Fernando Pimentel ressaltou que a iniciativa mira a sustentabilidade da agropecuária brasileira e que é necessário promover a imagem correta do país
O embaixador e diretor do Departamento de Política Comercial do Ministério das Relações Exteriores, Fernando Pimentel, disse que o governo brasileiro precisa ser “firme” e “claro” na atuação contra a investigação comercial dos Estados Unidos contra setores econômicos, pela seção 301 da lei americana do comércio. Ele ressaltou que a iniciativa mira a sustentabilidade da agropecuária brasileira e que é necessário promover a imagem correta do Brasil.
“É a maior investigação já feita, geralmente trata de apenas um setor. Essa investigação contra o Brasil atinge seis setores e a sustentabilidade da agricultura brasileira. Precisamos ser firmes e claros, demonstrar que a agricultura brasileira não destrói para aumentar a produtividade e suas exportações, por ser baseada em ciência, ajuda a alimentar o mundo, com crescimentos impressionantes de produtividade”, disse durante painel no evento Agro Horizonte, promovido pela Globo Rural em Brasília, nesta quarta-feira (29/10).
“A agricultura tropical do Brasil é uma grande revolução, feita com outras premissas, outras necessidades, é diferente, não tem o inverno que congela”.
Pimentel, que será embaixador do Brasil na Coreia do Sul em breve, disse que é preciso “apresentar os fatos” sobre o setor produtivo e as diferenças que existem para produzir no Brasil em relação ao hemisfério norte do planeta.
“A opinião pública global é muito formada na Europa e EUA. É importante conseguir passar a mensagem de que há uma agricultura diferente sendo feita no mundo. A agricultura tropical do Brasil é uma grande revolução, feita com outras premissas, outras necessidades, é diferente, não tem o inverno que congela. Essa agricultura precisa ser melhor entendida pelos formadores de opinião”, apontou.
Falta de previsibilidade
Para Fernando Pimentel, o comércio global está “meio de cabeça para baixo”, com a fragilização de regras que norteavam os negócios externos até então, o que exige a intensificação das negociações bilaterais e setoriais.
“Com a fragilização das regras de comércio que davam previsibilidade, clareza, segurança, vemos como isso faz falta”.
Segundo ele, esse ambiente prejudica a “previsibilidade” do comércio e afeta diretamente setores como o agronegócio. “Como o produtor vai investir sem certeza, como produzir mais alimentos sem ter a clareza de que o que planta hoje daqui seis meses ou mais tempo terá mercado. É um momento muito instável”, completou.

