CEO e fundador da Rumo Brasil, Rafael Brito, explicou como as novas regras podem alterar custos nas operações de soja, milho, carnes, café, açúcar e etanol
As cadeias logísticas da soja, milho, carnes, café, açúcar e etanol podem sentir os efeitos da Reforma Tributária, segundo a Rumo Brasil. Embora produtos agropecuários vendidos in natura tenham direito à redução de 60% nas alíquotas da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), as diferenças de tratamento entre matérias-primas, produtos processados, insumos e serviços podem mudar a estrutura de custos ao longo da cadeia, com reflexos sobre frete, armazenagem, beneficiamento e definição das rotas.
“No agronegócio, não basta olhar para a tributação da commodity de forma isolada. É preciso entender como o imposto se comporta em cada etapa, pois uma mudança na carga de uma operação pode alterar o custo de toda a cadeia logística”, explicou o CEO e fundador da Rumo Brasil, Rafael Brito.
Para o executivo, essas cadeias têm características diferentes, mas todas mostram por que a Reforma Tributária precisa ser analisada de forma integrada ao planejamento logístico. “Para a transportadora, não será suficiente apenas saber qual imposto incide sobre a carga, mas será necessário entender como o modelo de contratação, a origem e o destino, os créditos e cada etapa da operação interferem na margem.”
Na visão do Brito, quem antecipar essa análise terá mais condições de ajustar preços, contratos e processos antes que as mudanças se tornem definitivas.
SOJA E AS LONGAS DISTÂNCIAS
A cadeia da soja é marcada pelo transporte de grandes volumes por extensas distâncias entre regiões produtoras, unidades de armazenagem, indústrias e portos. Esse perfil faz com que o frete tenha participação relevante na composição do custo da operação.
A circulação da commodity por diferentes etapas e agentes também exige atenção à forma como os créditos tributários serão apropriados no novo sistema. Para Brito, as transportadoras que atuam nesse mercado devem se atentar à revisão dos custos por rota e por tipo de operação, que podem se tornar ainda mais importantes durante a transição.
MILHO AMPLIA DEMANDA POR PROCESSAMENTO INTERNO
No milho, uma mudança nos dentinos da produção também começa a alterar os fluxos logísticos. De acordo com a Rumo Brasil, uma parcela crescente da produção tem sido direcionada ao processamento interno, especialmente para a fabricação de biocombustíveis, reduzindo a participação do produto destinado à exportação.
Esse movimento também altera os fluxos de transporte e amplia a relevância da logística entre as regiões produtoras e as unidades de processamento. Na avaliação de Brito, a mudança no destino da produção exige que transportadoras e embarcadores acompanhem não apenas o volume movimentado, mas também a transformação dos mercados atendidos e das rotas utilizadas.
Nesse cenário, alterações na estrutura tributária que afetem o custo das operações podem ter impacto relevante sobre uma cadeia que passa a incorporar novos fluxos e destinos.
IMPACTOS NA CADEIA DE CARNE
No caso das carnes, o principal ponto de atenção está na complexidade da cadeia logística. A operação pode envolver transporte de animais, frigoríficos, processamento, armazenagem refrigerada e distribuição, com diferentes serviços e empresas envolvidos até o produto chegar ao destino.
Quanto maior o número de etapas, maior a necessidade de entender como o IBS e a CBS serão apropriados ao longo da cadeia e como os créditos circularão entre os diferentes agentes. Para o executivo, esse é um exemplo de setor em que o impacto tributário não pode ser dissociado das características operacionais da atividade.
CAFÉ COMBINA EXPORTAÇÕES E LONGAS DISTÂNCIAS
De acordo com Brito, a cadeia de café merece atenção, especialmente pela forte participação das exportações e pela distância entre algumas das principais regiões produtoras e os portos de embarque. Nesse caso, a logística envolve diferentes etapas antes da chegada ao mercado externo, incluindo transporte, armazenagem e beneficiamento.
Embora as exportações tenham tratamento tributário específico no novo sistema, os efeitos tributários das etapas anteriores à exportação continuam relevantes para a competitividade da cadeia. Para empresas que atuam nesse fluxo, compreender o efeito da reforma sobre cada etapa pode ser determinante para avaliar custos e contratos.
AÇÚCAR E ETANOL CONECTAM PRODUÇÃO, INDÚSTRIA E DISTRIBUIÇÃO
A cadeia de açúcar e etanol traz uma dinâmica diferente por envolver forte integração entre produção, processamento industrial e distribuição. O grande volume movimentado, as diferentes etapas entre a produção e o destino final e, no caso do etanol, a conexão com a cadeia de distribuição de combustíveis tornam a estrutura tributária uma variável relevante para o planejamento logístico.
Na leitura de Brito, cadeias com maior grau de transformação exigem uma análise ainda mais detalhada sobre a formação de custos e a utilização de créditos, sobretudo porque a operação logística está diretamente conectada às etapas industriais.
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