Maiores produtores de algodão do país, BA e MT superam desafios distintos na safra 2025/26 - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

Maiores produtores de algodão do país, BA e MT superam desafios distintos na safra 2025/26

Mesmo com pequena redução de área plantada, aumento da produtividade deve sustentar produção nacional; enquanto plantas daninhas desafiaram as lavouras no Mato Grosso, insetos sugadores pressionaram qualidade da pluma na Bahia

Com a colheita da safra brasileira de algodão 2025/26 em andamento, produtores de diferentes regiões do país chegam ao fim do ciclo com uma constatação em comum: a necessidade de atualização constante do produtor para incremento da produtividade. Nesse contexto, ganha relevância a adoção de sistemas integrados de manejo, que combinem genética, biotecnologia, ferramentas químicas e biológicas para ampliar a eficiência do controle ao longo do ciclo.

“Os desafios observados no campo mostram que o manejo precisa ser pensado como um sistema, e não como decisões isoladas”, afirma Alexandre Santaella, líder de marketing para algodão da BASF Soluções para Agricultura. Segundo ele, a leitura das condições de cada região é fundamental para que o produtor consiga preservar o potencial produtivo e, ao mesmo tempo, proteger a qualidade do algodão que será entregue ao mercado.

Mesmo objetivo, desafios distintos

Embora compartilhem protagonismo na cotonicultura nacional, os estados de Mato Grosso e da Bahia enfrentaram cenários diferentes durante o ciclo produtivo.

Principal produtor brasileiro, Mato Grosso enfrentou uma forte pressão de plantas daninhas durante o ciclo. Entre elas, o caruru, do gênero Amaranthus, aparece como uma das principais preocupações. Segundo especialistas, a presença de apenas uma planta por metro quadrado pode provocar perdas de até 75% da produtividade, dependendo das condições de manejo.

A competição ocorre justamente por recursos essenciais ao desenvolvimento do algodoeiro, como água, luz e nutrientes. Por isso, o momento de intervenção é decisivo. Quanto mais avançado estiver o desenvolvimento das invasoras, maior tende a ser a dificuldade de controle e a interferência sobre a cultura.

O cenário aumenta a complexidade do manejo e exige planejamento antecipado. “A lógica por trás da estratégia é começar cedo. O objetivo não é apenas eliminar a competição depois que ela aparece, mas reduzir a interferência das invasoras desde o estabelecimento da lavoura e facilitar as operações seguintes”, explica Santaella.

Nesse contexto, é essencial um planejamento inicial da safra. Isso porque, segundo o especialista, a escolha da variedade da semente é determinante para a estratégia de utilização de defensivos ao longo da safra, por exemplo.

Para enfrentar essa situação, a BASF apresenta o Sistema Seletio®, uma combinação de ferramentas planejada para oferecer resultados superiores. “A proposta é ampliar as ferramentas disponíveis para o manejo de plantas daninhas, inclusive em situações de maior dificuldade de controle”, destaca Santaella.

A biotecnologia Seletio® TwinLink® Plus oferece tolerância aos herbicidas Glifosato, Liberty® e Durance® S e controle das principais lagartas do algodoeiro, por meio das proteínas Bt’s Cry1Ab, Cry2Ae e Vip3A.

Já o Durance® S, novo herbicida da BASF, oferece controle com efeito residual e alta eficiência em gramíneas de difícil controle, como o capim pé-de-galinha, além de capim-colchão, capim-amargoso, capim-carrapicho, beldroega e caruru, e pode ser aplicado na pré-emergência da cultura do algodão, com efeito residual.

Se em Mato Grosso a disputa com as plantas daninhas esteve entre os principais desafios, na Bahia a atenção se voltou especialmente aos insetos sugadores e aos impactos que eles podem provocar sobre a qualidade da pluma.

