Discussão sobre a prorrogação da nova norma de emissões na União Europeia ocorre em meio a preocupações com custos, competitividade industrial e renovação de frota
O possível adiamento do Euro 7, nova regulamentação ambiental europeia para veículos pesados que endurece os critérios de controle de emissões e amplia o monitoramento para componentes como freios e pneus, já acende o alerta de fabricantes e fornecedores instalados no Brasil. Embora o mercado brasileiro ainda discuta a evolução do equivalente nacional ao Euro 6, uma revisão do cronograma europeu pode influenciar o calendário regulatório local e afetar decisões de investimento em toda a cadeia automotiva.
Segundo André Garcia, gerente executivo de estratégia e gestão de produto da unidade de motores da Cummins, o Parlamento Europeu avalia postergar entre 18 e 36 meses a entrada em vigor do Euro 7, originalmente prevista para meados de 2029. A discussão ocorre em um momento de pressão sobre a competitividade da indústria automotiva europeia, que enfrenta simultaneamente custos crescentes, inflação persistente, necessidade de investimentos em eletrificação e concorrência cada vez mais intensa de fabricantes asiáticos.
Para o executivo, embora o Brasil mantenha seu próprio calendário regulatório, as decisões tomadas na Europa historicamente servem como referência para a evolução das normas de emissões no país. “Se houver uma postergação na Europa, é natural que essa discussão também reverbere no Brasil. O que acontece lá acaba influenciando a velocidade dos debates regulatórios por aqui”.
A influência não é apenas tecnológica. Ela também afeta o planejamento de investimentos das montadoras, fabricantes de motores, fornecedores de sistemas de pós-tratamento e toda a cadeia de autopeças, que trabalha com ciclos de desenvolvimento de longo prazo.
Tags: Transporte Moderno

