O mais recente Café com a FRENLOGI reuniu governo federal, parlamentares e lideranças do setor produtivo para debater os rumos da política ferroviária nacional. O encontro contou com apoio do Instituto Brasil Logística e teve como destaque a participação do secretário nacional de ferrovias do Ministério dos Transportes, Leonardo Ribeiro.
Durante o evento, o secretário ressaltou a importância da articulação institucional entre governo, agências reguladoras e setor privado para viabilizar a expansão da malha ferroviária. “Isso representa articulação, coordenação institucional”, afirmou, ao destacar a presença integrada de órgãos como o Ministério dos Transportes, ANTT, DNIT e entidades do setor, como a ANTF — entidade filiada ao Instituto Brasil Logística.
Além das apresentações, o Ministério dos Transportes encaminhou aos participantes o “Road Show Brasil Ferrovias – Carteira de Projetos de Concessões Ferroviárias e Ferrovias Inteligentes – 1ª edição de 2026”, que detalha os ativos prioritários e diretrizes estratégicas para a expansão e modernização do setor.
Novo modelo aposta em três pilares
Leonardo Ribeiro apresentou a nova estratégia do governo federal para o desenvolvimento do setor ferroviário, estruturada em três pilares: aporte público, financiamento facilitado e garantias ao investidor.
Segundo ele, o modelo rompe com a lógica anterior de obras públicas isoladas, passando a prever participação direta do Estado nos investimentos. “Não existe país no mundo em que o governo não aporta recursos para desenvolver a malha ferroviária. Isso acontece porque é um investimento que retorna para a sociedade”,
destacou.
O financiamento contará com instrumentos como o Fundo Clima, que passou a contemplar o setor ferroviário após articulação da FRENLOGI, além do apoio do BNDES, com condições de longo prazo e juros subsidiados. Já no campo das garantias, o Fundo de Garantia de Infraestrutura Sustentável (FGIES) será utilizado para dar maior segurança jurídica aos projetos.
Carteira de R$ 140 bilhões e impacto de R$ 600 bilhões
De acordo com o secretário, a carteira atual de projetos ferroviários soma cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos, com potencial de movimentar até R$ 600 bilhões na economia, considerando toda a cadeia produtiva.
Entre os principais ativos em andamento, destacam-se as renovações contratuais da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), com previsão de aproximadamente R$ 30 bilhões em investimentos, além da Ferrovia Tereza Cristina (FTC) e da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL).
No campo das novas concessões, o governo trabalha em projetos estruturantes como o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), que conectará os portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo à malha nacional, e a Malha Oeste, que contará com um modelo inovador de concessão com aporte público.
Reativação de trechos e inovação regulatória
Um dos pontos de destaque foi a estratégia para reativação de trechos ferroviários ociosos, estimados em cerca de 10 mil quilômetros no país. O governo pretende utilizar o instrumento de chamamento público, previsto no novo marco legal das ferrovias (Lei 14.273/2021), para viabilizar a retomada dessas estruturas.
O projeto-piloto será o Corredor Minas-Rio, ligando Arcos (MG) a Barra Mansa (RJ) e ao Porto de Angra, com foco no escoamento da produção regional.
“O chamamento público permite que o governo ofereça ao setor privado uma infraestrutura já existente, com um procedimento simplificado. Nossa estratégia será transferir recursos para a requalificação da malha”, explicou o secretário.
Meta é dobrar participação das ferrovias
A política ferroviária em curso tem como meta ampliar a participação do modal na matriz de transportes brasileira, passando dos atuais 20% para 40%. O objetivo é reduzir o custo logístico nacional, que hoje representa cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB).
O secretário também ressaltou a importância de projetos estratégicos, como a Ferrogrão, considerada essencial para enfrentar gargalos logísticos no escoamento da produção do Centro-Oeste. “Não fazer a Ferrogrão é um grande problema”, afirmou.
Integração e desenvolvimento regional
Durante o debate, o deputado Pedro Uczai, presidente da Câmara Temática de Ferrovias da FRENLOGI e líder do PT na Câmara, defendeu que a expansão da malha ferroviária deve estar alinhada ao desenvolvimento industrial do país.
Segundo ele, o traçado das ferrovias precisa ir além dos corredores de exportação e contribuir para agregar valor à produção nacional, promovendo a industrialização no interior do Brasil.
O encontro reforçou o papel da FRENLOGI como espaço de diálogo entre os diferentes atores do setor e evidenciou o avanço de uma agenda coordenada para modernização, integração e expansão da infraestrutura ferroviária brasileira.
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