Brasil arrecadou R$ 14,2 bilhões em ICMS sobre fretes em dois anos - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

Brasil arrecadou R$ 14,2 bilhões em ICMS sobre fretes em dois anos

De acordo com o estudo da Qive, país movimentou 34,2 trilhões de quilos de mercadorias e gerou R$ 211 bilhões em fretes entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2025

O Brasil movimentou 34,2 trilhões de quilos de mercadorias entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2025, segundo o “Panorama do Contas a Pagar”, estudo conduzido pela Qive. De acordo com a pesquisa, essa movimentação gerou R$ 211 bilhões em fretes e R$ 14,2 bilhões em arrecadação de ICMS.

O levantamento foi baseado na análise de 194,2 milhões de Conhecimentos de Transporte Eletrônico (CTes), documentos fiscais emitidos ao longo dos dois anos.  

O estudo também identificou diferenças entre os principais setores da economia. O varejo liderou o volume de movimentações, com 52,1 milhões de CTes emitidos entre 2024 e 2025. Porém, o setor registrou um dos menores tickets médios, de aproximadamente R$ 1,5 mil por operação.

Por outro lado, de acordo com a Qive, o ticket médio chegou a R$ 11,47 mil no setor de energia e a R$ 5,4 mil no agronegócio, protagonizando operações de longa distância e de maior valor agregado.

“O varejo é o setor da capilaridade, são muitos fretes pequenos, frequentes, próximos ao consumo. Energia e agronegócio aparecem nos corredores de commodity de longa distância. O que o mapa mostrava por geografia, o setor confirma por economia”, explicou o o gerente de Produto e especialista em Reforma Tributária da Qive, Guilherme Martins.

CONCENTRAÇÃO DA ATIVIDADE LOGÍSTICA NO SUDESTE

A pesquisa também revelou a concentração da atividade logística brasileira na região Sudeste. Segundo o levantamento, o estado de São Paulo foi a origem de 56,6% de todos os CTes emitidos no país entre 2024 e 2025.

Para Martins, o estudo evidencia o poder do “anel de distribuição” metropolitano formado pelas cidades paulistas de Cajamar, Guarulhos, Barueri e Sumaré.

“Conseguimos avaliar que a malha logística é feita em torno do consumo, com a rota São Paulo–Cajamar, local onde estão a maioria dos galpões logísticos de transportadoras e marketplaces. Por isso, a região lidera isoladamente o volume nacional, com cerca de 6,9 milhões de documentos emitidos”, acrescentou.

IMPACTOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA

A Qive também identificou um paradoxo no transporte brasileiro. No regime atual, a alíquota efetiva mediana do ICMS aplicada em rotas estaduais foi de 15,74% — valor superior aos 11,4% observados nas rotas interestaduais. Segundo Martins, esse cenário pode mudar com a Reforma Tributária.

Com a transição para o novo regime tributário — que substituirá gradualmente o ICMS pelo IBS e CBS com tributação no destino final da mercadoria — a logística brasileira passará por um redesenho estrutural. A transição para a Reforma Tributária entra em uma nova etapa a partir de 3 de agosto de 2026.

“Historicamente, muitas empresas posicionaram seus centros de distribuição para otimizar incentivos fiscais estaduais, assumindo rotas mais longas apenas para pagar menos ICMS. Com a chegada da nova tributação, mover carga dentro do próprio estado custará mais em impostos do que cruzar fronteiras”, afirmou o executivo.

Para ele, é por esse motivo que a localização de novos centros de distribuição passará a ser uma decisão estritamente logística e operacional, baseada em distância física, qualidade das rodovias e tempo de entrega.

“A Reforma não cria um movimento novo; ela tende a acelerar o que o mercado já vinha fazendo — aproximar a distribuição do consumo — e a retirar o suporte fiscal que mantinha de pé estruturas distantes do cliente”, apontou Martins.  

Tags: Mundo Logística

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