Aprosoja MT e Aprosoja Brasil apresentam Carta-Manifesto dos produtores de soja para a COP 30 no Senado

Aprosoja MT e Aprosoja Brasil apresentam Carta-Manifesto dos produtores de soja para a COP 30 no Senado

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e a Aprosoja Mato Grosso (Aprosoja MT) apresentaram, nesta quinta-feira (6), ao Senado Federal, a Carta-Manifesto dos Produtores de Soja do Brasil para a COP 30. O documento foi apresentado ao senador Jaime Bagattoli (PL/RO), integrante da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI), pelo vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes, e pelo presidente da Aprosoja Brasil, Mauricio Buffon.

A Aprosoja MT é associada ao Instituto Brasil Logística (IBL) desde 2016 e defende agenda de desenvolvimento logístico e sustentável para o agronegócio brasileiro. A Carta-Manifesto, foi elaborada com as contribuições do doutor e mestre em Direito pela Universidade de Harvard e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Rio), Daniel Vargas, e reúne propostas voltadas à construção de uma agenda climática tropical, soberana e produtiva. O documento alerta para o descompasso entre o debate global sobre o clima e a realidade dos países tropicais, especialmente o Brasil — o único grande produtor de alimentos que alia alta produtividade à conservação ambiental e à geração de energia renovável em larga escala.

Entre as propostas, a Aprosoja defende infraestrutura logística multimodal como condição essencial para a competitividade e sustentabilidade da produção nacional. Atualmente, 60% das cargas brasileiras são transportadas por rodovias, responsáveis por 90% das emissões logísticas. A substituição gradual desse modelo por ferrovias e hidrovias modernas pode reduzir em até 30% os custos de transporte e evitar milhões de toneladas de CO₂ por ano.

Projetos estruturantes como a Ferrogrão e a Ferrovia Transcontinental são destacados como instrumentos de soberania, integração e descarbonização.

A Ferrogrão pode reduzir em até 30% o custo de transporte e evitar entre 2,9 e 3,8 milhões de toneladas de CO₂ por ano, ao transferir até 52 milhões de toneladas de grãos do modal rodoviário para o ferroviário e hidroviário.

Já a Ferrovia Transcontinental, ao conectar o Atlântico ao Pacífico, ampliará o acesso direto aos mercados da Ásia, evitando mais de 4 milhões de toneladas de CO₂ por ano e consolidando o eixo bioceânico como rota estratégica de baixo carbono.

O documento também defende o fortalecimento do transporte hidroviário nacional, com investimentos em dragagem, balizamento e derrocamento, além da criação de marcos regulatórios unificados para seis hidrovias estratégicas: Rio Paraguai, Madeira, Tapajós, Tocantins, Barra Norte (Hidrovia Verde) e Lagoa Mirim.

Ferrovia ou hidrovia representam dezenas de caminhões a menos nas estradas — reduzindo emissões, custos e desigualdades regionais, e beneficiando especialmente pequenos e médios produtores.

Durante a solenidade, o senador Jaime Bagattoli destacou que o manifesto representa um grito de liberdade e de defesa da soberania nacional. “Somos uma potência agroambiental. O Brasil é o único grande produtor que combina alta produtividade com conservação em larga escala. Alimentamos quase um bilhão de pessoas no mundo, mantendo 66% da nossa vegetação nativa preservada. Na Amazônia, esse índice chega a 84%”, afirmou.

O parlamentar ressaltou que o setor agropecuário é parte essencial da solução para o Acordo de Paris e para a Agenda 2030, e apresentou cinco bandeiras que o Brasil deve levar à COP 30:

  1. Reconhecimento do direito à produção sustentável na Amazônia, combatendo a estigmatização dos agricultores locais.
  2. Regularização fundiária e ambiental acelerada para garantir segurança jurídica e acesso ao crédito.
  3. Criação de linhas de financiamento climático específicas para os produtores da região amazônica.
  4. Presença efetiva do Estado no território, com combate ao crime organizado e garantia de soberania.
  5. Investimentos em logística e infraestrutura, como a Ferrogrão e a BR-319, mais conhecida como Rodovia Manaus–Porto Velho, para reduzir o Custo Brasil.

“O Brasil vai à COP 30 para mostrar que o futuro sustentável e tropical é produtivo — e quem sustenta esse futuro são os produtores rurais”, declarou Bagattoli.

O senador também fez um apelo pela reconstrução do Rio Grande do Sul, afetado por enchentes históricas, e defendeu que o país garanta dignidade e oportunidades aos povos indígenas, inclusive com participação nos benefícios econômicos de suas terras.

Brasil: líder em sustentabilidade e segurança alimentar

O documento e as exposições destacam a contribuição do produtor rural para a segurança alimentar global e para o cumprimento dos compromissos climáticos.

“O Brasil é competitivo, trabalhador e exemplo mundial em sustentabilidade. Produzimos carne, soja, milho, café e suco de laranja com responsabilidade ambiental. Nosso desafio é garantir dignidade ao produtor e equilíbrio entre produção e preservação”, reforçou Bagattoli.

Tags: IBL

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