Governo diz a representantes do agro que abriu diálogo com EUA

Governo diz a representantes do agro que abriu diálogo com EUA

NACIONAL

Ministros anunciam avanços nas negociações e medidas para ampliar mercados, fortalecer consumo interno e oferecer crédito a exportadores prejudicados pelo tarifaço

O governo brasileiro informou a representantes do agronegócio, na segunda-feira (4), que iniciou finalmente um diálogo direto com a Casa Branca para discutir a taxação de 50% imposta por Donald Trump a uma série de produtos nacionais. Até agora, as tratativas vinham sendo conduzidas apenas com o primeiro escalão norte-americano e representantes setoriais, sem contato oficial com o presidente dos Estados Unidos.

A sinalização foi dada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, durante reunião com lideranças do setor agroindustrial no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília. O encontro também contou com a participação do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, e do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Com o canal aberto com Washington, o Brasil tenta incluir setores altamente dependentes do mercado norte-americano — como café, carne bovina, pescados, mangas e mel — na lista de exceções tarifárias que atualmente beneficia produtos como suco de laranja e celulose.

Ao final da reunião, Alckmin anunciou que o Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou o Brasil a abrir uma consulta junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o tarifaço. A formalização depende da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, o ministro reconheceu os entraves impostos pelos Estados Unidos ao funcionamento da OMC. “Nós defendemos o livre comércio e o multilateralismo”, afirmou.

Durante a reunião, o vice-presidente Geraldo Alckmin evitou prever prazos, mas afirmou que as medidas do plano de contingência serão anunciadas “em questão de dias”.

O governo também prepara cinco medidas internas voltadas a mitigar os impactos da taxação: abertura de novos mercados com apoio da Apex; fortalecimento do consumo interno; concessão de crédito subsidiado; ampliação de compras governamentais; e a extensão do Reintegra — mecanismo de compensação tributária — a exportadores.

“A partir de hoje começa a vigorar o Acredita Exportação, que é um Reintegra de transição às pequenas empresas que exportarem e vão ter de volta 3% do valor exportado. E o pleito do setor empresarial hoje foi estender esse Reintegra de transição para as demais empresas que estão prejudicadas na sua exportação para os Estados Unidos”, explicou Alckmin.

O vice-presidente evitou prever prazos, mas afirmou que as medidas do plano de contingência serão anunciadas “em questão de dias”. Em tom crítico à justificativa americana para o tarifaço, acrescentou: “Conosco não tem pré-datado, é Pix, e, na hora que resolver, paga”.

Já o ministro Carlos Fávaro reforçou o esforço do governo federal em criar um plano de contingência e defendeu medidas internas para estimular o consumo de produtos que eram majoritariamente exportados. “Isso gera oportunidades, nós estamos avaliando com a área técnica para anunciarmos juntos”, disse.

Na reunião, o ministro sugeriu ampliar o uso obrigatório de matérias-primas nacionais em produtos comercializados no Brasil, como o suco de laranja em refrigerantes — hoje com teor mínimo de 10%. Outros exemplos discutidos foram o uso de leite em iogurtes e de cacau em chocolates.

Novos mercados

Fávaro também voltou a destacar a importância da abertura de novos mercados. Segundo ele, 398 foram conquistados desde o início do atual governo. O ministro citou avanços em protocolos sanitários com o Reino Unido e a União Europeia para pescado, e auditorias já realizadas pelo Japão com vistas à importação de carne bovina.

O ministro também mencionou o mercado do Vietnã, recentemente aberto para carnes brasileiras após 20 anos de negociações. “Duas plantas frigoríficas se habilitaram. Imagina se a gente se esforçar agora e habilitar 15, 20, 30 plantas frigoríficas?”, afirmou.

A reunião de duas horas contou ainda com a presença dos ministros Rui Costa (Casa Civil), André de Paula (Pesca e Aquicultura) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar).

Haddad admite negociar inclusão de minerais críticos e terras raras em acordo tarifário

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na segunda-feira (4) que minerais críticos e terras raras podem ser incluídos nas negociações tarifárias entre Brasil e Estados Unidos, e que um acordo sobre esses temas pode ser assinado em breve. “Temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, declarou Haddad em entrevista à BandNews.

Minerais críticos, como lítio e nióbio, são essenciais para a produção de baterias elétricas e para processadores de inteligência artificial (IA). O governo brasileiro discute desde maio um novo marco regulatório para a IA e para datacenters (centros de processamento de dados), o que reforça a importância estratégica desses recursos.

Sobre o plano de contingência para apoiar setores afetados pelas tarifas impostas pelo governo Trump, Haddad confirmou que as medidas estão finalizadas e devem ser anunciadas até quarta-feira (6), data em que as taxas entram em vigor.

O ministro da Fazenda não descartou que outros produtos possam ser incluídos na lista de exceções dos Estados Unidos até o prazo limite. Haddad reafirmou que o Brasil seguirá negociando, ressaltando que “os termos atuais impostos pelo governo estadunidense são inaceitáveis, mas podem melhorar”.

“Creio que alguma coisa (ampliação da lista de exceções) ainda pode acontecer até o dia 6. Pode acontecer, mas estou dizendo que não trabalhamos com data fatídica. Não vamos sair da mesa de negociação até que possamos vislumbrar um acordo, que precisa de interesses em comum. Nesses termos, o Brasil, evidentemente, não vai fazer um acordo, porque não tem o menor sentido na taxação que está sendo imposta ao país”, declarou Haddad.

Tags: Benews

Recentes

Categorias

©2025. All rights reserved –  ANATC Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas