A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), entidade filiada ao Instituto Brasil Logística (IBL), promoveu nesta quinta-feira (12) o ABSOLAR Meeting Centro-Oeste 2026, evento que reúne lideranças do setor para discutir o avanço da energia solar na região central do país. A iniciativa integra uma série de encontros que percorrerão outros estados brasileiros para divulgar o potencial da fonte fotovoltaica.
O setor já apresenta números expressivos na região. Segundo dados apresentados durante o encontro, a energia solar no Centro-Oeste pode atrair mais de R$ 3,5 bilhões em novos investimentos, alcançar capacidade instalada superior a 7,3 gigawatts e gerar mais de 226 mil empregos.
Representando o presidente da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI), senador Wellington Fagundes (PL-MT), o diretor de Relações Institucionais da Frente, Edinho Bez, participou da abertura do evento e ressaltou a importância estratégica do debate energético para o país.
“Costumo dizer, no Congresso Nacional, há mais de 15 anos, que a energia é tão importante quanto a água que bebemos para manter a nossa saúde. Por isso, precisamos ter consciência de que não podemos ficar desatentos a esse tema”, afirmou.
Durante sua participação, Bez também leu uma mensagem enviada pelo presidente Wellington Fagundes, que é pré-candidato ao Governo de MT. Na mensagem, o senador destacou o papel crescente da energia solar na matriz energética brasileira e o potencial de expansão da geração distribuída.
“A energia solar tem sido uma peça-chave nessa estratégia. Nosso potencial é enorme, e o crescimento do setor tem sido muito expressivo. Hoje já temos geração distribuída em mais de cinco milhões de imóveis no país”, afirmou.
O senador ressaltou ainda que a geração distribuída já representa cerca de 20% da capacidade instalada nacional, o equivalente a três usinas de Itaipu, e que a região Centro-Oeste possui condições privilegiadas para ampliar essa participação.
“Temos condições de transformar o Brasil em uma verdadeira potência global em energia renovável. Para isso, precisamos continuar trabalhando juntos — no Congresso Nacional, nos governos estaduais e municipais, no setor produtivo, na academia e na sociedade civil”, destacou.
O conselheiro do Instituto Brasil Logística (IBL) e chefe executivo da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, ressaltou a importância da cooperação internacional e mencionou a visita à China, onde teve a oportunidade de conversar sobre energia solar com o presidente Fagundes durante uma viagem à China. A visita teve como objetivo conhecer experiências de empresas e projetos voltados ao desenvolvimento da energia solar.

“Existem soluções, e é muito interessante observar a experiência de países que já estão cinco ou dez anos à frente do Brasil. Isso nos permite aprender como avançar de forma mais rápida, eficiente e com menor custo para a sociedade”, afirmou.
Sauaia destacou ainda que a energia solar traz benefícios relevantes para o agronegócio, como redução de custos operacionais, maior autonomia energética e aumento da competitividade da produção rural.
Segundo ele, o setor solar já atraiu quase R$ 290 bilhões em investimentos no Brasil, com mais de R$ 90 bilhões em arrecadação de impostos e quase dois milhões de empregos gerados.
“Hoje a energia solar já tem participação significativa na matriz elétrica brasileira. A fonte responde por cerca de 9% da geração de eletricidade e por aproximadamente 25% da potência instalada no país”, explicou.
Na região Centro-Oeste, o potencial também é expressivo. Atualmente, a região soma cerca de 7,6 gigawatts de capacidade instalada, com mais de R$ 32 bilhões em investimentos e aproximadamente 228 mil empregos gerados.
Sauaia agradeceu ainda o apoio de entidades parceiras, como o SEBRAE, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além da própria FRENLOGI, que tem apoiado o avanço da agenda energética e de infraestrutura no país.
Energia solar amplia oportunidades e geração de renda
O presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk, destacou que a energia solar tem papel importante na descentralização da geração de renda no setor elétrico.
“Enquanto em outros segmentos do setor elétrico os ganhos costumam se concentrar em poucas empresas, a energia solar é formada por milhares de pequenos negócios. Hoje são mais de 150 mil pequenas e microempresas atuando no setor”, afirmou.
Ele também mencionou que, em levantamento internacional recente, a ABSOLAR foi classificada como a segunda melhor associação solar do mundo, atrás apenas de entidade europeia do setor.
Transição energética e desafios do sistema elétrico
O secretário-executivo adjunto do Ministério de Minas e Energia, Fernando Munhoz, destacou o compromisso internacional do Brasil com o Acordo de Paris para enfrentamento das mudanças climáticas.
Segundo ele, 75% das emissões globais de gases de efeito estufa estão relacionadas ao setor energético, o que reforça a importância da expansão das fontes renováveis.
Munhoz lembrou que o Brasil já possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo. Em 2015, 74% da eletricidade brasileira era renovável, com predominância das hidrelétricas.
Desde então, houve avanço significativo das fontes solar e eólica, cuja participação saltou de 3,5% em 2015 para cerca de 19% em 2025.
Fernando Munhoz também destacou os desafios do sistema elétrico diante do crescimento das fontes intermitentes e ressaltou a necessidade de soluções como armazenamento em baterias e gestão do consumo de energia.
A abertura do evento contou ainda com a participação da diretora do SEBRAE-DF, Diná Ferraz, e do presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA).
A programação do ABSOLAR Meeting Centro-Oeste 2026 seguiu ao longo do dia com painéis e debates sobre investimentos, novas tecnologias, armazenamento de energia e perspectivas de expansão do setor no Brasil.
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