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Etanol ganha espaço na transição energética dos transportes

Debate no Recife destacou o uso de combustíveis de baixo carbono na aviação e na navegação, além do papel das hidrovias na redução das emissões do setor

O uso do etanol e de outros combustíveis de baixo carbono na transição energética dos transportes foi discutido nesta segunda-feira, dia 24, durante a quarta edição do evento Folha Energia, realizado no Recife (PE). O tema do encontro, Matriz de Oportunidades, foi abordado pela ministra substituta de Portos e Aeroportos, Thairyne Oliveira, que participou da abertura.

Segundo Thairyne, a integração entre diferentes modos de transporte faz parte das diretrizes consideradas pelo governo para aumentar a eficiência da infraestrutura e reduzir emissões. A estratégia está inserida no Plano Nacional de Logística 2050, elaborado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em conjunto com o Ministério dos Transportes, a Casa Civil e o Ministério do Planejamento e Orçamento.

Entre as frentes citadas pela ministra estão o estímulo ao uso de combustível sustentável de aviação (SAF), iniciativas de sustentabilidade nos portos e a ampliação da participação das hidrovias na matriz de transportes.

“Também estamos elaborando políticas públicas que estimulam o uso do SAF na aviação, uma agenda sustentável nos portos e o avanço das hidrovias, um modo de transporte com um dos menores impactos na emissão de gases de efeito estufa”, afirmou.

A discussão ocorre em um momento em que o setor de transportes busca alternativas para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis. O Brasil parte de uma posição relevante nesse processo por contar com produção de biocombustíveis em escala e uma matriz energética com participação elevada de fontes renováveis.

Um dos movimentos recentes ocorreu em julho, quando o Porto de Santos recebeu a primeira operação no Brasil de abastecimento de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol. A operação abriu uma nova frente de uso do combustível brasileiro, tradicionalmente associado ao transporte terrestre, também na navegação internacional.

Para Thairyne, a expansão desse mercado dependerá da criação de condições que permitam levar experiências ainda pontuais a uma escala comercial maior.

“O desafio é criar condições para que iniciativas pioneiras possam ganhar escala, com infraestrutura de abastecimento, segurança, certificação e previsibilidade regulatória”, disse.

Além da infraestrutura para fornecimento do combustível, a adoção do etanol na navegação envolve questões relacionadas à certificação, segurança operacional, disponibilidade do produto nos portos e definição de regras capazes de dar previsibilidade a armadores e fornecedores.

Pernambuco também aparece nesse debate por reunir produção de cana-de-açúcar e infraestrutura portuária. O Estado conta com os portos de Suape e do Recife, que podem desempenhar papel no escoamento da produção e, eventualmente, na estruturação de cadeias de abastecimento de combustíveis de baixo carbono.

O tema foi aprofundado durante o painel “Transição energética da navegação: desafios e oportunidades para o etanol brasileiro”, realizado na programação do evento e acompanhado pela ministra substituta.

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