América Latina e Caribe ampliaram produção de petróleo depois do choque do barril  - ANATC - Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas

América Latina e Caribe ampliaram produção de petróleo depois do choque do barril 

Semana foi marcada pelo anúncio de investimentos da Chevron e Eni na Venezuela

Os países da América Latina e Caribe produziram 10,6 milhões de barris por dia de petróleo em abril de 2026, alta de 10% na comparação anual, segundo um relatório da Organização Latino-americana e Caribenha de Energia (Olacde) divulgado na noite de quinta (3/9)

  • Os dados indicam que a região está ampliando a extração em meio aos choques nos preços causados pela guerra no Oriente Médio, que teve início no final de fevereiro.  

Do volume total, mais de 70% vieram do Brasil, México e Venezuela

  • Outros importantes fornecedores são Guiana (9% do volume total), Argentina (8%) e Colômbia (7%).  

O relatório da Olacde ressalta que quase 80% das exportações tiveram como destino países fora da região.

  • Já 54% das importações da região foram supridas pelo comércio intrarregional
  • Ainda assim, a América Latina está sofrendo com os efeitos da inflação na energia causada pela alta global nos preços. 
  • Vale lembrar que os países latino-americanos são altamente dependentes de diesel para transporte e ainda enfrentam o desafio de reduzir a pobreza energética
  • Relembre: Inflação dos combustíveis na América Latina triplicou entre maio e junho.

Os dados foram divulgados na mesma semana em que a Venezuela retornou aos holofotes globais, após o acordo entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina do país, Delcy Rodriguez, para entregar acesso a 65 bilhões de barris em reservas de petróleo do país caribenho ao governo estadunidense.

  • Depois do anúncio, petroleiras internacionais começaram a dar os primeiros passos para ampliar as atividades no país caribenho. 
  • Chevron anunciou na quarta-feira (2/9) investimentos de mais de US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos na Venezuela. Já a italiana Eni assinou um acordo para se tornar a operadora do campo petrolífero Junín 5. 

Analistas permanecem céticos, no entanto, quanto à velocidade e a estabilidade da recuperação na produção venezuelana. Um aumento mais expressivo de novos campos na região do Orinoco só deve se concretizar após 2035, estima a Rystad Energy. 

  • A consultoria calcula que os eventuais aumentos na extração virão primeiro de ativos existentes, que podem atingir uma produção de 157 mil barris/dia em 2027 e ampliar esse volume para 680 mil barris/dia até 2030.
  • Mas as incertezas para os investimentos de longo prazo permanecem. A vice-presidente sênior para petróleo e gás na América Latina da Rystad, Radhika Bansal, ressalta que os termos fiscais do acordo com os EUA são competitivos para investidores internacionais, mas que a reação política dentro do país, com fortes críticas, demonstra que um eventual novo governo pode rever essas condições

Preço do barril. O petróleo Brent para novembro encerrou as negociações de quinta (3/9) em queda de 0,12% (US$ 0,11), a US$ 95,52 por barril. Na manhã de sexta (4), as negociações indicavam leve queda nos preços, a US$ 95,12 por barril

Recorde histórico. Os preços do diesel atingiram o recorde histórico nos Estados Unidos na manhã de sexta (4), de acordo com o New York Times. O custo médio de um galão de diesel chegou a US$ 5,85, alta de mais de 55% desde o início da guerra com o Irã.  

 Você sabia? Um galão estadunidense equivale a 3,785 litros.

Economia com etanol. Encher um tanque médio de 55 litros com etanol custa cerca de R$ 227,15, contra R$ 370,15 para a gasolina, uma diferença de aproximadamente 39% (cerca de R$ 143,00), informa o Índice de Preços Edenred Ticket Log. O levantamento acompanha o comportamento de preços das transações em postos de abastecimento de todo o Brasil.

Para lidar com o clima extremo. A alta probabilidade de um super El Niño neste segundo semestre de 2026 está colocando o setor de energia em alerta. Empresas de distribuição já começam a antecipar planos e mobilizar recursos financeiros e humanos para minimizar os impactos às redes brasileiras. Veja os planos para lidar com o evento climático na newsletter diálogos da transição

E por falar em redes sob pressão… a aceleração da eletrificação, o aumento da demanda por data centers e a maior adoção de fontes renováveis intermitentes, como a geração solar e eólica, são um desafio para as redes elétricas em todo o mundo hoje. 

  • O consenso entre executivos e especialistas é que, além do descasamento entre os momentos de consumo e geração das fontes intermitentes, as redes de transmissão e distribuição precisam ser fortalecidas para lidar com o aumento da demanda na era da eletrificação

No Brasil, incentivos para data centers. O Congresso Nacional aprovou na quinta (3), o PLP 74/2026, que exclui das restrições orçamentárias os projetos com renúncia já prevista no orçamento de 2026, o que contempla o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). O texto vai à sanção.

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