Entidade do transporte reforça que infraestrutura eficiente é condição estratégica para a competitividade do setor e desenvolvimento do Oeste do Paraná
A disparada nos preços de insumos básicos para obras de infraestrutura, como o Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP), diesel, aço e cimento, acendeu um alerta no setor de transporte. Esses materiais, que representam grande parte dos custos de contratos, vêm registrando reajustes expressivos e já colocam em risco cronogramas e investimentos voltados à modernização da malha viária brasileira.
Esse aumento dos custos, influenciado principalmente pela alta do petróleo e de matérias-primas estratégicas, cria um cenário de instabilidade para projetos de infraestrutura, especialmente no segmento rodoviário. Em algumas modalidades, o insumo asfáltico já registrou reajustes superiores a 20%, enquanto materiais como asfalto, cimento, aço e diesel podem responder por mais de 70% do valor total dos contratos, pressionando cronogramas, orçamentos e a continuidade das intervenções.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (SINTROPAR), Edson Roberto Pilati, o tema exige atenção, uma vez que a infraestrutura é fator determinante para a operação eficiente das empresas transportadoras. “A infraestrutura rodoviária é um dos pilares do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. Quando as obras sofrem impacto pelo aumento no preço de insumos, toda a cadeia logística acaba sentindo os reflexos. O transporte depende diretamente de rodovias em boas condições para garantir eficiência operacional, segurança e previsibilidade nas entregas”, destaca.
O cenário preocupa, visto que a instabilidade nos custos pode pressionar contratos, investimentos e cronogramas de obras. Em muitos casos, a ausência de mecanismos de recomposição pode provocar atrasos e paralisações, ampliando gargalos já existentes na infraestrutura nacional. O aumento nos custos de materiais como combustível, aço e cimento cria desafios tanto para a continuidade das obras quanto para a modernização da infraestrutura necessária ao setor. Quando projetos sofrem atrasos ou redução no ritmo de execução, os impactos aparecem diretamente na logística e no transporte.
No Oeste do Paraná, o tema é ainda mais relevante. A região representa uma parcela relevante do agroindustrial, com grande movimentação de cargas e dependência do transporte rodoviário para o escoamento da produção, integração com centros consumidores e conexão com corredores logísticos estratégicos. “Nossa localidade é muito dependente do transporte rodoviário para escoamento da produção agroindustrial e conexão com outros mercados, inclusive internacionais. Por isso, qualquer impacto na infraestrutura afeta diretamente a competitividade regional”, ressalta o presidente.
Além dos atrasos em obras, rodovias em condições inadequadas também geram efeitos práticos para as empresas, como aumento no consumo de combustível, maior desgaste da frota, elevação dos custos de manutenção, redução da produtividade e mais riscos à segurança viária. Infraestrutura e competitividade estão diretamente ligadas. Uma rodovia bem conservada reduz custos, melhora a segurança, dá previsibilidade às operações e fortalece toda a cadeia produtiva.
Para o executivo, o setor transportador não pode ser visto apenas como usuário da infraestrutura, mas como parte essencial da economia que depende de condições adequadas para continuar cumprindo seu papel. “O transporte rodoviário de cargas é responsável por conectar produção, indústria, comércio e consumo. Cada atraso em uma obra, cada trecho sem manutenção e cada gargalo logístico geram reflexos que vão além das transportadoras. Esses impactos chegam ao custo final dos produtos e à competitividade das empresas brasileiras”, acrescenta.
A expectativa sobre o reequilíbrio de contratos e continuidade das obras é que seja tratado com responsabilidade, previsibilidade e visão estratégica. O setor de transporte avalia que a infraestrutura rodoviária precisa acompanhar o crescimento produtivo das regiões e a demanda crescente por eficiência logística.
“O setor acompanha esse cenário com atenção porque a infraestrutura não representa apenas mobilidade, mas uma condição estratégica para o desenvolvimento econômico. O transporte rodoviário precisa de planejamento de longo prazo e investimentos contínuos para acompanhar o crescimento produtivo e logístico das regiões”, finaliza Edson Roberto Pilati.
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