A ANATC reuniu, nos dias 23 e 14 de abril, em Rondonópolis (MT), especialistas, empresários e profissionais da área fiscal para discutir os avanços e os impactos concretos da Reforma Tributária no Brasil, com foco especial no transporte rodoviário de cargas.
Durante o encontro, os organizadores destacaram que, embora chamada de “tributária”, a reforma vai muito além dos impostos e deve provocar mudanças profundas nos modelos de negócio das empresas.
“O setor de transporte do agronegócio será um dos mais impactados com a reforma, que levará a um aumento previsto de mais de 400% nas alíquotas de imposto, resultando em aumento da inflação. Inconcebível”, alerta Carley Welter, diretor de Relações Institucionais da ANATC.
Entre os principais pontos abordados esteve a criação do chamado IVA Dual — composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — e a implementação do split payment, mecanismo que vincula o recolhimento do tributo diretamente à liquidação financeira das transações. A proposta é aumentar o controle e reduzir a inadimplência, com cobrança automática no momento do pagamento.
Outro destaque foi a “apuração assistida”, já em fase de testes pela Receita Federal desde janeiro de 2026. A ferramenta permite que empresas comparem seus próprios cálculos com os dados apurados pelo Fisco, trazendo mais segurança jurídica, mas também exigindo maior precisão nas informações fiscais.
Os participantes também discutiram o nível de preparação das empresas. Dados apresentados indicam que apenas uma parcela ainda pequena está efetivamente se adaptando às mudanças, enquanto muitas organizações ainda subestimam a dimensão da reforma ou aguardam regulamentações mais detalhadas.
No setor de transporte, os impactos são considerados significativos. A possibilidade de crédito integral sobre insumos como combustível, peças e serviços pode trazer alívio no fluxo de caixa. Por outro lado, o novo modelo exige maior controle documental e integração entre áreas financeira e fiscal.
O evento também abordou mudanças na dinâmica de subcontratação e os efeitos sobre cooperativas e transportadores autônomos, além de simulações comparativas entre o modelo atual (PIS/Cofins e ICMS/ISS) e o futuro sistema (CBS e IBS). Em alguns cenários analisados, foi observado aumento relevante da carga tributária, reforçando a necessidade de planejamento antecipado.
No encerramento, representantes da ANATC reforçaram que a adaptação à reforma não deve ser vista apenas como uma obrigação fiscal, mas como uma transformação estrutural. Empresas que se anteciparem tendem a ganhar vantagem competitiva em um ambiente que promete ser mais transparente, porém mais exigente.

