Planejar a infraestrutura de transportes para 2050 exige mais do que projetar investimentos ou reunir uma lista de obras. Exige escolher prioridades, entender como a carga e os passageiros vão se movimentar nas próximas décadas e, principalmente, construir uma estratégia capaz de atravessar diferentes governos.
É essa a proposta do Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050). Com uma estimativa de R$ 1,225 trilhão em investimentos necessários até 2050, o plano representa uma mudança importante na forma de pensar a infraestrutura brasileira.
Em vez de partir de obras isoladas, o PNL procura identificar gargalos, fluxos e necessidades
para, então, definir quais projetos fazem sentido.
A mudança de lógica é relevante. O Brasil acumulou, ao longo de décadas, projetos e estudos que nem sempre conseguiram sair do papel. Em um cenário de recursos limitados, escolher o que deve ser feito primeiro passa a ser tão importante quanto construir.
O PNL estabelece 31 eixos prioritários e 112 objetivos de atuação justamente para orientar essas escolhas.
O plano também traz uma visão mais integrada da matriz de transportes. O caminhão continuará essencial para a coleta, a distribuição e as conexões entre terminais e destinos.
Ao mesmo tempo, ferrovias e hidrovias ganham espaço nos fluxos de maior volume e distância. A questão, portanto, não é substituir um modal por outro, mas fazer com que eles funcionem de forma complementar.
Essa integração será um dos grandes testes do PNL.
Não basta definir corredores no planejamento. Será preciso garantir que rodovias, ferrovias, hidrovias, portos,
aeroportos e terminais sejam pensados como partes de uma mesma rede. E, principalmente, que essa visão seja preservada quando o plano for transformado em políticas e projetos setoriais.
Há ainda outro desafio: transformar planejamento em execução. Dos R$ 1,225 trilhão estimados até 2050,R$ 34,4 bilhões estão associados à participação privada e R$ 490,5 bilhões à pública. O volume impressiona, mas o sucesso do plano dependerá menos do tamanho do número e mais da capacidade de criar projetos viáveis,
coordenados e capazes de atrair investimentos.
O horizonte de 2050 pode parecer distante. Mas as decisões tomadas agora definirão a infraestrutura que sustentará a economia brasileira nas próximas décadas.
Por isso, talvez o principal mérito do PNL seja recolocar o planejamento de longo prazo no centro da discussão sobre logística. O desafio, daqui para frente, será impedir que essa visão se perca no caminho entre o planejamento e a execução.
Depois de tantos planos interrompidos ou substituídos, o Brasil terá de provar que é capaz de manter uma direção por mais de um ciclo de governo.
É esse debate que a Transporte Moderno pretende acompanhar. Mais do que olhar para as obras anunciadas, queremos entender quais escolhas estão sendo feitas, quem será beneficiado por elas e se o país conseguirá transformar planejamento em infraestrutura capaz de sustentar seu crescimento.
Planejar hoje para transformar a logística do futuro
Tags Transporte Moderno (Aline Feltrin)

