A Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI) promoveu, nesta terça-feira (4), o seminário “Desafios e Oportunidades no Setor de Transporte Metroferroviário”, na Câmara dos Deputados. O evento reuniu parlamentares, representantes do governo federal, especialistas e lideranças do setor para discutir o papel estratégico das ferrovias no desenvolvimento nacional e os caminhos para ampliar os investimentos em mobilidade sobre trilhos no Brasil.
O presidente da Câmara Temática Ferroviária da FRENLOGI, deputado Pedro Uczai (PT/SC), destacou que o país precisa recolocar as ferrovias no centro da estratégia de crescimento. “O Brasil é um país continental — chega a ser escandaloso não termos, dentro da estratégia de desenvolvimento nacional, as ferrovias como elemento fundamental. Elas são o caminho para o futuro do país: mais baratas, seguras, sustentáveis e indutoras do desenvolvimento. Defender as ferrovias é defender o futuro do Brasil”, afirmou.
Uczai ressaltou ainda que o transporte ferroviário deve ser compreendido como instrumento de integração e soberania nacional, e que é preciso repensar o modelo de concessões para ampliar a concorrência e estimular a industrialização.
“Não é possível imaginar o Brasil sem ferrovias. O traçado ferroviário define o modelo de país que queremos construir”, concluiu o parlamentar.
O debate foi dividido em painéis temáticos, que abordaram diferentes perspectivas do setor. Foram discutidos os temas: “Estratégia Nacional de Mobilidade Urbana e os Sistemas Metroferroviários”, “Estado da Arte do Transporte Metroferroviário de Passageiros no Brasil”, “Desestatização da Trensurb: Caso Rio Grande do Sul”, “Resgate do Transporte Ferroviário de Passageiros”, “Lei das Ferrovias: Inovações em prol da Mobilidade Urbana”, “Reativação da Malha Oeste” e “Indústria Ferroviária Nacional”.

Marcos Daniel Souza dos Santos, diretor de Regulação de Mobilidade e Trânsito do Ministério das Cidades, apresentou projetos voltados a garantir transporte público rápido, de qualidade e acessível à população.
A diretora-executiva da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, enfatizou a importância de novos financiamentos e da expansão dos sistemas de transporte metropolitano. Francisco Vicente, superintendente de Desenvolvimento e Expansão, abordou os impactos da desestatização no transporte regional. Afonso Carneiro Filho, especialista em transporte ferroviário, defendeu a reativação de linhas e a convivência harmônica entre transporte de cargas e passageiros. O consultor legislativo do Senado Federal, Marcos Kleber R. Felix, apresentou a história e as principais atualizações legais do setor — como o Marco Legal das Ferrovias (Lei nº 14.273/21), que estabeleceu um novo regime jurídico para o transporte sobre trilhos de cargas e passageiros.
A vereadora de Bauru (SP), Estela Almagro, fez um apelo pela retomada do trecho da Malha Oeste, atualmente abandonado. “A Malha Oeste é hoje um cemitério de vagões. Precisamos transformá-la em vetor de desenvolvimento e geração de empregos”, afirmou. O presidente da ABIFER, Vicente Abate, destacou a relevância do setor ferroviário brasileiro e a necessidade de garantir segurança jurídica para novos investimentos. “O setor transporta 600 milhões de toneladas por ano. Precisamos assegurar que os recursos previstos se convertam em obras e expansão efetiva da malha”, disse.
Encerrando o evento, o diretor de Relações Institucionais da FRENLOGI, Edinho Bez, reforçou que é preciso transformar os debates em resultados concretos.
“Há mais de 30 anos discutimos o setor ferroviário, mas os avanços ainda são lentos. O que parece é que temos mais ‘indústria de papel’. Precisamos de planejamento, investimentos e continuidade. A FRENLOGI vai seguir debatendo e cobrando ações para o setor”, afirmou.

