Quais são os principais desafios enfrentados pelos transportadores de cargas rodoviárias no Brasil atualmente?
Muitos são os gargalos. Destaco: infraestrutura rodoviária: Vivemos num país continental, muito dependente do transporte rodoviário, mas ainda carente de estradas com boa trafegabilidade. Em vários locais, falta pavimentação, a manutenção preventiva é praticamente inexistente, e a manutenção corretiva é muitas vezes feita de forma inadequada; segurança pública: Além de a maior parte dos locais de descanso e pernoite serem insalubres, muitos trechos de rodovias são altamente vulneráveis a assaltos e violência de toda sorte; segurança jurídica, fiscal e tributária: A falta de regras claras e as alterações constantes criam um ambiente de alto risco, tornando o planejamento de longo prazo uma tarefa quase impossível; e instabilidade econômica: Assim como em outros setores, a insegurança econômica em geral (juros, câmbio e afins) priva as empresas transportadoras de um ambiente com previsibilidade, o que é fundamental para programar ações futuras.
Como a ANATC tem contribuído para a melhoria das políticas desse modal no país?
A associação, fundamentalmente, quer apresentar a realidade diária dos transportadores no Brasil ao Legislativo, Executivo e Judiciário. Ao dar voz aos associados para que descortinem os desafios que enfrentam, em essência, dá insumos para que as decisões dos três poderes da República venham de encontro ao que efetivamente é vivido nas estradas do Brasil.
Qual a importância da união dos transportadores de cargas para o desenvolvimento do setor?
O transporte rodoviário, na essência, tem vários segmentos no mesmo setor. É muito importante, de fato, que tenhamos políticas e estratégias que sejam bem direcionadas. A união de, pelo menos, alguns segmentos em prol de objetivos em comum são fundamentais. O caminho é a união, pelo menos das empresas nos mesmos segmentos.
Quais ações estão sendo tomadas pela associação para enfrentar os problemas de segurança no setor de transporte?
Nossa principal ação, no quesito segurança, é ter a representação em Brasília, tendo voz para acessar os mais diversos setores da segurança pública do Brasil, em especial, as Policiais Federal, Civil e Militar. Estamos em parcerias com essas forças e também com o Judiciário, mostrando as nossas dificuldades, anseios e, principalmente, a grande vulnerabilidade dos nossos motoristas e caminhões nas estradas brasileiras. Há ainda muitos gargalos e segurança pífia. Queremos mostrar isso para as forças de segurança pública.
Quais iniciativas a ANATC tem implementado para fortalecer a sustentabilidade no transporte de cargas?
Estar em grupo, em associação já, por si, é um ato defortalecimento das empresas do setor. Reforça o querer de a algo sustentável, que perpetue. O associativismo tem esse papel. É um das grandes ações da Associação, fortalecer todos os associados, dando oportunidades de ter acesso a informações variadas, desde questões governamentais até empresariais de interesse de todos.
Como a associação auxilia suas empresas associadas a se adaptarem a novas regulamentações do setor?
A principal ação da associação é participar já na elaboração e desenvolvimento das regulamentações para que não haja nada impossível de ser praticado. Quero ações que auxiliem melhor as iniciativas, que sejam efetivas, como empresa. As regulamentações devem ajudar a coibir desvios. Na ordenação nossa participação é crucial desde o início.
Qual a visão da ANATC para o futuro do agronegócio brasileiro em relação ao transporte de cargas?
O transporte rodoviário é fundamental para qualquer segmento econômico, principalmente, em um país continental como o Brasil. No agronegócio, o grande motor da economia brasileira, e de grande importância para o mundo, é cada vez mais importante empresas fortes e sustentáveis no setor, promovendo crescimento como um tudo. Não há como pensar o agro sem transporte e vice-versa. Tudo melhora quando melhoramos a infraestrutura, seja em portos e estradas. Essa interdependência não acabará nunca. O ferroviário e o fluvial não conseguem chegar às fazendas. Não tem como pensar no todo sem pensar no rodoviário.
Quais são os maiores avanços que a associação conquistou desde sua fundação?
Desde a fundação, em 2018, a Associação tem feito um trabalho sério em prol do mercado e dos associados. São muitos os avanços, entre eles, participação na elaboração de regulamentações, auxílios a institutos, como o IBL (Instituto Brasil Logística). Nossa presença é marcante no território nacional. Mas acima de tudo, a conquista da Associação é a união dos associados. Temos trabalhado muito forte nessa direção. Associados que, antes, eram concorrentes e estranhos entre si, hoje, realmente, têm dentro de uma condição legal, uma relação muito boa. Gargalos em comum a todos são abertamente discutidos entre os associados.
Em sua opinião, como a parceria os principais representantes do setor podem ser aprimorados?
Assim como nosso segmento tem a associação, outros setores também possuem já tem, talvez, até nós estejamos um pouco atrasados comparado a outros setor com associações mais antigas. Não consigo entender diferente. Da mesma maneira que as empresas se unem em associações com objetivos incomuns. Essa interdependência é algo que não vai acabar nunca. Os produtos não vão sair das indústrias se não houver transporte, e vice-versa. E os produtos não vão chegar aos consumidores. É um elo de uma corrente como um todo. Se um elo falta, a corrente quebra. Não há como não pensar essa parceria não aumente. Aprimorar é sentar à mesa, saber da existência dessas associações, falar do que elas representam para que as questões em comum estejam claras, à medida que precisemos discutir determinados assuntos, que você saiba quais entidades representativas você deve procurar. É muito importante o que a associação faz.
Quais são os projetos futuros que a ANATC tem para expandir sua atuação e impactar positivamente o setor de transporte?
A principal ambição nossa, como associação, ser cada vez mais a voz do segmento de transporte de cargas para os Poderes Executivos, Legislativos e Judiciários, agências reguladoras e a sociedade como um todo. Queremos falar das nossas dores, do que fazemos de bom, escutar o que podemos melhorar em nível de representatividade para que possamos ajudar ainda mais. A medida que o tempo vai passando, estou certo de que, cada vez mais, vamos conseguir nos fortalecer. É um trabalho sério e correto em prol do setor.
Fonte: ANATC