ANATC apoia renovação de frota, mas alerta para juros altos praticados no Brasil - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

ANATC apoia renovação de frota, mas alerta para juros altos praticados no Brasil

O Move Brasil, programa de renovação da frota de caminhões e ônibus, lançado em 30 de abril de 2026 pelo governo federal, prevê R$ 21,2 bilhões em crédito para estimular a compra de veículos novos e retirar modelos antigos de circulação.

O presidente Lula destacou, no anúncio, que a iniciativa busca fortalecer a indústria automotiva, reduzir custos logísticos e aumentar a segurança nas estradas, com condições especiais para transportadores autônomos e pequenas empresas, justamente os segmentos que concentram a frota mais envelhecida.

“O programa é extremamente válido. A renovação de frota de caminhões é necessária. Nos preocupamos, no entanto, com a taxa de juros elevada que cria dificuldades para as transportadoras pagar um ativo durante muitos anos”, alerta Carley Welter, diretor de Relações Institucionais da ANATC.

A proposta inclui linhas de financiamento operadas por bancos públicos, incentivos para substituição de veículos com mais de duas décadas de uso e estímulos diretos à produção nacional.

A Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas (ANATC) avalia que a renovação da frota é urgente, já que caminhões antigos elevam o consumo de combustível, aumentam o risco de falhas mecânicas e encarecem a operação. Veículos novos, por outro lado, reduzem gastos com manutenção, melhoram a eficiência e ampliam a segurança no transporte rodoviário.

Apesar de reconhecer o potencial do programa, a entidade faz um alerta: os juros elevados podem limitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenos operadores que já enfrentam margens apertadas e custos altos, como o do diesel.

Para a ANATC, o impacto positivo da medida depende de condições financeiras realmente acessíveis e de um processo menos burocrático, evitando que justamente os transportadores mais vulneráveis fiquem de fora.

Se bem executado, o programa pode reduzir o custo do frete, impulsionar a indústria e melhorar a logística nacional. No entanto, segundo a associação, esses resultados só serão alcançados com financiamento mais barato e regras simples, capazes de transformar o crédito anunciado em renovação efetiva da frota.

Dados mais recentes da Senatran indicam que o Brasil possui cerca de 3,6 milhões de caminhões registrados até dezembro de 2025, número confirmado pelas estatísticas do Renavam atualizadas em março de 2026. A frota brasileira permanece envelhecida, com grande concentração de veículos antigos entre transportadores autônomos.

Estudos da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que muitos caminhões continuam em operação por mais de duas décadas, refletindo a baixa taxa de renovação e a dependência do país por veículos pesados que percorrem longas distâncias ao longo da vida útil. Esse cenário reforça a importância de programas de crédito e incentivos à modernização da frota, já que a idade avançada dos veículos impacta diretamente custos operacionais, consumo de combustível e segurança nas estradas.

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