Na véspera da saída de Haddad, governo se depara com ameaça de greve de caminhoneiros - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

Na véspera da saída de Haddad, governo se depara com ameaça de greve de caminhoneiros

Aumento de R$ 0,38 no preço do litro do diesel para as distribuidoras anunciado pela Petrobras ofuscou efeitos da medida provisória que zerou o PIS/Cofins do produto importado. O Planalto tem dificuldades para negociar com lideranças da categoria, pulverizadas em associações locais

Mesmo que ainda não se tenha um movimento grevista deflagrado por caminhoneiros insatisfeitos com o preço do diesel, a simples ameaça de paralisação tem sido acompanhada “com lupa e atenção total” pelo governo. O temor é de que uma greve provoque efeitos sobre a economia, com impactos na inflação, além de arranhões no discurso de equilíbrio que será enfatizado nas campanhas, tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à reeleição, quanto do ministro Fernando Haddad (Fazenda), que deve deixar o cargo nesta quinta-feira, 19, para se lançar na disputa pelo governo de São Paulo.

Uma das preocupações do Planalto se refere à dificuldade de diálogo com os caminhoneiros. O governo carece de articulação com as lideranças do setor, principalmente por não conhecê-las, pois são pulverizadas em associações locais, mas com um poder mobilização muito grande através das redes sociais e de grupos de mensagens nos aplicativos. O governo sabe que, apesar de não haver uma liderança com projeção nacional, a categoria tem capacidade de fazer uma greve se alastrar pelos estados.

O Planalto trabalha para evitar a repetição da greve de dez dias dos caminhoneiros que, em 2016, atingiu todo o país e provocou a maior crise do governo Temer, que lançou mão até de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para intervenção dos militares no movimento da categoria. Essa paralisação teve efeitos negativos até para o PIB (Produto Interno Bruto). 

“Sem inércia”
No discurso político, alguns pontos já estão definidos em caso de deflagração da greve e, se necessário, estarão nas falas de Lula, dos ministros de áreas afins e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

O primeiro ponto é demonstrar que o governo não ficou inerte diante do agravamento do cenário internacional e seus efeitos no país, enfatizando a medida provisória MP 1340/2026, editada na semana passada, que zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do diesel até o final desse ano.

Logo após o governo divulgar a medida, no entanto, a Petrobras anunciou um reajuste de R$ 0,38 no litro do diesel para as distribuidoras devido à disparada do petróleo, com o barril cotado acima de US$ 100 no mercado internacional. Dentro do governo, houve frustração com esse aumento, pois provocou o temor de que as medidas se tornem inócuas para controlar o preço nas bombas. “Não esperou nem uma semana”, reclamou um governista, ao comentar a elevação no preço que passou a valer no sábado,14.

Cobrança aos governadores
Outro ponto será de cobrança aos governadores por gestos semelhantes que abram mão de impostos estaduais. Nesta terça, o governo teve o primeiro sinal negativo dos estados. Por meio do Comsefaz (Conselho de Secretários de Fazenda), os governadores rejeitaram o pedido de Lula pela redução do ICMS sobre o diesel, alegando perdas acumuladas e defesa da receita estadual.

Esse contexto é importante porque estabelece um contraponto entre Haddad e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que será candidato à reeleição. O contraste certamente será explorado por Haddad na campanha.

Fiscalização
Para se combater a ideia de que as medidas foram insuficientes, o governo também pretende adotar o discurso de apoio aos órgãos fiscalizadores de abuso econômico por parte dos postos de combustíveis, citando a criação no âmbito do Ministério de Minas e Energia de uma “sala de monitoramento do abastecimento”, que acompanha diariamente as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis, em coordenação com os órgãos reguladores.

Nesta terça-feira, 17, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou o modelo das novas placas que deverão ser exibidas por postos de combustíveis, indicando o subsídio do governo ao diesel. A discriminação consta no Decreto 12.876/2026, que regulamenta o combate à especulação e aos preços abusivos, editado junto com a MP do Diesel. O texto estabelece que os benefícios que zeram as alíquotas deverão ser informados ao consumidor “sob a forma de placa, de maneira clara e visível, nas revendas varejistas de combustíveis”.

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