Iniciativa do Ministério dos Transportes prevê transição da frota de caminhões a diesel para gás natural liquefeito (GNL); Sinaceg apoia a medida e defende investimentos em infraestrutura verde nas rodovias
O Ministério dos Transportes levou à COP30, em Belém (PA), um dos projetos mais ambiciosos de transição energética no setor rodoviário: os “corredores azuis”, voltados à substituição gradual dos caminhões movidos a diesel por veículos abastecidos com gás natural liquefeito (GNL). A iniciativa, apresentada pelo ministro Renan Filho, faz parte da estratégia do governo federal de reduzir as emissões de carbono e modernizar a matriz logística do país.
De acordo com o ministro, o programa representa “um avanço do Brasil para reduzir as emissões no setor e alinhar o transporte nacional aos compromissos internacionais de descarbonização”
“Apresentamos na COP os corredores azuis, que representam a transição de veículos a óleo diesel para o GNL. Isso garantirá a redução das emissões e mostrará o protagonismo do Brasil na agenda climática”, afirmou Renan Filho à CNN.
Além do projeto dos corredores azuis, o Ministério dos Transportes também apresenta na conferência um modelo de concessão rodoviária com emissão zero de carbono, que prevê compensações ambientais diretamente nos contratos de obras e concessões. O pacote inclui ainda o Plano Integrado de Transporte e o Plano Nacional de Logística 2050, com foco em eficiência energética, impacto social e resiliência climática, além do PRO-AdaptaVifas — programa que adapta a infraestrutura rodoviária e ferroviária às novas condições climáticas.
Apoio do setor de transporte automotivo
O Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) — que representa o transporte de veículos zero quilômetros em todo o país — declarou apoio à proposta do governo. Para o presidente do sindicato, José Ronaldo Marques da Silva (Boizinho), a iniciativa coloca o transporte rodoviário brasileiro “na trilha da sustentabilidade e da inovação”.
“A descarbonização é um caminho sem volta. Os corredores azuis mostram que o país pode crescer e modernizar sua infraestrutura sem abrir mão do meio ambiente. O transporte de veículos tem papel fundamental nesse processo e o Sinaceg apoia medidas que tragam eficiência e sustentabilidade para as estradas brasileiras”, afirmou Boizinho.
O diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, destacou a importância de políticas que incentivem a infraestrutura verde ao longo das rodovias.
“É essencial que os caminhoneiros e transportadoras encontrem pontos de abastecimento, descanso e manutenção adaptados à nova matriz energética. O desafio é grande, mas o setor está disposto a contribuir. O futuro do transporte brasileiro precisa ser limpo, seguro e competitivo”, afirmou.
Rota COP30: integração logística e compromisso ambiental
O ministro dos Transportes iniciou a viagem rumo à COP30 em uma caravana batizada de Rota COP30, percorrendo mais de 2.000 quilômetros entre Brasília e Belém. Ao longo do trajeto, a comitiva vistoriou obras festratégicas como a duplicação da BR-153, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e trechos da BR-080, corredores logísticos considerados vitais para a competitividade e a redução de emissões no país.
“O setor de transportes tem uma de suas grandes tarefas nos próximos anos: fazer tudo o que faz emitindo menos carbono e colaborando para reduzir os efeitos das mudanças climáticas”, reforçou o ministro Renan Filho.
A expectativa do governo é que as políticas apresentadas em Belém consolidem o Brasil como referência global em infraestrutura sustentável, reforçando o papel do transporte rodoviário na economia verde e na transição energética justa.
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