Reforma tributária provoca salto no número de empresas do agro no Simples Nacional

Reforma tributária provoca salto no número de empresas do agro no Simples Nacional

Empresas do agro no Simples Nacional sobem 7,1%, sinalizando mais profissionalização e formalização entre pequenos produtores, diz o IBPT

A base de pequenos empreendedores do agronegócio tem passado por uma mudança nos últimos anos. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) revela que o número de empresas do setor enquadradas no Simples Nacional — regime tributário simplificado para micro e pequenas empresas — saltou de 395 mil no primeiro semestre de 2024 para 423 mil considerando o mesmo intervalo de 2025. O avanço representa um crescimento de 7,1%. 

A nova onda de abertura de empresas no campo coincide com um momento de transição regulatória: a reforma tributária. O novo regime entra em transição em janeiro de 2026 e estabelece mudanças nos sistemas de emissão de nota fiscal. 

Na visão do diretor de negócios do IBPT, Carlos Pinto, esse gatilho tem levado pequenos produtores a migrar para estruturas empresariais, buscando adequação, competitividade e segurança jurídica. “No momento em que aumenta a constituição de empresas, isso automaticamente demonstra uma ocupação maior e mais estruturada do setor. E os dados mostram uma profissionalização dos pequenos empreendimentos do agro”, disse.

Ele salienta que a mudança acontece à luz da reforma tributária e do impacto que ela terá sobre o regime de funcionamento dos produtores, principalmente dos pequenos. “Uma grande fatia dos produtores rurais está alocada como pessoa física. Eles têm menos obrigações acessórias, mas com a reforma vão ter que emitir notas fiscais, algo que hoje muitos não fazem. Então, a exigência dessa emissão exige um comportamento mais profissional, que é o que estamos observando”, explica.

Sudeste domina o mapa da formalização

Os dados mostram ainda que o avanço do Simples Nacional no agro se concentra na região Sudeste, com 47,3% de todas as empresas do setor enquadradas no regime — mais de 200 mil negócios ativos. 

A liderança se apoia principalmente em:

São Paulo: 95,8 mil empresas (22,6% do total nacional);
Minas Gerais: 56,4 mil (13,3%).
De acordo com Carlos, essa prevalência não indica um movimento atípico, mas reflete a distribuição geral das empresas no Brasil. “O Sudeste é campeão disparado em número de empresas em todos os segmentos. São mais de 22 milhões de empresas no País e, dessas, 18 milhões estão no Simples. Quando estratificamos, o Sudeste sempre aparece com participação maior. Então, esse aumento acompanha a tendência nacional”, explica.

Na sequência, aparece o Sul, com 19,3% das empresas. Depois, vem o Nordeste, com 17,1%. O Centro-Oeste concentra 10,7%, o que, conforme o IBPT, é reflexo de um perfil dominado por grandes grupos do agronegócio. 

70% das empresas foram abertas nos últimos 5 anos

Outro dado que chama atenção é a idade das empresas do agro no Simples Nacional. Entre as 423 mil que estavam ativas no primeiro semestre deste ano, 47% tinham até dois anos de existência e 25% entre três e cinco anos. Mais de 72% das empresas, portanto, são consideradas jovens — um indicador de renovação consistente no setor.

Para Carlos, esse fator reforça a tese de transformação estrutural. “O setor está se modernizando e se profissionalizando. Muitos produtores estão buscando no Simples uma forma rápida de se estruturar e acessar melhores contratos”, diz. Ele lembra que, em diversos elos da cadeia, empresas preferem fornecedores pessoa jurídica, o que acelera a formalização.

Para os próximos anos, a expectativa do IBPT é que a curva de empresas agro enquadradas no Simples Nacional permaneça ascendente. “A reforma tributária vai ser um gatilho. As empresas serão obrigadas a vender para outras empresas mediante a emissão de nota fiscal. Isso vai consolidar a tendência de criação de pessoas jurídicas no agro”, destaca Carlos.

Tags: Agro Estadão

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