Caminhoneiros autônomos trabalham 25 dias por mês e ficam mais de 15 dias longe de casa - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

Caminhoneiros autônomos trabalham 25 dias por mês e ficam mais de 15 dias longe de casa

Pesquisa da CNTA apontou jornada média de 14 horas por dia, nove fretes mensais e faturamento líquido médio de R$ 14 mil

Os caminhoneiros autônomos trabalham, em média, 25 dias por mês, cumprem jornadas de 14 horas por dia e permanecem 16 dias seguidos longe de casa. Os dados fazem parte da 3ª Pesquisa Nacional CNTA – Realidade do Transportador Autônomo de Cargas 2025, realizada pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

O levantamento ouviu 2.002 caminhoneiros autônomos cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). As entrevistas foram realizadas presencialmente entre junho e agosto de 2025, em 11 estados das cinco regiões do país. A amostra é não probabilística por conveniência, formada pelos transportadores disponíveis nos pontos de coleta e que aceitaram participar da pesquisa.

Além da média mensal de 25 dias trabalhados, 61,1% dos entrevistados afirmaram trabalhar entre 25 e 29 dias por mês, enquanto 11,2% disseram trabalhar o mês inteiro. Em relação à jornada diária, 40,1% trabalham entre 12 e 14 horas e 40,4%, entre 15 e 17 horas. Outros 8,8% relataram jornadas de 18 horas ou mais.

O tempo fora de casa também ocupa parcela significativa do mês. A média é de 16 dias seguidos, sendo que 29,2% ficam entre dez e 14 dias longe de casa e 23%, entre 15 e 19 dias. Há ainda 11,7% que permanecem de 20 a 24 dias fora, 4,1% de 25 a 29 dias, 5,3% de 30 a 34 dias e 4,9% por 35 dias ou mais.

A pesquisa também mostra que 48,5% dos caminhoneiros afirmaram não tirar férias. Entre os entrevistados, a média anual é de oito dias de férias. Em relação à atividade, são realizados, em média, nove fretes por mês.

FATURAMENTO LÍQUIDO MÉDIO É DE R$ 14 MIL

A pesquisa também levantou informações sobre o faturamento da atividade. O faturamento bruto mensal médio informado pelos entrevistados é de R$ 46 mil, enquanto o faturamento líquido médio fica em R$ 14 mil. O levantamento apresenta ainda o valor médio de R$ 40 por hora.

Entre os entrevistados, 59% declararam faturamento líquido mensal entre R$ 10 mil e R$ 19.999. Outros 21,9% ficam abaixo de R$ 10 mil, 15,6% entre R$ 20 mil e R$ 29.999 e 3,4% alcançam R$ 30 mil ou mais.

Os aplicativos de frete aparecem como o principal meio utilizado para conseguir cargas, citados por 46,6% dos profissionais. A contratação direta com embarcadores representa 38%, seguida pelos agenciadores de cargas, com 14,9%, e pelas indicações, com 0,5%.

POSTOS CONCENTRAM PARADAS PARA DESCANSO

Os postos de combustíveis são o principal local utilizado pelos caminhoneiros para cumprir a Lei do Descanso: 96,6% dos entrevistados afirmaram recorrer a esses estabelecimentos. Além disso, 78,4% classificaram como difícil encontrar um local para cumprir o período de descanso.

O levantamento também mostra que 59,3% afirmaram não se sentir valorizados, embora pretendam continuar na profissão. Outros 23% disseram não se sentir valorizados e pretendem mudar de atividade. Já 12,7% afirmaram se sentir parcialmente valorizados e 5,2% responderam que se sentem valorizados. O tempo médio de exercício da profissão entre os participantes é de 18 anos.

Outro aspecto abordado é o tempo de espera para carga e descarga. Segundo a pesquisa, 46,1% afirmaram enfrentar sempre esperas de cinco horas ou mais, enquanto 23,4% disseram passar por essa situação às vezes. Quando a espera ultrapassa cinco horas, 84,7% disseram não receber o valor da estadia e não denunciar; 8,6% afirmaram receber corretamente e 6,6% não recebem e denunciam.

FROTA TEM IDADE MÉDIA DE 15 ANOS

A pesquisa também traça um perfil dos veículos utilizados pelos autônomos. A idade média é de 15 anos. A maior parcela, 33%, tem entre dez e 14 anos de uso, enquanto 19,7% está na faixa de 15 a 19 anos e 13,3%, entre 20 e 24 anos.

Entre os entrevistados, 71,3% possuem o veículo quitado, 25,2% ainda estão pagando financiamento e 3,5% utilizam consórcio. O levantamento também aponta que 57,6% possuem algum pneu recauchutado.

SEGURANÇA E SAÚDE APARECEM ENTRE OS DESAFI

A segurança nas rodovias também foi abordada pelo levantamento. Entre os participantes, 57,7% responderam que nunca se sentem seguros nas estradas. Outros 17,7% disseram se sentir seguros às vezes e 17,7%, esporadicamente.

A pesquisa aponta ainda que 16,9% já foram vítimas de furto sem violência e 13,3% sofreram roubo com uso de violência. Entre aqueles que já passaram por furto ou roubo, 71,8% relataram uma ocorrência e 20,9%, duas.
Na área da saúde, 62,1% afirmaram procurar atendimento médico apenas quando estão doentes, enquanto 60,2% fazem exames de rotina somente quando apresentam algum problema. Além disso, 86,5% disseram não praticar atividade física durante a semana.


Mais da metade dos participantes, 56,7%, informou possuir alguma comorbidade. Entre aqueles que responderam positivamente, as mais citadas foram pressão alta (19,7%), sobrepeso ou obesidade (19,4%), problemas de visão (18,2%), ansiedade (15,6%) e estresse (15,2%).

A 3ª Pesquisa Nacional CNTA também abordou questões relacionadas ao Vale-Pedágio Obrigatório, Piso Mínimo do Frete e Lei da Estadia. Segundo a CNTA, o levantamento busca traduzir as percepções e dificuldades dos caminhoneiros em informações para apoiar a atuação da entidade e monitorar indicadores sociais, de saúde, infraestrutura e legislação

Tags: Mundo Logística

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