Entrevista Presidente da ANATC, Elisandro Rodrigo Antunes. - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

Entrevista Presidente da ANATC, Elisandro Rodrigo Antunes.

Quais são os principais desafios enfrentados pelos transportadores de cargas rodoviárias no Brasil atualmente?

Muitos são os gargalos. Destaco: infraestrutura rodoviária: Vivemos num país continental, muito dependente do transporte rodoviário, mas ainda carente de estradas com boa trafegabilidade. Em vários locais, falta pavimentação, a manutenção preventiva é praticamente inexistente, e a manutenção corretiva é muitas vezes feita de forma inadequada; segurança pública: Além de a maior parte dos locais de descanso e pernoite serem insalubres, muitos trechos de rodovias são altamente vulneráveis a assaltos e violência de toda sorte; segurança jurídica, fiscal e tributária: A falta de regras claras e as alterações constantes criam um ambiente de alto risco, tornando o planejamento de longo prazo uma tarefa quase impossível; e instabilidade econômica: Assim como em outros setores, a insegurança econômica em geral (juros, câmbio e afins) priva as empresas transportadoras de um ambiente com previsibilidade, o que é fundamental para programar ações futuras.

Como a ANATC tem contribuído para a melhoria das políticas desse modal no país?

A associação, fundamentalmente, quer apresentar a realidade diária dos transportadores no Brasil ao Legislativo, Executivo e Judiciário. Ao dar voz aos associados para que descortinem os desafios que enfrentam, em essência, dá insumos para que as decisões dos três poderes da República venham de encontro ao que efetivamente é vivido nas estradas do Brasil.

Qual a importância da união dos transportadores de cargas para o desenvolvimento do setor?

O transporte rodoviário, na essência, tem vários segmentos no mesmo setor. É muito importante, de fato, que tenhamos políticas e estratégias que sejam bem direcionadas. A união de, pelo menos, alguns segmentos em prol de objetivos em comum são fundamentais. O caminho é a união, pelo menos das empresas nos mesmos segmentos.

Quais ações estão sendo tomadas pela associação para enfrentar os problemas de segurança no setor de transporte?

Nossa principal ação, no quesito segurança, é ter a representação em Brasília, tendo voz para acessar os mais diversos setores da segurança pública do Brasil, em especial, as Policiais Federal, Civil e Militar. Estamos em parcerias com essas forças e também com o Judiciário, mostrando as nossas dificuldades, anseios e, principalmente, a grande vulnerabilidade dos nossos motoristas e caminhões nas estradas brasileiras. Há ainda muitos gargalos e segurança pífia. Queremos mostrar isso para as forças de segurança pública.

Quais iniciativas a ANATC tem implementado para fortalecer a sustentabilidade no transporte de cargas?

Estar em grupo, em associação já, por si, é um ato defortalecimento das empresas do setor. Reforça o querer de a algo sustentável, que perpetue. O associativismo tem esse papel. É um das grandes ações da Associação, fortalecer todos os associados, dando oportunidades de ter acesso a informações variadas, desde questões governamentais até empresariais  de interesse de todos.

Como a associação auxilia suas empresas associadas a se adaptarem a novas regulamentações do setor?

A principal ação da associação é participar já na elaboração e desenvolvimento das regulamentações para que não haja nada impossível de ser praticado. Quero ações que auxiliem melhor as iniciativas, que sejam efetivas, como empresa. As regulamentações devem ajudar a coibir desvios. Na ordenação nossa participação é crucial desde o início.

Qual a visão da ANATC para o futuro do agronegócio brasileiro em relação ao transporte de cargas?

O transporte rodoviário é fundamental para qualquer segmento econômico, principalmente, em um país continental como o Brasil.  No agronegócio, o grande motor da economia brasileira, e de grande importância para o mundo, é cada vez mais importante empresas fortes e sustentáveis no setor, promovendo crescimento como um tudo. Não há como pensar o agro sem transporte e vice-versa. Tudo melhora quando melhoramos a infraestrutura, seja em portos e estradas. Essa interdependência não acabará nunca. O ferroviário e o fluvial não conseguem chegar às fazendas. Não tem como pensar no todo sem pensar no rodoviário.

Quais são os maiores avanços que a associação conquistou desde sua fundação?

Desde a fundação, em 2018, a Associação tem feito um trabalho sério em prol do mercado e dos associados. São muitos os avanços, entre eles, participação na elaboração de regulamentações, auxílios a institutos, como o IBL (Instituto Brasil Logística). Nossa presença é marcante no território nacional. Mas acima de tudo, a conquista da Associação é a união dos associados. Temos trabalhado muito forte nessa direção. Associados que, antes, eram concorrentes e estranhos entre si, hoje, realmente, têm dentro de uma condição legal, uma relação muito boa. Gargalos em comum a todos são abertamente discutidos entre os associados.

Em sua opinião, como a parceria os principais representantes do setor podem ser aprimorados?

Assim como nosso segmento tem a associação, outros setores também possuem já tem, talvez, até nós estejamos um pouco atrasados comparado a outros setor com associações mais antigas. Não consigo entender diferente. Da mesma maneira que as empresas se unem em associações com objetivos incomuns. Essa interdependência é algo que não vai acabar nunca. Os produtos não vão sair das indústrias se não houver transporte, e vice-versa. E os produtos não vão chegar aos consumidores. É um elo de uma corrente como um todo. Se um elo falta, a corrente quebra. Não há como não pensar essa parceria não aumente. Aprimorar é sentar à mesa, saber da existência dessas associações, falar do que elas representam para que as questões em comum estejam claras, à medida que precisemos discutir determinados assuntos, que você saiba quais entidades representativas você deve procurar. É muito importante o que a associação faz.

Quais são os projetos futuros que a ANATC tem para expandir sua atuação e impactar positivamente o setor de transporte?

A principal ambição nossa, como associação, ser cada vez mais a voz do segmento de transporte de cargas para os Poderes Executivos, Legislativos e Judiciários, agências reguladoras e a sociedade como um todo. Queremos falar das nossas dores, do que fazemos de bom, escutar o que podemos melhorar em nível de representatividade para que possamos ajudar ainda mais. A medida que o tempo vai passando, estou certo de que, cada vez mais, vamos conseguir nos fortalecer. É um trabalho sério e correto em prol do setor.

Fonte: ANATC

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