Além do Irã, presidente americano volta a fazer ameaças contra a Groenlândia
Os preços do petróleo sobem nesta quinta-feira, 9, após o cessar-fogo entre EUA e Irã fracassar. Os países acordaram um cessar fogo com uma possível reabertura do Estreito de Ormuz na terça-feira. Ontem, no entanto, o Estreito foi fechado novamente após o Irã alegar que o Líbano também faz parte do cessar-fogo, algo que Estados Unidos e Israel discordam.
Por volta das 7h40, o petróleo WIT, negociado no mercado americano, subia 4,9%, a 99,07 dólares por barril. Já o petróleo brent, utilizado pela Petrobras para a paridade dos combustíveis, subia 3,6%, a 98,20 dólares.
Em meio ao novo impasse, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na madrugada desta quinta-feira, 9 (horário de Brasília), que as tropas do país seguirão no Oriente Médio até que o ‘verdadeiro acordo’ seja ‘totalmente cumprido’. O republicano ameaçou o Irã com ataque ‘maior, melhor e mais forte’, caso a isso não aconteça, o que, segundo ele, é ‘altamente improvável’.
“Todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munição, armamento e tudo o mais que for apropriado e necessário para a perseguição e destruição letal de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão posicionados no Irã e em seus arredores até que o verdadeiro acordo alcançado seja totalmente cumprido”, escreveu na Truth Social.
“Se, por qualquer motivo, isso não acontecer, o que é altamente improvável, então o “tiroteio começará”, maior, melhor e mais forte do que qualquer um jamais viu”, acrescentou Trump, dizendo ainda que o Estreito de Ormuz seguirá aberto e seguro, apesar de o Irã ter fechado a rota marítima nesta quarta após acusar EUA e Israel de violarem o cessar-fogo, principalmente por causa dos ataques mortais israelenses no Líbano.
“Foi acordado há muito tempo, e apesar de toda a retórica falsa em contrário, nenhuma arma nuclear e o Estreito de Ormuz permanecerá aberto e seguro. Enquanto isso, nossas grandes Forças Armadas estão se reabastecendo e descansando, ansiosas, na verdade, por sua próxima conquista.”
Críticas à Otan
Trump reiterou, também em publicações na Truth Social, suas duras críticas à Otan e mencionou novamente o seu mal-estar pela Groenlândia, a gigante ilha do Ártico da qual pretendia se apropriar, depois de uma reunião a portas fechadas com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, nesta quarta-feira 8.
A indignação de Trump em relação aos aliados da Otan por não terem entrado em sua guerra contra o Irã gerou temores de que ele tente retirar os Estados Unidos da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que tem quase oito décadas de existência.
“A Otan não estava lá quando precisamos dela, e não vai estar se precisarmos dela de novo”, publicou. “Lembrem-se da Groenlândia, esse grande e mal administrado pedaço de gelo”, acrescentou, sem dar mais explicações.
Antes de Trump iniciar sua guerra com o Irã, sua ameaça de se apropriar da Groenlândia — a maior ilha do mundo, situada no Ártico, e território da Dinamarca — foi um tema-chave na aliança. Rutte, ex-primeiro-ministro holandês apelidado como o “sussurrador de Trump”, entrou nesta quarta na Ala Oeste da Casa Branca através de uma porta lateral. Foi igualmente discreto ao deixar o local duas horas e meia mais tarde.
“Foi uma discussão muito franca e aberta”, disse depois o chefe da aliança à CNN em uma entrevista televisionada. Rutte não respondeu de forma direta às perguntas sobre se Trump disse que deixará a aliança.
“É bastante triste que a Otan tenha dado as costas ao povo americano nas últimas seis semanas, quando é precisamente esse povo que financia a sua defesa”, declarou a secretária de Imprensa Karoline Leavitt, antes da reunião na Casa Branca.
Ao ser consultada sobre se Trump trataria da possibilidade de uma saída da Otan, respondeu: “É algo que o presidente mencionou, e acho que é algo sobre o qual o presidente tratará em poucas horas com o secretário-geral Rutte.” Enquanto isso, o Wall Street Journal indicou que Trump buscaria punir alguns dos membros da Otan que ele acredita que não ajudaram durante o conflito.
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