Em 2025, exportações de produtos agropecuários do Brasil para a Bolívia somaram US$ 401,53 milhões
Autoridades e representantes do setor privado do Brasil e da Bolívia defenderam o reforço da cooperação bilateral em segmentos como logística, produção agropecuária e pesquisa e tecnologia. Os assuntos estiveram em discussão durante o Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.
O evento reúne delegações empresariais dos dois países, além de autoridades dos dois governos. Integra a agenda oficial da visita de estado do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, ao Brasil. Na segunda-feira (16/3), Paz esteve em Brasília, onde se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro do Desenvolvimento Produtivo, Rural e Água da Bolívia, Óscar Mário Justiniano Pinto, disse que o país tem cadeias produtivas importantes e de valor, que podem se desenvolver com uma visão de que produtores locais consigam deixar a linha de pobreza.
“A Bolívia tem uma situação agroalimentar capaz de gerar grandes recursos. Está claro que tudo isso se atinge com segurança jurídica e regras claras”, disse ele.
O ministro classificou Brasil e Bolívia como países complementares. “A integração entre Brasil e Bolívia não é uma casualidade. É um trabalho importante de parceria”, afirmou.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que Brasil e Bolívia têm condições de ampliar a cooperação na agropecuária. Afirmou que o país vizinho tem potencial de crescimento, com posição de destaque em segmentos como alimentos e máquinas.
“Esse encontro ocorre em um momento estratégico. Nossas economias têm possibilidade de ampliar o intercâmbio no agro”, disse Fávaro.
No ano passado, as exportações de produtos agropecuários do Brasil para a Bolívia somaram US$ 401,53 milhões, de acordo com o sistema de estatísticas Agrostat, do Ministério da Agricultura. As importações de produtos agropecuários bolivianos por brasileiros totalizaram US$ 29,48 milhões.
Oswaldo Barriga Karlbaum, presidente da Câmara Nacional de Exportadores da Bolívia (Caneb), avaliou que a Bolívia tem a possibilidade de exportar para o Brasil insumos como fertilizantes e suplementação para animais. Pode ser também um parceiro estratégico do agro brasileiro na logística.
“Hoje, 40% da safra brasileira enfrentam dificuldades de movimentação. A Bolívia pode ser uma solução. Essa integração nos leva a uma situação de pensar não como dois países, mas como uma região produtiva, integrando também Paraguai, Argentina, Chile e Peru”, afirmou, defendendo a cooperação entre governos e entre entes privados dos dois países.
Klaus Frerking Adad, presidente da Câmara Agropecuária do Oriente, destacou a necessidade de a agricultura boliviana ampliar sua produtividade. Disse ainda que esse objetivo pode ser atingido com uma cooperação na área de pesquisa e tecnologia.
“Precisamos de uma Embrapa paralela na Bolívia. Laboratórios para tomar as melhores decisões e capacitar nosso pessoal técnico, junto com o pessoal da Embrapa”, afirmou.
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