Retirada da tarifa retaliatória à soja norte-americana entra em vigor dia 10 de novembro
A comissão de tarifas do Conselho de Estado da China anunciou, nesta quarta-feira, 05, que removerá as tarifas de até 15% impostas a determinados produtos agrícolas dos Estados Unidos (EUA). Após a reunião da semana passada entre Donald Trump e Xi Jinping, apenas o governo norte-americano tinha se pronunciado.
A China informou que irá manter as taxas de 10% adotadas em resposta às tarifas do “Dia da Libertação” do presidente norte-americano. Para a soja norte-americano, porém, irá vigorar uma tarifa de 13%. As medidas começam a valer em 10 de novembro.
A analista da AgRural, Daniele Siqueira, lembrou que embora a confirmação por parte da China tenha saído nesta quarta e “esteja causando certo burburinho”, os EUA já tinham antecipado que as tarifas impostas pelos chineses iriam ser reduzidas, sem serem eliminadas.
Segundo explica a especialista, antes do encontro entre os líderes das duas potências econômicas, a tarifa paga pela soja norte-americana para entrar na China era de 23%. Sendo:
3% de tarifa geral que todos os países exportadores pagam
10% de tarifa retaliatória
10% de tarifa recíproca
“A tarifa que caiu agora é a retaliatória. Por isso, a soja norte-americana segue pagando 13% de tarifa para entrar na China”, destacou a analista de mercado, ressaltando que, mesmo com a retirada da tarifa retaliatória, a soja brasileira segue mais competitiva para entrar na China.
Conforme dados apurados pela AgRural, a soja brasileira destinada ao embarque em dezembro chega à China cerca de US$ 45 por tonelada mais barata do que a soja embarcada pelos portos do Pacífico Noroeste (PNW), nos EUA. “Se não fosse a tarifa, os preços seriam praticamente os mesmos, com os Estados Unidos ligeiramente mais baratos”, indica Siqueira.
A especialista acredita que, diante do cenário, as estatais chinesas tendem a comprar soja norte-americana, assim como verificado na semana passada. No entanto, ela não acredita que empresas privadas farão esse movimento. “Teremos que ver como as coisas vão se desenrolar daqui em diante, se haverá confirmação de compras chinesas nos EUA e os volumes dessas compras”, salienta.

