

O CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten, também defendeu soluções conjuntas entre iniciativa privada e poder público. Como exemplo, o executivo apresentou a dragagem da Baía da Babitonga, em Santa Catarina, viabilizada por um modelo de antecipação de receitas envolvendo o Porto Itapoá e o Porto de São Francisco do Sul.

“Não tem terminal no Brasil que possa operar navios de 366 metros na sua capacidade total. Mas até o primeiro trimestre do ano que vem, nós vamos ter autorização da dragagem que foi realizada para esses navios possam operar na sua capacidade total”, revelou.

O executivo ressaltou, entretanto, que o aumento da capacidade marítima precisa ser acompanhado por investimentos terrestres, especialmente na duplicação das rodovias SC-416 e SC-417, que conectam a região à BR-101.

“Tem que ser uma parceria. É preciso conversar com os governantes e mostrar a importância da infraestrutura, porque seu desenvolvimento traz riqueza, gera valor, emprego e renda”, concluiu.

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