Prejuízos já chegam a R$ 1.800 por hectare no Norte do Estado, com perdas por grãos avariados e descontos por alta umidade
As chuvas no período de colheita da soja e da semeadura do milho segunda safra estão castigando os produtores em Mato Grosso. São mais de 30 dias de chuvas intensas e contínuas, o que tem dificultado o avanço das máquinas no campo. Até o momento, foi colhida 66% da área semeada com soja no Estado.
Segundo a Aprosoja Mato Grosso, o excesso de chuva tem impedido a retirada dos grãos no momento ideal, reduzindo a produtividade e elevando os índices de avarias. Em muitas propriedades a deterioração é visível, com soja brotando nas vagens e grãos acima do padrão de umidade exigido pelos armazéns.
No extremo Norte do Estado a situação é grave. A região recebeu um volume de chuva intenso nos últimos 20 dias. Um levantamento do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura de Marcelândia já contabiliza prejuízos de aproximadamente R$ 1.800 por hectare, considerando perdas com grãos avariados e descontos por conta da alta umidade.
”Aqui nós tivemos um plantio bem lento devido ao déficit hídrico de setembro para outubro e isso agora resultou em uma colheita mais vagarosa. Há produtores que colheram 100% da sua área, outros 70% e alguns que só agora estão chegando em torno de 50%, porém todos eles nos relataram que tiveram perdas por avarias e também pela alta umidade do grão, devido às fortes chuvas nos últimos 20 dias”, relata Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja-MT, sobre a situação no município de Marcelândia.
Chuvas reduzem qualidade da soja em MT e travam escoamento da safra
Classificação do grão
A situação é vista com preocupação pelo vice-presidente da Aprosoja-MT, Luiz Pedro Bier, pois tem ampliado os prejuízos do produtor rural em virtude dos descontos na classificação da soja. “Em diversas regiões, produtores relatam que os descontos aumentam a cada dia de atraso, tornando difícil até mesmo estimar o prejuízo antes da entrega nos armazéns”, destacou o comunicado divulgado pela entidade.
A Aprosoja-MT recomenda, para esses casos de descontos na classificação do grão, que os produtores busquem a ajuda do Classificador Legal — um programa disponibilizado pela associação que confere a classificação da soja. “Basta entrar em contato pelo Canal do Produtor que enviaremos um classificador para tirar dúvidas e dar mais segurança nesse momento”, explicou.
Impactos na logística
A chuva em acesso também vem atrapalhando o escoamento do grão. Grande parte das estradas rurais não tem pavimentação e a chuva provocou atoleiros, quedas de pontes de madeira e interrupções no tráfego. Também há relatos de filas gigantescas nos armazéns, que também enfrentam dificuldades para receber grãos com umidade elevada.
“Nós temos caminhões com mais de três dias em filas esperando passar por algum atoleiro, isso com grão úmido e já avariado dentro da carga, comprometendo ainda mais a qualidade da entrega”, explica Bertuol.
Municípios como Feliz Natal, Matupá e Marcelândia já decretaram situação de emergência, autorizando ações emergenciais para conter os impactos das chuvas sobre a infraestrutura local e o setor produtivo.
Tags: AGRO ESTADÃO

