A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) realizou, nesta quarta-feira (8), debates da Comissão de Logística sobre os principais desafios de infraestrutura e transporte que impactam o escoamento da produção agrícola no estado.
Durante o encontro, produtores rurais discutiram entraves operacionais enfrentados ao longo da safra, especialmente relacionados às condições das rodovias, ao custo do transporte e à necessidade de ampliação de corredores logísticos para atender ao crescimento da produção de grãos em Mato Grosso — maior produtor agrícola do país.
A reunião da Comissão de Logística foi coordenada pelo vice-presidente norte da Aprosoja MT, Diogo Balistieri, que também é conselheiro do Instituto Brasil Logística (IBL). Segundo ele, a participação direta dos produtores é fundamental para orientar as prioridades da entidade na defesa de melhorias estruturais para o setor.
“Discutimos os principais desafios logísticos enfrentados pelo estado durante o período da safra, especialmente as condições das rodovias estaduais. Também abordamos o avanço dos projetos ferroviários, que representam uma perspectiva importante para o futuro de Mato Grosso”, destacou Balistieri.
Entre os temas debatidos estiveram o piso mínimo do frete (MP 1343/26), o limite de peso por eixo nos caminhões, concessões rodoviárias e o andamento de projetos ferroviários considerados estratégicos para o escoamento da produção agrícola.
Os produtores também receberam atualizações sobre importantes corredores logísticos do estado, como as rodovias BR-163, BR-158 e BR-242, além de projetos ferroviários em discussão no país, entre eles a Ferrogrão, a Ferronorte e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO). A expectativa do setor é que a ampliação da malha ferroviária contribua para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade das exportações brasileiras.
Outro ponto levantado durante a reunião foi o impacto da tabela de frete com preço mínimo no transporte da produção. Produtores relataram dificuldades na aplicação do modelo atual, principalmente em regiões com grandes distâncias internas entre propriedades rurais e armazéns.
O produtor do núcleo de Feliz Natal, Sandro Mick, afirmou que notificações e multas aplicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) têm gerado preocupação entre produtores da região.
Segundo ele, o cálculo das distâncias considera apenas o trajeto entre municípios, o que muitas vezes não reflete a realidade logística das propriedades rurais. Em municípios extensos, como Feliz Natal, as distâncias internas podem ultrapassar 100 quilômetros entre fazendas e pontos de entrega, o que acaba gerando inconsistências na aplicação da tabela.
Diante do cenário, os produtores defenderam a revisão dos critérios utilizados na política de frete mínimo, com o objetivo de adequar as regras à realidade operacional do transporte agrícola.
As discussões devem subsidiar a atuação da Aprosoja MT junto aos órgãos competentes e aos formuladores de políticas públicas, em busca de soluções que ampliem a eficiência logística e garantam maior segurança jurídica ao transporte da produção.
A programação das comissões da entidade segue até sexta-feira (10), com reuniões voltadas aos temas de política agrícola e sustentabilidade, além da realização da Assembleia Geral da associação.
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