Artigo – Maturidade digital, o caminho para smart ports

Artigo – Maturidade digital, o caminho para smart ports

Presidente-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA)

Você já deve ter ouvido falar por aí que os dados dos sistemas são o novo petróleo do século 21. Mas já parou para pensar o que é preciso para extrair esse ativo bruto e transformá-lo em riqueza na prática? Vamos falar sobre a Jornada de Maturidade Digital, um caminho que nos levará a entender esse processo de criação de valor baseado em soluções tecnológicas. Há muito e muito tempo atrás, na era pré-digital, as organizações utilizavam processos mecânicos e manuais. Foi nessa época que começaram a surgir as primeiras planilhas eletrônicas e editores de texto, que no máximo ajudavam a dar uma organizada nas rotinas.

Numa segunda onda, veio a digitalização de processos, com a migração dos fluxos de trabalho para alguns sistemas de informática. Essa abordagem visava essencialmente o aumento da produtividade interna, com pouca automatização. Foi nessa época que a maioria das grandes empresas implantou seus famosos ERPs (Enterprise Resource Planning, Planejamento dos Recursos da Empresa).

A onda que estamos surfando hoje é a da transformação digital. Nela as empresas e organizações abrem seus processos de negócio e interagem diretamente com clientes, parceiros e fornecedores por meio de plataformas na internet. É a época em que a necessidade do contato físico diminui drasticamente com a automação em larga escala do e-commerce, das transações financeiras e da prestação de serviços digitais.

Mas a transformação digital traz consigo uma pegadinha: a necessidade de uma forte cultura de dados. Isso vai fazer toda a diferença na hora de evoluirmos para o próximo estágio. A cultura de dados numa organização é o tratamento profissional e eficiente de todo esse fluxo de informações que transita pelos mais variados sistemas e deve ser um mantra entoado por todos os colaboradores. Zelar pela qualidade e precisão das informações que são relevantes para o negócio, formatá-las adequadamente, armazená-las com segurança e protegê-las como um tesouro da organização.

Aí estamos preparados para o próximo estágio, os smart ports. A mola propulsora todos já sabem, é a inteligência artificial, mas ela é totalmente dependente dos dados para que possa produzir seu efeito. Se não passarmos por uma transformação digital adequada, dificilmente nossa IA conseguirá aprender e nos ajudar a monitorar nossos equipamentos portuários em tempo real, prevendo falhas antecipadamente. Ela também não vai otimizar rotas automaticamente, com algoritmos que rastreiam as cargas em tempo real. Muito menos oferecer ofertas personalizadas para cada cliente dos terminais portuários, usando análise preditiva e comportamental. Vamos olhar para a IA cheios de esperança, como nos induz a mídia a todo momento, mas sem deixar o dever de casa: a transformação digital bem feita.

Artigo publicado originalmente em A Tribuna – De popa a proa.

Recentes

Categorias

©2025. All rights reserved –  ANATC Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas