Estruturação de concessões busca ampliar a segurança para investidores, viabilizar financiamentos de longo prazo e garantir melhores serviços à população
A capacidade de atrair financiamento de longo prazo tem se consolidado como um dos principais fatores para o sucesso das concessões rodoviárias brasileiras. Contratos com adequada distribuição de riscos, maior previsibilidade regulatória e mecanismos que garantam sustentabilidade econômico-financeira ao longo de toda a concessão são fundamentais para viabilizar investimentos, ampliar a participação do mercado e assegurar a entrega dos serviços previstos à sociedade.
Nesse contexto, a Infra S.A. tem atuado, em parceria com o Ministério dos Transportes, na estruturação de projetos capazes de combinar segurança para investidores, financiadores e operadores com mais resultados para os usuários das rodovias. A adoção de instrumentos como compartilhamento de riscos, bandas de desempenho e novas tecnologias operacionais tem contribuído para tornar os contratos mais resilientes, atrativos e aderentes às necessidades do mercado.
Esses temas estiveram em debate durante o painel “Soluções Financeiras para Concessões”, realizado na Bienal das Rodovias 2026, em Brasília (DF). Representando a Infra S.A., o diretor de Planejamento, Cristiano Della Giustina, destacou que a viabilidade de um projeto de concessão vai além dos aspectos técnicos e depende de uma modelagem econômico-financeira sólida, com adequada distribuição de responsabilidades entre os diferentes agentes envolvidos.
“Quando os financiadores analisam um projeto, eles avaliam a matriz de riscos, os incentivos previstos e a forma como as responsabilidades estão distribuídas. O objetivo é estruturar contratos sustentáveis, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também econômico-financeiro”, afirmou.
A Infra S.A., em parceria com o Ministério dos Transportes, também tem promovido roadshows no Brasil e no exterior para apresentar ao mercado os projetos em estruturação. Os novos contratos contam com mecanismos como compartilhamento de riscos, bandas de desempenho e tecnologias como o sistema de pedágio eletrônico free flow, ampliando a previsibilidade e a segurança para investidores e financiadores.
Para Della Giustina, a sustentabilidade econômico-financeira dos contratos é condição indispensável para garantir a realização dos investimentos previstos e a prestação adequada dos serviços ao longo da concessão.
“Se não houver recursos para financiar os investimentos, o contrato não avança, e os serviços deixam de ser entregues. No fim, quem mais perde é a sociedade”, ressaltou.
Segurança jurídica e previsibilidade fortalecem os projetos
Outro aspecto destacado foi a importância do alinhamento entre os diversos órgãos envolvidos na estruturação das concessões, como ministérios, agências reguladoras, órgãos ambientais e instituições de controle.
Segundo o diretor, a convergência entre esses atores fortalece a segurança jurídica dos projetos, reduz incertezas e amplia a confiança de investidores e financiadores, contribuindo para um ambiente regulatório mais estável e previsível.
Cristiano Della Giustina também destacou o uso de ferramentas e metodologias que ampliam a precisão dos estudos de viabilidade e reduzem riscos ao longo da execução dos contratos. Entre elas, estão o Building Information Modeling (BIM), o sistema Highway Development and Management (HDM-4) e modelos avançados de projeção de tráfego.
“Nosso desafio é estruturar contratos tecnicamente sólidos, financeiramente sustentáveis e capazes de se adaptar às mudanças ao longo da concessão. É isso que gera previsibilidade para o mercado e mais resultados para a sociedade”, concluiu.
Ao reunir representantes dos setores público, financeiro, segurador e de concessões, o debate reforçou a importância de modelos contratuais cada vez mais equilibrados e financiáveis para ampliar investimentos em infraestrutura, fortalecer a confiança do mercado e garantir a entrega de serviços de qualidade aos usuários das rodovias brasileiras.
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