O Senado aprovou na noite desta quarta-feira (4), por unanimidade, o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, após 26 anos de negociações entre as partes. A relatoria da matéria ficou sob responsabilidade da senadora Tereza Cristina (PP-MS), integrante da FRENLOGI.
Ao destacar a importância da votação para a Frente, a relatora afirmou: “A aprovação do acordo no Senado é um momento histórico. Após 25 anos de negociações, este é um avanço importante para o Brasil. Estive em Bruxelas em 2019 na conclusão dessas negociações, e posso dizer: não foi o acordo dos sonhos, mas foi o possível. Abre portas para nossos produtos e novas tecnologias, mas o livre comércio ainda está distante.”
A proposta prevê redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela UE. O PDL 41/2026, que ratifica o acordo, ainda precisa ser promulgado pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Com a redução tarifária prevista para a maior parte dos produtos comercializados entre os dois blocos, a expectativa é de ampliação do fluxo de exportações e importações, o que tende a impactar diretamente o setor de infraestrutura e logística. O aumento do comércio exterior pode elevar a demanda por capacidade portuária, terminais privados, áreas retroportuárias, armazenagem e corredores estratégicos de escoamento, além de reforçar a necessidade de integração multimodal entre rodovias, ferrovias e portos.
A ampliação do acesso ao mercado europeu também impõe desafios à competitividade brasileira. Custos logísticos elevados, gargalos operacionais e limitações estruturais passam a ter peso ainda maior na formação de preços e na inserção internacional dos produtos nacionais. Nesse cenário, o acordo funciona como indutor indireto de melhorias regulatórias, maior segurança jurídica e estímulo à atração de investimentos privados em projetos de infraestrutura.
O texto prevê cronogramas de desgravação tarifária para setores industriais, inclusive máquinas e equipamentos, o que pode favorecer a modernização do parque produtivo brasileiro. A renovação industrial tende a gerar novos fluxos logísticos, tanto de importação de bens de capital quanto de exportação de produtos com maior valor agregado, exigindo operações mais eficientes e tecnologicamente integradas.
Outro ponto relevante para o setor logístico está relacionado às exigências ambientais europeias, como o regulamento para produtos livres de desmatamento (EUDR). A necessidade de comprovação de origem e rastreabilidade deverá ampliar a digitalização das cadeias produtivas, exigindo maior integração entre produtores, transportadores e exportadores e fortalecendo sistemas de controle e monitoramento logístico.
Além disso, os mecanismos de salvaguarda e solução de controvérsias previstos no acordo reforçam a previsibilidade institucional — fator considerado essencial para contratos de longo prazo e investimentos estruturantes em infraestrutura.
Com a aprovação da proposta pelo Senado, o Brasil avança na consolidação de uma nova etapa de integração econômica internacional. Para o setor de infraestrutura e logística, o acordo representa potencial expansão estrutural do comércio exterior e reforça a necessidade de planejamento, eficiência operacional e ampliação da capacidade instalada para atender a um mercado ampliado e mais competitivo.
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