Painel do Transporte, da MundoLogística, apontou alta de R$ 0,49 por litro; cenário internacional pressiona combustível e SETCESP alerta para custos e abastecimento
O preço médio do diesel S10 no Brasil chegou a R$ 7,16 por litro em 30 de setembro, com alta acumulada de 7,3% nos últimos 30 dias, segundo dados do Painel do Transporte, da MundoLogística. No período, o combustível ficou R$ 0,49 mais caro, comparado com o valor-base de R$ 6,67 por litro.
A série diária mostra que o diesel permaneceu acima de R$ 7 por litro durante a segunda metade de setembro. Após marcar R$ 6,99 em 15 de setembro, o combustível passou para R$ 7,01 no dia 16 e chegou a R$ 7,19 por litro nos dias 22, 23 e 24, maior valor registrado no intervalo exibido pelo painel.
Nos dias seguintes, o preço recuou para R$ 7,17 no dia 25, R$ 7,12 no dia 26 e R$ 7,08 no dia 27. Em 28 de setembro, voltou a R$ 7,18, caiu para R$ 7,14 no dia 29 e encerrou o mês a R$ 7,16 por litro.

Evolução do preço do diesel S10 no Brasil (Foto: Painel do Transporte/MundoLogística
O Painel do Transporte é uma plataforma digital lançada para consolidar informações sobre o transporte rodoviário de cargas no Brasil. No monitoramento do diesel, a ferramenta acompanha o S10 com base no abastecimento de milhares de transportadoras espalhadas pelo país e apresenta o preço médio nacional, a evolução diária, as variações acumuladas em reais e em percentual e os dados por estado e região.
VARIAÇÃO DO DIESEL NOS ESTADOS
O levantamento apontou diferenças na evolução dos preços entre os estados. Entre os dados disponíveis no painel, o Rio Grande do Sul registrou alta de 27,9% em 30 dias, com avanço de R$ 1,49 por litro e preço de R$ 6,83. Em Santa Catarina, a alta acumulada foi de 26,5%, equivalente a R$ 1,41, com o litro a R$ 6,74. No Paraná, o avanço foi de 13,6%, para R$ 7,01.
No Nordeste, Pernambuco registrou alta de 19,5% no período, com avanço de R$ 1,17 e preço de R$ 7,17 por litro. No Centro-Oeste, o Distrito Federal acumulou aumento de 18,7%, para R$ 7,42, enquanto Mato Grosso do Sul teve alta de 17,9%, para R$ 7,32, e Mato Grosso, de 16,3%, para R$ 7,76.
No Norte, as variações foram menores. Roraima registrou alta de 2% em 30 dias, para R$ 7,13 por litro. No Acre, onde o diesel estava a R$ 7,94 por litro, o avanço acumulado foi de 7,9%.
PETRÓLEO E DIESEL NO MERCADO INTERNACIONAL
O movimento do diesel no Brasil ocorre em meio à alta do petróleo e a restrições na oferta internacional do combustível. Segundo análise do head de Postos da nstech, Victor Mouffron, o Brent iniciou agosto em cerca de US$ 88 por barril, depois de subir mais de 20% em julho com a escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã.
Ainda no início de agosto, houve um breve recuo, com o cancelamento de um ataque planejado pelos Estados Unidos e o anúncio da retomada das negociações, posteriormente negada por Teerã. O barril chegou a cair abaixo de US$ 84, mas voltou a subir em setembro.
“A trégua não durou muito e, em setembro, a maior onda de ataques a navios desde o início da guerra levou o petróleo de volta acima de US$ 100, com pico perto de US$ 110. O Brent fechou o mês de setembro a US$ 103, alta de cerca de 17% em dois meses”, explicou Mouffron.
Além da valorização do petróleo, o especialista destacou que o diesel teve uma alta ainda maior no período, em um cenário de oferta mais restrita. “O crack spread, a diferença entre o preço do combustível refinado e o do petróleo bruto, se ampliou com a oferta mais restrita. A guerra afetou a produção e a exportação de derivados no Oriente Médio, e a Rússia, segundo maior exportador mundial de diesel, proibiu as vendas externas do produto em julho, após ataques ucranianos a suas refinarias”, detalhou.
Esse cenário também ampliou a diferença entre os preços praticados pela Petrobras e os valores internacionais. Segundo Mouffron, dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) mostraram que a defasagem do preço da Petrobras em relação ao preço de paridade de importação (PPI) passou de R$ 3 por litro em setembro e atingiu R$ 3,89 em meados do mês.
“Como a produção da Petrobras não é suficiente para atender toda a demanda nacional, as distribuidoras precisam importar parte do diesel. Por isso, a alta do preço internacional encareceu o combustível comprado pelas distribuidoras e chegou ao consumidor final”, afirmou.
SETCESP ALERTA PARA PRESSÃO SOBRE CUSTOS
Em nota divulgada na quarta-feira, 30, o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP) manifestou preocupação com uma nova pressão sobre o preço do diesel e com a segurança do abastecimento brasileiro diante do cenário internacional.
Segundo a entidade, fatores como a volatilidade do petróleo, as condições de importação e as discussões sobre o aumento da mistura de biodiesel exigem planejamento diante dos possíveis efeitos sobre o transporte de cargas.
“A atualização reforça nosso alerta: a pressão do combustível já alcança os custos do transporte. Transportadores e contratantes devem observar os novos pisos nas operações abrangidas pela norma”, afirmou o SETCESP na nota, ao comentar o reajuste dos coeficientes dos pisos mínimos de frete realizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A entidade também chamou atenção para a continuidade do fornecimento de diesel no país. De acordo com o SETCESP, cerca de 30% do combustível consumido no Brasil depende de importações, o que amplia a exposição do mercado nacional a restrições comerciais, problemas em refinarias e interrupções em rotas marítimas.
O sindicato orientou ainda as transportadoras a acompanharem os custos, verificarem a regularidade das entregas de combustível e negociarem a atualização dos contratos conforme os impactos efetivamente observados. Para a entidade, altas persistentes do diesel pressionam os custos dos fretes e podem repercutir nos preços de alimentos, medicamentos e demais produtos.
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