Sinaceg destaca prevenção, infraestrutura e valorização dos motoristas como estratégias essenciais para reduzir riscos no transporte rodoviário
O combate eficiente ao roubo de cargas no Brasil precisa de articulação entre transportadores, órgãos públicos e legisladores. Este foi o principal apontamento do seminário realizado recentemente pela Câmara dos Deputados com representantes do setor logístico, autoridades da segurança pública e reguladores para discutir soluções integradas e eficazes diante de um dos maiores desafios do transporte rodoviário nacional.
O roubo de cargas ainda é risco no Brasil. Apesar de os números de ocorrências terem caído 60% entre 2017 e 2024 (de 25.950 para 10.478 ocorrências), segundo dados da NTC&Logística, a associação nacional do transporte de cargas, as cifras envolvidas aumentaram – o valor médio por roubo saltou de cerca de R$ 60 mil para mais de R$ 116 mil (93% a mais, quase o dobro).
“Se antes os crimes eram baseados em volume, hoje são orientados por inteligência: menos ataques, com foco em cargas de maior valor agregado e rotas logísticas mais vulneráveis”, diz o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, ao ressaltar a necessidade de prioridade em ações para mitigar o problema.
Entre os debates na Câmara, foi destaque a importância de alinhar o gerenciamento de riscos às experiências práticas dos transportadores, além da necessidade de ampliar a infraestrutura de apoio nas estradas. A instalação de Pontos de Parada e Descanso (PPDs) nas rodovias concedidas e a regulação de seguros obrigatórios também foram apontadas como medidas positivas para reduzir as vulnerabilidades e ampliar a proteção de cargas e motoristas.
“Todo investimento em prevenção é bem-vindo”, enfatiza Boizinho. “Mas é preciso pensar também na ponta: no motorista que está exposto diariamente a riscos, muitas vezes em trechos mal iluminados, sem apoio logístico e sob pressão de prazos. Segurança se faz com infraestrutura, fiscalização e respeito aos trabalhadores.”
Na mesma linha, o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, lembra que o combate ao crime precisa ser acompanhado de políticas públicas permanentes. “O setor de transporte procura fazer sua parte com rastreamento , seguros e protocolos rígidos , mas acreditamos que o poder público pode intensificar o policiamento nas rotas mais críticas , aplicar punição efetiva aos receptadores , obter e oferecer dados confiáveis para embasar as ações necessárias”.
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