Desde março, o combustível passou a ocupar o centro das discussões sobre custo logístico, margem operacional e previsibilidade financeira no transporte rodoviário de cargas
O preço do diesel voltou a pressionar as transportadoras nos últimos meses. Desde março, em meio ao aumento da volatilidade internacional do petróleo, o combustível passou a ocupar novamente o centro das discussões sobre custo logístico, margem operacional e previsibilidade financeira no transporte rodoviário de cargas.
Segundo o levantamento de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel S10 saiu de R$ 6,09 por litro na última semana de fevereiro e chegou a R$ 7,58 no pico observado em abril. A variação representa uma alta superior a 24% no período.
Na semana encerrada em 27 de junho, o preço médio apontado pela ANP era de R$ 7,05 por litro, já refletindo parte das reduções recentes, mas ainda distante do patamar anterior à escalada dos preços.
Na prática, porém, a pesquisa da ANP costuma levar algum tempo para refletir movimentos mais rápidos que ocorrem nas bombas, especialmente em postos de rodovia, que são determinantes para o custo real das operações de transporte. É nesse contexto que indicadores mais aderentes à realidade do transporte rodoviário de cargas ganham relevância, como o IPC.MLog, que combina uma diversidade maior de fontes de dados e acompanha de forma mais próxima os preços do segmento.
Com o alívio recente do petróleo Brent, que chegou a superar os US$ 115 por barril e agora está em torno dos US$ 72, o IPC.MLog já indica preços médios do diesel S10 abaixo de R$ 6,30 por litro na região Sul, com média nacional em torno de R$ 6,80. Esse movimento trouxe algum alívio para transportadoras, sobretudo após um período de forte pressão sobre o principal insumo do transporte rodoviário.
A notícia divulgada em 30 de junho, sobre o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro de diesel por parte do Governo Federal, naturalmente reacendeu a preocupação do setor. A subvenção fazia parte de um conjunto de medidas adotadas para amortecer o impacto da alta internacional dos combustíveis. Com a queda recente do petróleo, o governo iniciou a retirada gradual desses mecanismos.
Apesar do receio inicial, o movimento anunciado não deve, por si só, provocar uma alta imediata equivalente nas bombas. No mesmo dia, a Petrobras informou uma redução no preço do diesel em valor equivalente ao fim da subvenção.
Na prática, os R$ 0,35 retirados pelo governo foram compensados por um corte de aproximadamente R$ 0,35 no preço praticado pela estatal às distribuidoras. Ao contrário do temor inicial, se o petróleo permanecer em patamar mais baixo e não houver novos conflitos externos, o combustível no Brasil ainda deve continuar com sua trajetória de redução.
Em paralelo, o momento exige atenção a três fatores. O primeiro é a evolução do petróleo no mercado internacional, ainda sujeito a riscos geopolíticos. O segundo é o ritmo de retirada de outras medidas de subvenção ou desoneração que seguem em avaliação pelo governo. O terceiro é o comportamento efetivo dos preços nas bombas, especialmente em postos de rodovia, onde a operação das transportadoras de fato se realiza.
Para o gestor de frotas, o cenário segue exigindo gestão ativa, pois o combustível continua sendo uma variável fundamental para a competitividade e o principal custo do transporte. Monitorar preços por região, negociar com postos parceiros e usar dados para orientar as decisões de abastecimento são medidas cada vez mais importantes para preservar a margem. Tão relevante quanto isso é a execução na ponta, garantindo que os motoristas abasteçam justamente nos postos com as melhores negociações.
Portanto, a resposta para a pergunta inicial é: não, o diesel não deve voltar a subir automaticamente por causa do fim parcial da subvenção. A compensação feita pela Petrobras tende a neutralizar o impacto imediato. Os próximos dias parecem mais favoráveis para os custos do transporte rodoviário de cargas, mas a principal lição permanece: em um mercado volátil, quem acompanha melhor os dados consegue reagir antes, negociar melhor e proteger sua margem com mais eficiência.
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