ANATC alerta: fiscalização reforçada do piso mínimo de frete pode gerar efeitos adversos ao transporte rodoviário de carga

ANATC alerta: fiscalização reforçada do piso mínimo de frete pode gerar efeitos adversos ao transporte rodoviário de carga

A recente decisão da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) de ampliar os mecanismos de fiscalização do piso mínimo de frete reacendeu o debate entre transportadoras e entidades do setor.

“A interferência estatal no livre mercado vai provocar um desequilíbrio. Quando preços irreais de frete é imposto, por mais que pareça positivo, pode levar contratantes a comprar caminhões ou escolher determinadas empresas para executar os serviços. Como o valor do frete é por eixo, veículos com menos eixos serão preteridos, encarecendo o preço por tonelada da carga”, ressalta Carley Welter, diretor de Relações Institucionais da ANATC.

A medida prevê novas validações no MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais) e tem como objetivo aumentar a transparência nas operações e coibir práticas consideradas predatórias.

No entanto, a ANATC (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) demonstra preocupação. A entidade alerta para possíveis impactos negativos sobre a sustentabilidade e a competitividade do transporte rodoviário de cargas, responsável por por 80% das movimentações do agronegócio e 60% das movimentações do país.

Divulgada em julho do ano passado, a iniciativa da ANTT altera o layout do MDF-e por meio da Nota Técnica 2025.001.

O documento estabelece novas exigências para as transportadoras, como o preenchimento obrigatório do valor do frete e dos dados bancários do transportador. Também passa a ser obrigatória a inclusão do código fiscal da mercadoria predominante (NCM).

Além disso, haverá cruzamento automático dessas informações com a base de pisos mínimos definida pela própria agência.

O objetivo é identificar operações contratadas abaixo do valor regulamentado.

De acordo com a ANTT, as mudanças vão permitir maior precisão no controle eletrônico. A expectativa é reduzir irregularidades que afetam motoristas autônomos. A norma entrou em vigor em 6 de outubro passado

Para a ANATC, contudo, a iniciativa pode gerar efeitos colaterais importantes.

A entidade, que representa empresas e operadores do transporte rodoviário de carga em todo o país, afirma que a nova regulamentação poderá reduzir, drasticamente, a oferta de cargas, dificultando ainda mais para as empresas do setor, atingindo diretamente caminhoneiros autônomos e pequenas empresas.

Pequenas e médias transportadoras, sem estrutura tecnológica adequada, podem ter dificuldades para adaptar seus sistemas.

Entre as principais preocupações da ANATC está a viabilidade econômica de determinados trajetos.

Em rotas de longa distância ou de baixa demanda, o piso mínimo pode se tornar uma barreira para a operação. Isso é especialmente preocupante diante da alta dos custos de combustível, pedágios e manutenção.

Nessas situações, transportadoras poderiam ser forçadas a abandonar determinadas rotas, o que impactaria o abastecimento e a logística de regiões menos atendidas.

A associação também chama atenção para o aumento da burocracia. As novas exigências de detalhamento fiscal e contratual podem tornar o processo mais lento e complexo. Isso reduz a agilidade nas entregas e amplia a carga administrativa das empresas.

O excesso de formalização, avalia a entidade, pode gerar o efeito oposto ao desejado: diminuir a eficiência logística e a competitividade do setor.

Outro ponto de preocupação é o possível desestímulo a novos entrantes no mercado. Startups e pequenas transportadoras que apostam em tecnologia e inovação podem ser as mais afetadas.

A política do piso mínimo de frete, criada após a greve dos caminhoneiros de 2018, busca evitar contratações abaixo do custo operacional.

Essa prática poderia levar à precarização do trabalho e à inviabilidade econômica de pequenos transportadores.

A ANTT defende que a atualização tecnológica dos sistemas é essencial para garantir equidade e segurança jurídica nas relações comerciais do setor.

A ANATC, entretanto, defende que a implementação das novas regras ocorra de forma gradual e com diálogo permanente com o setor produtivo.

A intensificação da fiscalização do piso mínimo de frete representa, para muitos analistas, um avanço na modernização regulatória do transporte rodoviário de cargas no Brasil.

Mas a ANATC alerta: sem calibragem adequada, o excesso de rigor pode comprometer a eficiência, a diversidade e a sustentabilidade de um setor responsável por mais de 60% da movimentação de mercadorias no país.

O desafio, agora, será equilibrar o combate às distorções de mercado com a preservação de um ambiente competitivo e operacionalmente viável para empresas de todos os portes.

Dúvidas sobre a tabela de frete?

Disponibilizamos um FAQ exclusivo sobre o assunto. Ele foi cuidadosamente redigido pela assessoria jurídica da ANATC e para acessar basta clicar no link abaixo.

F.A.Q. TABELA DE FRETE ANTT

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