A pegajosidade está relacionada à presença de secreções açucaradas produzidas por algumas pragas. Quando essas substâncias entram em contato com a fibra, podem favorecer a formação de fumagina e comprometer características importantes da pluma. O problema deixa de ser, portanto, apenas fitossanitário e passa a ter consequências comerciais. “O controle de insetos é estratégico para evitar que a fibra chegue à colheita com características que dificultem seu processamento industrial”, relata Santaella.

Entre as ferramentas apresentadas pela BASF está o Vinquo®, inseticida à base de afidopiropeno, voltado ao manejo de pulgão-do-algodoeiro. O produto atua interferindo na alimentação dos insetos e pode integrar programas de manejo de resistência. Já o Efficon® incorpora a tecnologia Axalion® Active, com novo modo de ação para o manejo de insetos sugadores, com foco na mosca-branca. Um de seus diferenciais é o chamado Efeito Freeze®, que promove rápida paralisação da alimentação da praga.

Resultados animam produtores

O cenário da safra 25/26 foi construído inicialmente sob pressão, mas a adequação das estratégias de manejo, clima favorável e abertura de mercados reverteram a situação para o produtor ao longo da temporada.

“Os preços mais baixos no início da safra, na faixa de 65 a 70 centavos de dólar por libra-peso, contribuíram para uma redução de 3,2% a 6% na área plantada, concentrada principalmente em Mato Grosso e Minas Gerais. A redução do plantio, porém, não necessariamente significará queda proporcional na produção. O desempenho das lavouras e as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento da cultura, com chuvas consideradas positivas até junho e julho, e a expectativa é de produtividade elevada. O Brasil mantém, nesse contexto, posição de destaque no mercado internacional, inclusive como maior exportador global de algodão”, salienta Santaella.

Dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) divulgados em agosto destacam que a produtividade do algodão é a maior da série histórica nesta safra. Estimada em 2.024 kg/ha de pluma, representa incremento de 3,4% em relação ao ciclo passado e sustenta a produção nacional em 4.084,6 mil toneladas, volume 0,6% superior ao previsto no levantamento anterior e 0,1% acima do obtido na safra 2024/25, mesmo diante da retração de 3,2% na área cultivada

O Brasil também encerrou o ano comercial 2025/26 com recorde histórico nas exportações. Segundo o Relatório Anual da Associação Brasileira dos Produtores de algodão (Abrapa), divulgado em agosto, entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país exportou 3,37 milhões de toneladas da fibra, volume 19% superior ao registrado no ano comercial anterior, quando foram embarcadas 2,84 milhões de toneladas. As exportações geraram US$ 5,3 bilhões em receitas.

Próxima safra já entra no radar

Enquanto a colheita 2025/26 avança, o planejamento da próxima temporada já começa a incorporar outro fator de incerteza: o clima. Com a expectativa de influência do El Niño entre setembro e fevereiro, o cenário pode aumentar a instabilidade da janela de plantio da soja e, por consequência, interferir no calendário do algodão em Mato Grosso.

“Temperaturas mais elevadas e condições mais secas também podem favorecer determinadas pragas, como lagartas e mosca-branca. O contexto reforça a necessidade de antecipar decisões e estruturar estratégias de manejo antes que os problemas atinjam níveis capazes de comprometer a lavoura”, aponta Santaella.

Apesar disso, do ponto de vista econômico, a perspectiva apresentada para a próxima safra é positiva. A expectativa dos especialistas é de crescimento de 5% a 6% da área plantada, ultrapassando 2,1 milhões de hectares. A relação de troca também estaria mais favorável em comparação com o ciclo anterior, enquanto o algodão aparece com margens consideradas mais atrativas que as do milho nas condições analisadas.

A safra 2025/26, portanto, deixa uma lição que vale para as próximas temporadas: em uma cultura destinada a um mercado global e cada vez mais exigente, a fibra precisa ser protegida antes mesmo de existir como produto final. A escolha de uma semente com genética superior, o manejo de daninhas, o monitoramento de pragas e as decisões fitossanitárias tomadas ao longo do ciclo fazem parte de uma mesma estratégia: garantir uma pluma que mantenha qualidade, classificação e valor até chegar à indústria.

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