Segundo a Gestran, integração de dados permite identificar quais veículos estão aptos para operar e apoiar o planejamento das transportadoras
Até o fim de 2026, 40% das aplicações corporativas deverão contar com agentes de Inteligência Artificial integrados, capazes de interpretar dados, automatizar processos e apoiar decisões, segundo projeção da Gartner.
No transporte rodoviário, o uso dessas ferramentas depende, entre outros fatores, da disponibilidade de dados estruturados sobre a operação. Entre as informações necessárias está a situação de cada veículo da frota: quais estão em viagem, em manutenção, parados por alguma ocorrência ou disponíveis para uma nova operação.
Acompanhar a disponibilidade dos veículos influencia o planejamento das operações e a utilização da frota. Para isso, é necessário saber quais caminhões podem ser mobilizados, quais estão parados para manutenção e quais apresentam alguma restrição operacional.
Para o CEO da Gestran, Paulo Raymundi, essas informações também são necessárias para que ferramentas de inteligência artificial possam apoiar decisões relacionadas à operação.
“É esse tipo de informação que alimenta os agentes de inteligência artificial. A tecnologia só consegue apoiar decisões quando entende a realidade da operação. Recomendar rotas, redistribuir veículos ou antecipar gargalos depende da qualidade dos dados disponíveis sobre a frota. Se as informações sobre a disponibilidade dos veículos não refletem a realidade, qualquer recomendação parte de um cenário incompleto”, explicou.
Segundo dados do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), o Brasil reúne mais de 1 milhão de transportadores, entre empresas, cooperativas e autônomos. Nesse cenário, sistemas de gestão têm sido utilizados para reunir informações sobre veículos, viagens, manutenção e outras etapas da operação.
O uso de dados da frota também avança em outros mercados. De acordo com o relatório Connected Fleets in Europe 2026, da Geotab, 72% das frotas europeias utilizam informações de localização em tempo quase real, enquanto 64% recorrem à inteligência artificial para otimizar rotas e reduzir gargalos operacionais.
No Brasil, a disponibilidade da frota também passou a ser utilizada para apoiar o planejamento logístico, a alocação dos veículos e o acompanhamento da capacidade de atendimento das transportadoras.
“Hoje, praticamente toda transportadora possui rastreamento, sistemas de manutenção e diferentes controles operacionais. O problema é que essas informações costumam estar separadas, pois o gestor sabe onde está o caminhão, mas nem sempre sabe se ele está disponível para operar. O papel da tecnologia é conectar esses dados e transformar a disponibilidade da frota em um indicador de gestão”, destacou Raymundi.
Segundo o executivo, apenas a localização não permite identificar a situação operacional do veículo. “Um veículo pode aparecer no mapa e, ainda assim, estar em manutenção, aguardando motorista, envolvido em um sinistro, em reforma ou indisponível por outro motivo. Em muitas empresas, essas informações continuam distribuídas entre planilhas, controles internos, aplicativos de mensagens e diferentes sistemas, obrigando gestores a reunir manualmente os dados antes de definir uma nova viagem ou redistribuir uma carga”, disse.
O executivo ainda avaliou que a indisponibilidade de um veículo afeta toda a cadeia operacional. “Um caminhão parado representa perda de capacidade de atendimento, necessidade de remanejamento de cargas, atrasos, aumento do tempo ocioso e maior dificuldade para planejar escalas e rotas, afirmou.
Um levantamento da ANATC, Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas, mostra que um caminhão parado pode representar uma perda de faturamento entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil por dia.
Desse modo, a necessidade de consolidar essas informações em um único ambiente levou empresas de tecnologia de gestão de frotas a desenvolver ferramentas voltadas à disponibilidade operacional dos veículos.
“Esse conceito foi incorporado à plataforma da companhia por meio do módulo Disponibilidade da Frota. A tecnologia reúne informações que já fazem parte da rotina operacional da plataforma, como rastreamento, manutenção, ocorrências e comunicação, para mostrar, em tempo real, quais veículos estão aptos para operar e qual é a capacidade operacional efetiva da frota”, explicou o CEO da Gestran.
Segundo Raymundi, as informações geradas pelos motoristas ao longo da viagem, como início da operação, abastecimentos, paradas, manutenções e demais ocorrências, são consolidadas automaticamente e convertidas em indicadores que refletem a situação operacional de cada veículo.
“Sempre que um caminhão entra em manutenção, registra uma ocorrência ou se torna indisponível por qualquer motivo, seu status operacional é atualizado automaticamente, feita através das macros enviadas pelos motoristas, permitindo que a capacidade disponível da frota reflita a situação real da operação. Da mesma forma, quando o veículo retorna às condições de uso, ele volta a integrar a capacidade operacional disponível”, ressaltou.
Com a consolidação dessas informações, também se amplia a visibilidade da operação. “Em um único ambiente, o gestor consegue acompanhar a localização dos veículos, o status operacional de cada caminhão e a disponibilidade de oficinas e fornecedores de apoio, reduzindo o tempo necessário para avaliar ocorrências e tomar decisões”, destacou.
O executivo ressaltou que esse modelo também reduz a dependência de planilhas, ligações telefônicas e grupos de mensagens para atualizar o andamento das operações, concentrando as informações em uma única base de dados. “A tendência é que o gestor deixe de procurar informações e passe a receber respostas. A disponibilidade da frota é um dos primeiros indicadores a seguir esse caminho”, disse.
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