A Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados recebeu, nesta terça-feira (9), os resultados da pesquisa “Realidade do Caminhoneiro Autônomo 2025”, realizada pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).
O estudo, em sua 3ª edição, traz um diagnóstico abrangente sobre as condições de trabalho, desafios e percepções dos caminhoneiros autônomos em todo o país. O diretor de Relações Institucionais da FRENLOGI, Edinho Bez, acompanhou a apresentação.

A pesquisa, de caráter nacional, foi realizada entre junho e agosto de 2025, em 44 pontos estratégicos de fluxo de caminhoneiros — como postos de combustível, pontos de parada (PPDs) e centros de carga. Ao todo, 2.002 transportadores autônomos foram entrevistados nos 12 estados que compõem as cinco regiões do país.
O levantamento analisou:
- Perfil social e profissional
- Jornada de trabalho
- Situação dos veículos
- Segurança nas estradas
- Saúde e bem-estar
- Aspectos legais e de remuneração, incluindo piso mínimo do frete e vale-pedágio obrigatório.
Um dos dados que chamaram atenção é que 52% dos caminhoneiros não recebem o vale-pedágio via TAG, mesmo após a obrigatoriedade prevista na legislação.
O presidente da CNTA, Diumar Bueno, ressaltou que a pesquisa traz um panorama livre de estereótipos, permitindo compreender com precisão a realidade da categoria. “Estamos comprometidos em evoluir para melhorar as condições dos profissionais”, afirmou.
O coordenador de Relações Parlamentares da CNTA, Alan Medeiros, detalhou os resultados da terceira edição do estudo, reforçando que muitos desafios permanecem historicamente inalterados — como infraestrutura precária, insegurança e dificuldades no cumprimento da legislação de frete e pedágio.
Representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) destacaram a complexidade do cenário enfrentado pelos transportadores autônomos.
O coordenador de Policiamento e Fiscalização, Vitor Fernandes Soares, enfatizou a vulnerabilidade da categoria:
“Independentemente de ser autônomo, é um trabalhador que busca o sustento da família. Temos acompanhado a PEC que trata do setor e atuamos para garantir segurança viária. Cerca de 71% dos caminhoneiros já passaram por situações de sinistro.”
O policial também citou ações de combate ao roubo de cargas, apontando que regiões como o Rio de Janeiro chegaram a enfrentar retração de seguradoras devido à violência.
O chefe substituto da Divisão de Fiscalização de Transporte, Alex Sander Casati, reforçou que, apesar da dimensão territorial do país e das limitações operacionais, a PRF mantém ações constantes para apoiar a rotina dos caminhoneiros e salvar vidas.
O coordenador-geral de Operações Rodoviárias do DNIT, Leonardo Silva Rodrigues, também participou da audiência.
Leônidas afirmou que o Brasil tem apenas 12% das rodovias pavimentadas, número muito inferior ao de países com economias comparáveis.
Ele alertou ainda para o estado crítico de pontes, viadutos e outras obras de arte, muitas das quais não foram planejadas para o volume e o peso dos veículos que hoje circulam.
A pesquisadora Adriana Mendes, tecnologista do Ministério da Saúde, apresentou o Programa Saúde do Homem, vinculado à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), criada em 2009.
Ela destacou que a realidade retratada pela pesquisa coincide com o que as equipes de saúde têm encontrado nas estradas: jornadas longas, estresse, alimentação irregular e dificuldades de acesso a serviços básicos.
Atualmente, 229 pontos de parada (PPDs) oferecem atendimento e apoio aos caminhoneiros.
A representante também antecipou que o Ministério da Saúde lançará uma ação específica voltada ao público masculino nas rodovias, especialmente nos pontos de parada.
Confira o lançamento da pesquisa na Comissão de Viação e Transporte, clique aqui
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