O que você perdeu por não estar no Transporte do Futuro - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

O que você perdeu por não estar no Transporte do Futuro

Com a presença de quase 3 mil líderes do setor, 1ª edição do evento ocorreu nos dias 17 e 18 de junho em São Paulo e foi construída para ser uma experiência integral

Existem eventos que se acompanha pelo LinkedIn no dia seguinte — e existem eventos em que a ausência tem custo. O Transporte do Futuro foi do segundo tipo. Nos dias 17 e 18 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo, colocou em um único ambiente 2,8 mil executivos. Mas seria um erro reduzir o evento às mais de 30 plenárias, pois ele foi desenhado para ser uma experiência integral.

Foi a primeira edição de um evento criado para a figura central da cadeia: o transportador. E quem não esteve presente perdeu mais do que palestras — perdeu acesso a quem move o transporte.

Para quem não conseguiu comparecer, reunimos abaixo o que de mais relevante aconteceu nos dois dias, dentro e fora dos palcos. Mas já fica a dica: não deixe de participar da edição 2027!

ATRAÇÕES DO PALCO

Foram mais de 30 plenárias ao longo dos dois dias, distribuídas entre palco principal, trilhas por segmento e sessões simultâneas. Abaixo, você confere alguns destaques — que incluem discussões sobre questões regulatórias, Reforma Tributária, diesel, M&A e mais!

ANTT do futuro

Logo na abertura, o superintendente de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas da ANTT, José Aires Amaral Filho, sinalizou a migração da agência para uma fiscalização baseada em dados. “[A ANTT] pretende iniciar uma avaliação e mudar um pouco o perfil, sair dessa posição de comando e controle para uma regulação mais responsiva, onde a gente avalia as melhores práticas”, afirmou.

A transformação se apoia em um ecossistema que reúne documentos eletrônicos como o MDF-e. “[A ANTT] acredita que a decisão e a competitividade do setor logístico estão atreladas ao acesso a essas informações”, disse o executivo.

O que você perdeu por não estar no Transporte do Futuro
José Aires Amaral Filho, superintendente da ANTT (Foto: Line Audiovisual)

A fala veio em momento sensível — desde maio de 2026, o CIOT virou condição indispensável e foi vinculado ao MDF-e, com fretes abaixo do piso deixando de gerar o código.

O papel dos motoristas

Na plenária dedicada à jornada de trabalho dos motoristas, a desembargadora do Trabalho, Tereza Aparecida Asta Gemignani abordou aspectos jurídicos dessa questão. Segundo ela, as regras relacionadas a tempo e descanso dos trabalhadores devem ser aplicadas tanto a motoristas empregados quanto aos profissionais terceirizados.

Para lidar melhor com esse cenário e diminuir os riscos, Tereza aconselhou aos profissionais a estabelecer boas parcerias “baseadas em contratações em ética e boa fé”.

Além de integrar a plenária, a magistrada também participou da sessão de autógrafos do livro “Os efeitos da revolução digital no direito coletivo do trabalho”, lançado pela LTr Editora em 2024.

2026: O ano em que o eleitor é protagonista

A abertura do segundo dia coube ao comentarista político Caio Coppolla, que conectou segurança pública e transporte. “Cada vez mais eu tenho sido convidado a participar de eventos que têm ênfase na segurança, por causa de roubo de cargas e de questões da segurança pública que impactam diretamente a economia”, disse.

Ele também deixou um recado. “O eleitor é o protagonista de 2026. A partir da decisão que for tomada em outubro, o Brasil vai seguir por caminhos distintos.”

O segredo dos melhores do mundo

O CEO da nstech, Vasco Oliveira, usou duas décadas à frente da AGV e um estudo da McKinsey para pontuar o que as melhores operações têm em comum — modelos asset light, clientes certos, tecnologia, portfólio amplo e retenção de talentos.

“A estratégia é saber falar não. É preciso saber para quem você quer vender”, enfatizou.

Somou também densidade de malha (o “santo graal da logística”), cultura Lean e gestão de riscos. “O dia em que a gente [AGV] virou a chavinha para entender que gestão de risco era parte central da cultura da companhia, isso mudou completamente a maneira da gente enxergar o problema”, disse.

Multimodalidade e trilhas por segmento

Na multimodalidade, o CEO da Contrail, Rodrigo Paixão, usou um argumento de retenção. “Todo cliente que entrou no modelo multimodal continuou com a empresa. Foi complicado sair da rodovia. Porém, quando ele se adapta ao novo cenário, ele não quer deixar para trás”, disse.

