A ABDIB realizou nesta quarta-feira, dia 10 de setembro, em Brasília, Movimento da Infraestrutura — MoveInfra, o seminário “Logística verde para impulsionar um país mais competitivo e descarbonizado”. O encontro discutiu a possibilidade de o Brasil tornar a infraestrutura uma aliada da reindustrialização e da descarbonização. Também se tratou do papel decisivo das ferrovias para a competitividade e da transição da matriz de transporte. Finalmente, foram abordadas a relevância do gás natural e do biometano para descarbonização da frota pesada e a importância de se integrar soluções de transporte para impulsionar uma economia competitiva de baixo carbono.
O presidente-executivo da ABDIB, Venilton Tadini, abriu o seminário com palestra em que abordou “A reindustrialização na economia de baixo carbono”. Ele destacou que a reindustrialização brasileira deve estar integrada a uma agenda de baixo carbono e alinhada às transformações globais em curso. Segundo ele, as mudanças climáticas, a transição energética e a reorganização das cadeias globais de valor precisam orientar o planejamento estratégico do país.
Tadini ressaltou, também, que os investimentos em infraestrutura são determinantes para o desenvolvimento nacional, para ampliar a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor e para gerar emprego e renda. Ele lembrou que o volume de investimentos em infraestrutura no país ultrapassou em 2024 a marca de R$ 260 e que mais de 80% desses recursos eram privados. Foi o recorde da série histórica iniciada em 2010.
A despeito dessa marca expressiva, teriam sido necessários outros R$ 200 bilhões para atender às necessidades do país. De acordo com os levantamentos da entidade, são necessários investimentos de mais de R$ 400 bilhões por ano ao longo de dez anos consecutivos para eliminar o hiato de investimentos em infraestrutura no Brasil.
ORÇAMENTO ALINHADO — O presidente da ABDIB também citou avanços recentes, como a melhoria da governança, a evolução na estruturação de projetos e o novo padrão de financiamento em curso. Ele também reforçou a importância de o orçamento público refletir as prioridades estratégicas do país “Temos um conjunto consistente de instrumentos, mas, se o orçamento federal não estiver alinhado a essas prioridades, a execução ficará comprometida”, alertou. Um dos problemas apontados por ele é o do volume excessivo de recursos destinados às emendas parlamentares, que não estão alinhadas com os objetivos estratégicos dos programas de desenvolvimento.
Ao tratar da transição energética, Tadini defendeu a diversificação da matriz de transportes, hoje fortemente dependente do modal rodoviário, responsável por 90% das emissões do setor. Ele ressaltou a necessidade de ampliar a participação das ferrovias e do transporte aquaviário, além de incentivar o uso de combustíveis renováveis, biometano e a eletrificação da frota pesada.
Por fim, Tadini reforçou que a cooperação entre setor público e privado, aliada a um ambiente regulatório estável e a mecanismos de financiamento adequados, será decisiva para que o Brasil avance na neoindustrialização e consolide uma economia de baixo carbono.
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