Vendas da MAT para o segmento cresceram 273% em 2025; fabricante projeta alcançar 2,1 mil unidades em 2026
As vendas de cilindros para veículos a gás mostram uma mudança no perfil da demanda atendida no Brasil pela MAT Equipamentos para Gases, fabricante de reservatórios para GNV. Enquanto o volume destinado aos leves recuou aproximadamente 86% na comparação entre as médias anuais de 2020–2022 e 2023–2025, as vendas para pesados cresceram 273% de 2024 para 2025. Para as frotas, a conta passa pela economia por quilômetro e pela disponibilidade de abastecimento nas rotas.
No segmento pesado, a fabricante comercializou 492 cilindros em 2024 e 1.835 em 2025. Para 2026, projeta alcançar 2.100 unidades, avanço de aproximadamente 14,4% sobre o ano anterior. Os dados correspondem às vendas da companhia, sem representar o total do mercado brasileiro ou a quantidade de veículos vendidos ou convertidos.
“O mercado de GNV não está simplesmente desaparecendo. Ele está mudando de perfil”, afirma Luis Fernando Assaf, presidente da MAT.
Na avaliação do executivo, a utilização intensiva de caminhões e ônibus amplia a importância da economia por quilômetro na decisão de investimento. A busca por menor exposição às oscilações do diesel e o interesse pelo biometano também contribuem para a demanda.
Cilindros não equivalem a veículos
O número de cilindros exige cuidado na interpretação porque um único caminhão pode utilizar vários reservatórios. A configuração depende do projeto do veículo e da autonomia pretendida.
Um exemplo é o Scania X-gas, apresentado em 2023 na configuração G 410 8×2. O modelo recebeu 16 cilindros, com capacidade total de armazenamento de 406 metros cúbicos de gás e autonomia anunciada de cerca de 900 quilômetros.
Na mesma apresentação, a fabricante informou que suas configurações com oito cilindros ofereciam autonomia entre 400 e 500 quilômetros. São características daquele projeto, que ajudam a explicar por que o volume de reservatórios não pode ser convertido diretamente em número de caminhões.
“Já nas operações de alta quilometragem, especialmente no transporte pesado, a economia por quilômetro continua sendo uma variável relevante para a decisão de investimento”, diz Assaf.
A vantagem econômica, porém, precisa ser avaliada para cada operação. Em estudo sobre motorizações alternativas para caminhões e ônibus, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que, dependendo da diferença de custo operacional, o menor preço do gás pode compensar o investimento adicional na aquisição dos veículos e na infraestrutura de abastecimento.
Biometano amplia possibilidades
A discussão sobre a motorização a gás também envolve a origem do combustível. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o biometano resulta da purificação do biogás e apresenta características que permitem substituir o gás natural em suas aplicações, desde que atendidas as especificações de qualidade. Sua produção pode aproveitar resíduos orgânicos, inclusive de atividades agropecuárias, aterros e tratamento de esgoto.
Há veículos desenvolvidos de fábrica para utilizar gás natural, biometano ou uma mistura dos dois. É o caso dos caminhões descritos pela Scania na apresentação do X-gas, com motores dedicados a esses combustíveis.
Para Assaf, o interesse das frotas combina fatores econômicos e ambientais. “Esse movimento também é impulsionado pela necessidade de reduzir emissões, o que amplia o interesse por combustíveis de menor intensidade de carbono”, afirma.
O abastecimento é outro componente dessa equação. A EPE estuda o transporte de gás natural comprimido por caminhões como alternativa aos gasodutos para ampliar a oferta de gás natural e biometano. O trabalho considera os custos, a logística e as emissões associados ao deslocamento do combustível das unidades produtoras até os pontos de consumo.
Para o transportador, portanto, a análise envolve tanto o desempenho do veículo quanto as condições de fornecimento nas rotas. Os dados da MAT mostram crescimento das vendas de cilindros para pesados, mas a viabilidade de ampliar essa utilização depende da combinação entre investimento, custo operacional e acesso ao combustível.
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