A diretora-geral da GOLLOG, Patrícia Bello, orientou que se considere o modal aéreo pelo valor que ele proporciona. “É preciso encontrar a necessidade do cliente.”

Nas trilhas segmentadas, a Reforma Tributária dominou o agro, a digitalização apareceu como saída para a dimensão continental do país, e o varejo e a indústria reforçaram o mesmo ponto: tecnologia só entrega com gente capacitada. “Sem dados e sem tecnologia, é muito complexo”, enfatizou o diretor de Transportes da PepsiCo, Anderson Pinheiro.

Reforma Tributária

Tema dos dois dias, a Reforma Tributária foi abordada pelo CEO da Rumo BR, Rafael Brito, de forma enfática. “Faça um planejamento”, disse. “As mudanças não vão acontecer somente no departamento de contabilidade. Todos precisam estar na mesma página”.

Enquanto isso, o especialista da Praxio by nstech, Mauricio Consani, alertou para um período de transição “custoso” para quem não se capacitar.

“O Brasil não é para amadores”

O encerramento do primeiro dia reuniu Vasco Oliveira, o sócio-diretor da RC Sollis, Celso Queiroz, o CEO da AGV, Maurício Motta, e o CEO da Patrus, Marcelo Patrus, que defendeu o valor do transporte.

“A gente tem que pôr na cabeça que sem a transportadora o cliente não vendeu. […] Se nós não entregarmos, ela não vendeu”, disse Vasco, enfatizando que a virada cultural da década é a “colaboração em rede”.

O que NÃO vai mudar na logística até 2056

Em uma das plenárias mais provocativas, Leopoldo Suarez (nstech) e o head de Eventos da MundoLogística, Paulo Oliveira, inverteram a pergunta de praxe. “Tem coisas que não mudam. […] Todos esses fatores já existem há muito tempo”, disse Suarez.

As três frentes de melhor retorno, segundo eles, seguem básicas: rastreabilidade real, governança documental e dados de custo operacional. “Se você cuidar muito bem desses três pontos, daqui a 30 anos, certamente terá uma empresa saudável, estável e preparada para o futuro”, destacou o VP da nstech.

Diesel, ativos e prevenção

O CEO da Tigerlog, Marco Antonio Neves, disse que a discussão do diesel “nunca vai ser modismo enquanto tivermos caminhões movidos à combustão”, e o sócio-diretor da Avansat, Sérgio Raabe, resumiu a integração de sistemas: “a tecnologia é o rastreador”.

Na gestão de ativos, o CEO da Addiante, Fabio Leite, projetou um futuro “híbrido entre a locação ou compra”. E, na prevenção, o gerente da Transmaroni, Dilton Luiz, relatou redução de 100% na gravidade das ocorrências internas e zero acidentes em rodovias em 2024 e 2025. “Quando zeramos indicadores que existiam, temos a certeza de que estamos no caminho certo”, disse.

playbook de M&A

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Fernando Simões, CEO do Grupo Simpar (Foto: Line Audiovisual)

A agenda terminou com a plenária de fusões e aquisições, reunindo Vasco Oliveira e o CEO do Grupo Simpar, Fernando Simões. Para Simões, M&A é estratégia complementar. “A gente [SIMPAR] olha e busca aquisições que sejam complementares para desenvolver o nosso negócio, crescer, ganhar escala e fazer mais pelo Brasil”, explicou.

Vasco Oliveira, com mais de dez aquisições na bagagem, deu a regra base. “Só comprar empresa de gente séria […] Não existe negócio bom com gente ruim.”

ONDE O EVENTO VIROU NEGÓCIO

Se as plenárias deram a direção, foi nos outros espaços que o Transporte do Futuro entregou a promessa que estava no nome do evento. A concepção, descrita pela organização, apontava para um modelo em que a experiência do participante é pensada de forma integral — do acesso aos painéis técnicos à interação com empresas e profissionais ao longo dos dois dias.

Quem só assistiu de fora não viu essa metade.

Arena de negócios: Mais de 40 soluções a um corredor de distância

Em paralelo às sessões, o pavilhão concentrou uma área de exposição com mais de 40 soluções voltadas à eficiência e à digitalização do transporte. A arena de negócios foi concebida para aproximar transportadoras, embarcadores e fornecedores no mesmo espaço físico — sem agenda, sem intermediário.

