Presidente da Abrava afirma que paralisação decorre de custos elevados e rejeita associação com disputas partidárias
A alta nos preços do diesel pode ser o estopim de uma nova greve dos caminhoneiros. Em 2018, a paralisação de dez dias dos transportadores retirou 1,2 ponto porcentual do crescimento do Produto Intererno Bruto (PIB) do ano, segundo estimativas do Ministério da Fazenda na época. O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Autônomos, Wallace Landim, diz que o contexto do estado de greve agora em 2026 é o mesmo: econômico.
O dirigente afirmou que, assim como naquele período, a atual mobilização está ligada ao aumento dos custos e às dificuldades de sobrevivência da categoria.
Landim destacou que, diferentemente de movimentos posteriores, que tiveram cunho político e acabaram esvaziados pelos caminhoneiros autônomos, a mobilização atual tem foco nas condições de trabalho dos transportadores autônomos. “Nós defendemos a nossa categoria”. “Não participamos de pauta política”, afirmou.
Durante o governo Bolsonaro, houve duas ameaças de greve dos caminhoneiros. Após os atos de 7 de setembro de 2021, caminhoneiros bolsonaristas bloquearam alguns pontos de estradas no país em protestos contra o Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, a AGU e o Judiciário atuaram para liberar as rodovias. Em 2022, após a derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva, caminhoneiros bloquearam estradas em diversos estados do país contra o resultado das eleições.
Mobilização atual
Entre as principais reivindicações estão medidas para assegurar o custo mínimo operacional e mecanismos de controle de fretes, pauta que, segundo ele, já é discutida há cerca de oito anos. O preço dos combustíveis aparece como um dos fatores centrais da insatisfação. O dirigente defende ações coordenadas entre governo federal e estados para reduzir o impacto dos custos sobre os caminhoneiros.
Além disso, a categoria cobra maior fiscalização no setor e medidas que garantam previsibilidade na atividade. A avaliação é que a pressão sobre o poder público é necessária diante do cenário atual. Landim argumenta que atender às demandas dos caminhoneiros pode gerar efeitos positivos para a população, ao reduzir custos logísticos e evitar distorções no mercado.
Como proposta, ele sugere a criação de um gabinete de crise com participação de diferentes setores, incluindo transporte e agronegócio, para enfrentar o problema de forma conjunta.
A categoria segue em estado de alerta enquanto aguarda respostas do governo, reforçando que a mobilização está centrada em questões econômicas.
Diferenças entre 2018 e 2026
Apesar do preço do diesel ser a peça-chave das mobilizações, em 2018, a escalada do diesel ocorreu com base na política de preços da Petrobras. Na ocasião, a companhia fazia reajustes acompanhando o preço do mercado internacional. Desde que a Petrobras iniciou uma nova política de preços para os combustíveis, em 3 de julho de 2017, até o primeiro dia da greve dos caminhoneiros, o óleo diesel teve alta de 56,5% na refinaria, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Agora, a alta dos combustíveis está ligada diretamente ao conflito no Oriente Médio. No Brasil, a Petrobras ajustou o preço do diesel para as distribuidoras em mais de 10%, mas os transportadores se preocupam com um desabastecimento devido aos ataques à infraestrutura petroleira no Golfo Pérsico.
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