O presidente do Conselho Gestor do Instituto Brasil Logística (IBL) e diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Silva, assumiu, nesta quinta-feira (13), a presidência do Conselho do Sudeste Export, durante a abertura do evento em Vitória (ES), do Grupo Brasil Export.
Jesualdo também participou do painel “Eficiência logística e investimentos em infraestrutura de transportes”, no qual destacou a necessidade de uma visão integrada da infraestrutura brasileira, com planejamento de longo prazo, investimentos e maior aproximação entre os setores público e privado.
Para o presidente, as dificuldades de acesso aos portos são recorrentes em todo o país e precisam ser enfrentadas considerando toda a cadeia logística, desde a origem até o destino da carga.
“Essa visão integrada da logística é necessária porque a carga precisa sair do ponto A para ir para o ponto B.”
Jesualdo citou o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, lançado na quarta-feira (12), em Brasília, que prevê investimentos de cerca de R$ 1,3 trilhão, sendo aproximadamente 60% de origem privada. Segundo ele, o setor privado precisa participar ativamente do planejamento por conhecer as necessidades reais da movimentação de cargas.
O executivo também destacou a importância de segurança jurídica para estimular novos investimentos no setor portuário. Ao abordar o PL 733/2025, que trata do novo marco legal dos portos, comentou como uma medida essencial para a captação de recursos e a correção de assimetrias no setor portuário.
Entre os pontos discutidos está a possibilidade de aplicação, em contratos anteriores, do prazo de até 70 anos previsto para contratos celebrados a partir de 2017, desde que atendidos requisitos de interesse público e necessidade de investimentos para garantir o escoamento de cargas.
Eficiência para reduzir o Custo Brasil
Jesualdo ressaltou que o crescimento do setor portuário — de cerca de 3,2% ao ano na última década, acima do PIB brasileiro — precisa ser acompanhado por ganhos de eficiência em toda a cadeia.
“O porto, na realidade, vem se adaptando à necessidade do negócio. A pergunta é: a que custo isso?”
Para ele, gargalos de infraestrutura e entraves burocráticos e regulatórios elevam os custos do transporte e acabam sendo pagos pela carga.
“Tudo isso, gente, é Custo Brasil, porque o caminhão, o porto, o navio, tudo isso quem paga é a carga.”
O executivo alertou que a perda de eficiência logística pode comprometer a competitividade de produtos brasileiros no mercado internacional e afetar o crescimento econômico do país. A redução de barreiras burocráticas e regulatórias, portanto, é apontada como parte essencial da agenda de investimentos.
“Uma das coisas que a gente quer quebrar é justamente essa barreira burocrática, porque nós temos muito problema de acesso de estrutura.”
Investimento, sustentabilidade e planejamento
Jesualdo também defendeu que desenvolvimento e sustentabilidade devem caminhar juntos. “Todo investimento precisa ser sustentável, mas é investimento sustentável, e precisa haver investimento.”
Como exemplo, citou a necessidade de intervenções para garantir a navegabilidade de rios estratégicos para o transporte de cargas, como o Tapajós.
Na avaliação do presidente do Conselho Gestor do IBL, o Brasil reúne condições favoráveis para atrair investimentos, diante de sua posição geopolítica, da ausência de guerras e do grande volume de cargas. O desafio, segundo ele, é oferecer um ambiente regulatório mais previsível e favorável à entrada de capital.
Para Jesualdo, investimentos em infraestrutura exigem planejamento, continuidade e articulação entre os diferentes segmentos. “Investimento em infraestrutura não é coisa barata, não é coisa rápida, precisa de um planejamento de longo prazo, mas é extremamente necessário. É questão de soberania nacional.”
O painel contou ainda com a participação do diretor-presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa; do gerente de Dutos e Terminais da Transpetro no Espírito Santo, Bernardo Lopes Valentim; do CEO da VLI, Fabio Marchiori; entre outros representantes do setor de infraestrutura.
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