Nesta sexta-feira, 5 de setembro de 2025, acontece na B3, em São Paulo, o leilão que marca um divisor de águas na infraestrutura nacional: a construção do primeiro túnel submerso do Brasil, ligando as cidades de Santos e Guarujá, no litoral paulista.
Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,14 bilhões de aporte público, o projeto finalmente sai do papel após quase cem anos de estudos, propostas e debates técnicos. As empresas Acciona (Espanha) e Mota-Engil (Portugal) estão habilitadas para disputar a concessão da obra, que será executada sob o canal do Porto de Santos.
Uma travessia que atravessa gerações
A necessidade de uma ligação seca entre os dois municípios surgiu com o crescimento do Porto de Santos. O primeiro projeto foi apresentado em 1927, pelo engenheiro Enéas Marini, prevendo um túnel de 900 metros que poderia ser percorrido em 40 segundos de automóvel.
Desde então, diversas alternativas foram estudadas — ponte levadiça nos anos 1940, ponte estaiada nos anos 2000, e finalmente o túnel imerso, que se consolidou como solução técnica viável após impasses com a navegação portuária e restrições aéreas.
Características do túnel
- Extensão total: 1,5 km, sendo 870 metros submersos
- Multimodalidade: 3 faixas por sentido, ciclovia, passagens para pedestres e faixa exclusiva para VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)
- Tecnologia de construção: módulos de concreto serão construídos em terra firme, testados contra vazamentos e submersos com precisão no leito do estuário, protegidos por uma camada de pedras
Impacto logístico e regional
Atualmente, a travessia por balsa leva cerca de 18 minutos, além do tempo de espera. Pela estrada, o percurso pode ultrapassar uma hora. Com o túnel, esse tempo será reduzido para cerca de dois minutos, promovendo ganhos expressivos em mobilidade, logística urbana e integração regional.
A obra está incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Estado de São Paulo. A licença ambiental prévia foi emitida pela Cetesb em agosto, e o edital de licitação foi publicado em fevereiro deste ano.
A FRENLOGI acompanha com atenção esse marco histórico, que representa não apenas um avanço técnico, mas também uma conquista estratégica para o desenvolvimento logístico e urbano do Brasil.
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