Estavam presentes empresas de software, telemetria, locação de pesados, real estate logístico, contabilidade especializada, precificação de frete e muito mais. Foi a chance para o transportador comparar soluções do mercado lado a lado.

Matchmaking: As conversas que “precisam acontecer”

O que você perdeu por não estar no Transporte do Futuro
Sala de Matchmaking (Foto: Line Audiovisual)

Talvez o espaço mais subestimado por quem não foi. O Matchmaking é o sistema de conexões dirigidas do evento: antes dos dois dias, o participante acessa a plataforma, navega pelo catálogo de expositores e agenda reuniões de interesse mútuo, que acontecem em mesas reservadas, com 15 minutos cada.

O VP de Cliente, Estratégia e Mercado da nstech, Leopoldo Suarez, definiu a diferença entre isso e o networking de corredor. “Não é aquela conversa curiosa — são conversas efetivamente para ‘meter gol’, conversa para fechar negócio, conversa para criar conexões que não existiam”, disse.

Com uma plateia formada por decisores e líderes sênior, a expectativa era de centenas de reuniões ao longo do evento — cada uma com potencial real de virar contrato, ali ou nos dias seguintes. A partir das reuniões realizadas ao longo dos dois dias de evento, a estimativa de negócios para os próximos doze meses supera R$ 26 milhões.

As mentorias

Essa foi uma das grandes novidades da edição. Foram 11 salas temáticas limitadas a entre 20 e 25 participantes, com sessões de uma hora e meia conduzidas por nomes de destaque do mercado. As vagas eram exclusivas para o ingresso VIP.

“Como vão ser 20 pessoas, é quase uma reunião. São pessoas que já fizeram e vão estar, para esse público menor, disponíveis para conversar de forma profunda sobre algum determinado assunto”, explicou Suarez.

Entre os mentores confirmados estava o próprio executivo, com uma sessão sobre o uso efetivo da IA nas transportadoras, e Marcelo Patrus, abordando os diferenciais da logística fracionada (LTL). Ao todo, as mentorias tiveram mais de 250 participantes.

Sala VIP

Mais do que conforto e entrada prioritária, o diferencial da Sala VIP estava na companhia — os embarcadores de grandes empresas confirmados como painelistas circulavam por ali.

“Apesar de ser um evento focado para transportador, tem muitos embarcadores já confirmados no evento. Eles vão participar da Sala VIP. Então, quem tiver acesso ao ingresso VIP vai ter acesso a esses perfis”, pontuou Leopoldo Suarez.

Era também na Sala VIP que ficavam as salas de mentoria. Em um setor onde os relacionamentos certos abrem portas que o esforço individual não abre, esse foi o espaço de maior valor — e o mais difícil de reproduzir para quem ficou de fora.

Pesquisa exclusiva sobre o mercado

Quem esteve presente teve acesso, em primeira mão, a um levantamento exclusivo da MundoLogística com fundadores, presidentes e diretores-executivos de empresas dos mercados B2B e B2C. Entre os desafios de curto prazo apontados: compressão de margens, volatilidade de custos e escassez de mão de obra.

Para os próximos anos, os entrevistados defenderam uma mudança de mentalidade — seleção mais criteriosa de clientes e uso mais intenso de tecnologia.

O QUE A SUA AUSÊNCIA REALMENTE CUSTOU

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Transporte do Futuro (Foto: Line Audiovisual)

Some tudo: mais de 30 plenárias, trilhas por segmento, mais de 40 soluções na arena de negócios, centenas de reuniões de Matchmaking, mentorias em salas de no máximo 25 pessoas, uma Sala VIP cheia de embarcadores, uma pesquisa inédita… conteúdo se recupera — a gravação das palestras, inclusive, fez parte do ingresso. O que não se recupera é o resto: a reunião de 15 minutos que viraria contrato, a conversa de corredor que não estava no roteiro, o embarcador que você só encontraria ali.

Esse é o ponto que ficou da 1ª edição: o transportador brasileiro finalmente teve um evento à sua altura, e ele não cabia em um palco só. Quem esteve presente saiu com clareza sobre Reforma Tributária, governança, sucessão e tecnologia — e com conexões que dificilmente surgiriam de outra forma.

Quem não esteve agora sabe exatamente o que reservar na agenda da próxima vez.

Tags: Mundo Logística

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