Indicadores de sinistros, mortes e feridos ajudam a identificar tendências, orientar prioridades e aperfeiçoar a atuação regulatória nas rodovias federais concedidas
Segurança viária exige acompanhamento permanente. Nas rodovias sob concessão federal, os dados sobre sinistros, mortes e feridos ajudam a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a identificar tendências, acompanhar resultados e avaliar onde podem ser necessárias novas medidas.
Os números não contam sozinhos toda a história da segurança no trânsito, mas oferecem informações para orientar a atuação do poder público e das empresas responsáveis pela operação das rodovias.
Os números ajudam a medir o desafio
Nas rodovias sob concessão federal, foram registrados 82.187 sinistros em 2024, com 2.370 mortes e 49.611 feridos. Em 2025, foram 84.079 sinistros, 2.000 mortes e 43.825 feridos. Os dados constam dos boletins anuais de sinistros de trânsito da ANTT, sendo 2025 o levantamento anual mais recente disponível.
A comparação mostra uma redução de 370 mortes e de 5.786 pessoas feridas entre os dois anos, mesmo com a ampliação da rede acompanhada pela Agência, que passou de 26 para 32 concessionárias no período.
Os dados indicam uma redução na gravidade dos sinistros, mas não permitem atribuir esse resultado isoladamente a uma política ou ação da ANTT. Segurança viária é influenciada por diversos fatores, como comportamento dos condutores, fiscalização de trânsito, condições dos veículos, infraestrutura, atendimento às ocorrências e atuação de diferentes órgãos públicos e empresas.
Em 2026, os dados mais recentes divulgados pela Agência mostram como esse acompanhamento continua sendo feito. No feriado da Independência, entre 4 e 7 de setembro, as rodovias federais concedidas registraram 1.554 sinistros e 37 óbitos, em um período que teve 12,6 milhões de passagens de veículos pelas praças de pedágio. O levantamento também reuniu informações sobre os atendimentos prestados aos usuários e permitiu identificar, por exemplo, que a colisão frontal em pista simples respondeu por 32,4% das mortes no período.
Por isso, acompanhar os indicadores é parte da própria regulação. Os números ajudam a identificar tendências, orientar prioridades e avaliar onde medidas adicionais podem ser necessárias.
Dados para orientar decisões
Os dados de sinistros, combinados com informações sobre a operação das rodovias, ajudam a identificar trechos que concentram ocorrências e mortes no trânsito, avaliar a evolução das condições de uma concessão e verificar se as medidas adotadas estão produzindo os resultados esperados.
O acompanhamento também pode ser feito em períodos específicos, como feriados de maior movimento. Nesses casos, a ANTT reúne informações encaminhadas pelas concessionárias sobre tráfego, sinistros, óbitos e atendimentos operacionais. A análise permite identificar padrões de ocorrência e subsidiar ações voltadas à prevenção e à segurança dos usuários.
A atuação regulatória não termina quando uma obrigação é estabelecida ou uma intervenção é realizada. A ANTT acompanha os resultados e utiliza as informações disponíveis para aperfeiçoar as decisões.
Segurança precisa chegar ao usuário
Para quem utiliza uma rodovia, a regulação aparece em situações concretas: no pavimento em boas condições, na sinalização que orienta o trajeto, na proteção de um trecho de risco, na conservação da pista, na resposta a uma ocorrência ou na fiscalização que verifica se as obrigações da concessão estão sendo cumpridas.
A ANTT estabelece regras e obrigações, estrutura contratos, acompanha a operação, fiscaliza as concessionárias e utiliza dados e tecnologia para aperfeiçoar esse trabalho. As concessionárias executam as obrigações previstas nos contratos, enquanto outros órgãos participam da segurança viária dentro de suas respectivas competências.
Na Semana Nacional de Trânsito, a mensagem “Desacelere. Seu bem maior é a vida” chama a atenção para o comportamento de cada pessoa no trânsito. Para a ANTT, essa orientação se soma ao trabalho regulatório de acompanhar indicadores, identificar tendências e usar os dados para orientar novas medidas. Assim, os números contribuem para decisões mais precisas sobre a segurança nas rodovias.
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