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Notícias da semana

Na semana passada, o setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil mostrou sinais de recuperação, mas também evidenciou desafios estruturais e oportunidades para reforma.

Segundo pesquisa da NTC&Logística, a demanda pelo modal rodoviário registrou uma melhora significativa até o dia 3 de maio, com uma retração de 41,41% em relação aos níveis anteriores à pandemia — ainda elevada, mas em franco recuo em comparação com a queda de 44,8% observada na semana anterior. O transporte rodoviário, responsável por cerca de 64% da movimentação de mercadorias em solo nacional, segue como a espinha dorsal da logística.

O agronegócio segue sendo o principal impulsionador da atividade: o aumento de 5,3% na movimentação de cargas do setor em 2024, especialmente de soja e fertilizantes, animou os operadores. No entanto, a introdução de etiquetas eletrônicas como exclusivo meio de pagamento em pedágios tem gerado preocupação. A Associação Nacional dos Transportadores de Cargas (ANATC) advertiu sobre o risco de “colapso logístico” — sobretudo durante o pico da colheita — devido à falta de tempo para adaptação ao novo sistema.

A infraestrutura segue em expansão e modernização. O Ministério dos Transportes assinou contratos de concessão no Paraná que totalizam quase R$ 100 bilhões em investimentos, além de lançar um portal com dados mais detalhados sobre o transporte rodoviário de cargas — iniciativas que prometem melhorar planejamento e transparência.

Mas persistem os obstáculos. Um estudo da SH Consultoria calcula que o custo anual do transporte de cargas no Brasil chega a R$ 1,3 trilhão, evidenciando um “apagão logístico” que mina a competitividade do setor, especialmente no agronegócio. As causas apontadas incluem infraestrutura insuficiente e a concentração sazonal da colheita de soja, que provoca filas, atrasos e eleva custos operacionais.

Além disso, a comercialização de caminhões novos cresceu 17,4% em 2024, mas a transição para veículos sustentáveis ainda avança lentamente. Pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) revelou que ações com combustíveis alternativos e caminhões elétricos continuam sendo pouco consideradas na renovação das frotas.

O transporte rodoviário de cargas no país enfrenta um momento de reação e ajustes: a demanda começa a se restabelecer, novos recursos chegam à infraestrutra, mas os gargalos logísticos, custos elevados e a lenta adoção de soluções verdes exigem respostas rápidas e coordenadas entre governo, setor privado e entidades representativas.

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